Memória da Cidade

Cariocas reviram baús para montar uma mostra coletiva

Projeto do Comitê Rio450 busca recuperar imagens de um Rio do passado

Por: Lula Branco Martins

Bloco da chuva 1970
(Foto: Acervo Pessoal)

Ainda como parte dos festejos do aniversário de fundação da cidade, o Comitê Rio450 lançou, na última semana, mais um projeto, desta vez uma espécie de desafio aos cariocas mais veteranos, sugerindo às pessoas que abram suas gavetas, revirem baús e remexam em caixas de recordações. O objetivo é recuperar imagens de um Rio do passado, e, quanto mais distante esse passado, melhor. Os registros mais curiosos ajudarão a compor o portal www.memoriacariocario450.com.br, já ativo para o recebimento de material, e vale tudo: fotografias, documentos, vídeos e até notas de uma moeda (cruzeiros e cruzados, por exemplo) fora de circulação. Em outubro, começará uma exposição virtual dos itens. A ideia de montar esse acervo coletivo partiu de Rafael Rissuti, analista de sistemas, de 32 anos, morador da Vila da Penha, um apaixonado pela história da capital. E, mesmo lançada há poucos dias, a campanha já vem recebendo significativa quantidade de imagens. Bom exemplo é a foto de uma cigarreira de prata em formato de carta, com data de 1901, que um dia pertenceu a Francisco Mendes de Oliveira Castro, médico que atendia os filhos de Pedro II. Mais antigo ainda é o relógio, fabricado nos Estados Unidos, que a princesa Isabel doou ao bisavô da aposentada Hercy Nunes, de 71 anos, do Méier.

Cigarreira
(Foto: Acervo Pessoal)

Ela tirou recentemente uma foto segurando o objeto (ao lado) e a enviou ao comitê. A imagem tem tudo para entrar na seleção final. Também já estão chegando cliques genéricos, de eventos como o Papai Noel no Maracanã e as misses no Maracanãzinho. Fotógrafos profissionais, como Eduardo Rocha, da Glória, vêm contribuindo em larga escala. É dele o registro acima, do Bloco da Chuva, em Botafogo, na década de 70. E há um item que muitos no comitê nem sabiam da existência: a capa de um disco (de vinil, claro) que festejou os nossos 400 anos, parte do acervo pessoal do engenheiro Luiz Murillo Tobias, do Flamengo, que entre suas faixas tem Valsa de uma Cidade, aquela dos versos “Rio de Janeiro / gosto de você / gosto de quem gosta / deste céu, desse mar, dessa gente feliz...”.

Dona Hercy
(Foto: )

Fonte: VEJA RIO