DIVERSÃO

Cinco programas imperdíveis para o fim de semana

Confira a seleção especial de VEJA RIO para deixar seu fim de semana ainda mais animado

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(Foto: Redação Veja rio)

Não por acaso, o romeno Matéi Visniec é considerado pela crítica o novo Eugène Ionesco (1909-1994). Além da nacionalidade, os autores compartilham as tintas absurdas com as quais retratam o homem e suas incontornáveis contradições. Para Visniec, o surrealismo de suas peças foi uma maneira de escapar da opressão da ditadura comandada pelo presidente Nicolae Ceausescu em seu país, onde viveu até 1987, quando resolveu partir para a França. No Brasil, o autor vem sendo descoberto nos últimos anos. A atriz Guida Vianna está entre os que se encantaram por sua obra. Ela convidou Gilberto Gawronski para, juntos, encenarem, de uma tacada, dois textos do dramaturgo, O Último Godot e O Rei, o Rato e o Bufão do Rei. O projeto, que reúne ambos na mesma sessão, dirigidos por Gawronski, foi batizado de 2 x Matei ? sem acento, em um trocadilho com o verbo matar. O primeiro aborda o crepúsculo do teatro e o segundo, o perecimento da autoridade ? e, nos dois, o humor sobra. Na história que abre o espetáculo, dá-se um insólito encontro entre o personagem-título do clássico Esperando Godot, vivido por Guida, e seu autor, o irlandês Samuel Beckett, encarnado por Gawronski.

Em seguida, ele interpreta um rei deposto após uma revolução e ela, seu bufão. Os dois segmentos se passam na mesma cenografia (concebida também pelo ator e diretor), limpa e extremamente funcional para evocar ambientes tão distintos quanto o meio de uma rua qualquer e a cela de uma prisão. Por trás de diálogos aparentemente insensatos proferidos por um elenco afiadíssimo e em plena sintonia, vislumbram-se reflexões pertinentes sobre os descaminhos da humanidade (80min).

12 anos. Estreou em 28/3/2014.

Teatro Poeirinha (50 lugares). Rua São João Batista, 104, Botafogo, ☎ 2537-8053. Quinta a sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 40,00. Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). IC. Até 19 de maio.

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(Foto: Redação Veja rio)

Há três anos, Ricardo Elia lançou um livro de poemas no qual buscava mostrar ao leitor que cada coisa na vida tem sua própria cadência: música, dança e poesia, por exemplo. Em Ritmo É Tudo, batizado com o nome da obra de Elia e inspirado por seus versos, integrantes da Irmãos Brothers Band levam esses três elementos ao palco do Teatro Maria Clara Machado. Alberto Magalhães dirige o espetáculo, que traz ainda toques de circo e humor, marcas registradas da trupe. Em cena, Bruno Carneiro e Tatiana Miranda representam momentos do cotidiano de um casal ? cada um deles marcado por um ritmo. O ato de se vestir, um namorico, o trânsito, diálogos entre os dois e a rotina no trabalho são coreografados ao som de temas variados, reunidos na trilha sonora assinada por Pedro Tie. Além de, literalmente, dançarem conforme a música, os atores-bailarinos a interpretam ao vivo, munidos de tambores, mais objetos como raladores de queijo, copos e panelas. Uma versão adulta da montagem, centrada na dança, ganhou temporada até o último dia 13 (50min). Estreia prevista para este sábado (19).

Teatro Maria Clara Machado (120 lugares). Rua Padre Leonel Franca, 240 (Planetário da Gávea), Gávea, ☎ 2274-7722. Sábado e domingo, 16h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 14h (sáb. e dom.). Até 11 de maio.

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(Foto: Redação Veja rio)

Em 1948, Salvatore (Luigi Lo Cascio), para dar uma condição financeira melhor à família, sai da Calábria, na Itália, a fim de trabalhar em minas de carvão na Bélgica. Não demora para a mulher e o casal de filhos se juntarem a ele. Quem mais estranha o lugar e sofre preconceitos por sua nacionalidade é o menino Rocco Granata (Cristiaan Campagna). Esse garoto tem talento artístico e quer ganhar dinheiro com música. O pai mostra-se radicalmente contra. De onde vem o título Marina? Não, não se trata da mocinha por quem Rocco se apaixona na juventude (quando passa a ser interpretado por Matteo Simoni). Vem da faixa que o tornou conhecido no fim da década de 50. Inspirado na trajetória do cantor, hoje com 75 anos, o drama biográfico possui um registro recheado de curiosidades, além de focar o intenso conflito entre Rocco e Salvatore. Direção: Stijn Coninx (Marina, Bélgica, 2013, 118min). 14 anos. Estreou em 17/4/2014.

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(Foto: Redação Veja rio)

Reserve tempo para admirar Paintant Stories, monumental obra que o artista argentino radicado em Nova York apresenta na Casa Daros. Seu nome ? em tradução livre, algo como ?histórias pintantes? ? tem razão de ser: são inúmeras as narrativas presentes na gigantesca tela de 4 metros de altura por nada menos que 100 metros de extensão. Produzido em 2000, o trabalho foi exibido pela primeira vez em Stuttgart, na Alemanha, de uma maneira que circundava inteiramente o espectador. No Rio, o autor optou por fazê-lo descrever curvas sinuosas ao longo de três ambientes do centro cultural: começa no primeiro espaço expositivo, dá a impressão de atravessar a janela, segue pelo agradável pátio interno da casa e volta a invadi-la, serpenteando por outro salão. Tecnicamente, o que se vê é uma impressão digital, um mosaico de imagens que Marcaccio pinça da internet, sobre o qual aplica generosas pinceladas de tintas de várias cores misturadas a silicone. Em diversas partes, o material usado fica pendente, causando um efeito instigante. A mera descrição, porém, não dá conta da multiplicidade representada: é possível admirar tanto a imponência da criação, a distância, quanto os detalhes que se escondem por entre as imagens e camadas de tinta, visíveis apenas de muito perto.

Casa Daros. Rua General Severiano, 159, Botafogo, ☎ 2275-0246. Quarta a sábado, 11h às 19h; domingo, 11h às 18h. R$ 12,00. Grátis para crianças de até 12 anos e às quartas. Meia-entrada para idosos e estudantes com mais de 12 anos. A bilheteria fecha meia hora antes do término do horário de visitação. Até 10 de agosto.

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(Foto: Redação Veja rio)

Aos 5 anos, em uma reunião familiar, o expoente da nova geração do piano russo sentou-se diante do instrumento e tocou, de ouvido, uma sonata de Beethoven. Aos 16, começaram a chegar os prêmios ? o maior deles foi conquistado em 1994 no prestigiado Concurso Internacional Tchaikovsky. Discípulo do célebre Sergei Dorensky no Conservatório de Moscou, onde hoje trabalha como assistente do antigo professor, Lugansky, 42 anos, divide a rotina de aulas com apresentações ao lado das principais orquestras do planeta ? no ano passado, estreou ao lado da Sinfônica de Londres. De volta ao Rio, que visita com regularidade desde a década de 90, o fã declarado de Nelson Freire estrela um recital no Theatro Municipal na tarde do domingo (27). Dono de técnica impecável, defende programa que reúne composições de César Franck (Prelúdio, Coral e Fuga), Sergei Prokofiev (Sonata para Piano Nº 4, Op. 53) e Sergei Rachmaninov (Prelúdios, Op. 32), ao lado de Chopin, um de seus compositores prediletos.

Theatro Municipal (2?244 lugares). Praça Marechal Floriano, s/nº, Centro, ☎ 2332-9191, Cinelândia. Domingo (27), 17h. R$ 50,00 (galeria, filas H a K) a R$ 420,00 (plateia e balcão nobre). Bilheteria: a partir das 10h (dom.).

Fonte: VEJA RIO