SUSTENTABILIDADE

Chuveiros verdes

Protótipo instalado na praia de Copacabana retira água manualmente do subsolo e aposenta o uso das barulhentas bombas d'água da orla carioca

Por: Ernesto Neves - Atualizado em

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A orla carioca vai se livrar das incômodas bombas d'água. Movidos a combustível ou eletricidade, esses motores sugam a água do subsolo para abastecer os chuveirinhos utilizados diariamente em quase todas as 71 praias do Rio. Além de enfeiar a paisagem, os aparelhos também incomodam frequentadores ao queimar combustível, deixando um desagradável rastro de fumaça preta no ar. Para piorar, jogam na atmosfera gases poluentes, entre eles o CO2, responsável, pelo aquecimento global. Panorama que destoa das ambições de transformar o Rio em uma cidade exemplo de sustentabilidade ao longo da década, com metas de redução na emissão de gases tóxicos e a construção de um distrito verde próximo à UFRJ, entre outras medidas ambiciosas.

A poluição causada pelos chuveirinhos pode acabar em breve, caso a prefeitura coloque em prática o plano de substituí-los por modelos ecológicos. Um dos protótipos estudados foi instalado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente na praia de Copacabana, na altura da Rua Francisco Sá. Criado por uma empresa paulista, trata-se de um modelo manual, em que o banhista bombeia a água do subsolo ao movimentar um êmbolo. O chuveiro possui um filtro subterrâneo, que suga a água presente no lençol freático, geralmente localizado 3 metros abaixo da superfície. Ao passar pelo tubo, é filtrada e tem 90% da salinidade retirada. A água também recebe pequena dosagem de cloro, que mata 99% das bactérias presentes, incluindo os perigosos coliformes fecais.

O novo chuveiro pesa cerca de 4,5 quilos e tem capacidade para armazenar dois litros d'água, consumidos a cada banho. São feitos com polipropileno, material resistente e que não utiliza solventes em sua produção. De acordo com a empresa responsável, a água utilizada evapora antes de penetrar na areia, e não vai poluir o lençol com restos de bronzeador ou outros produtos químicos. O reservatório natural também não correria riscos de minguar com a retirada constante de água, já que é abastecido pelo mar.

Fonte: VEJA RIO