EDIÇÃO DA SEMANA

Carioca nota dez: Fiorella Solares

A instrumentista Fiorella Solares comanda um programa de ensino de música clássica a crianças de baixa renda

Por: Thaís Meinicke

Felipe Fittipaldi
(Foto: Redação Veja rio)

Nascida na Guatemala, a violoncelista Fiorella Solares veio há 35 anos para o Brasil, onde fez uma sólida carreira na Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, conheceu o marido, o maestro David Machado, e teve uma filha. "Eu me naturalizei brasileira porque me dei conta de que não sairia mais desta cidade. O país é apaixonante, especialmente o Rio", diz ela, aos 57. Com a ideia de retribuir toda a boa acolhida que teve, decidiu concretizar um plano idealizado por Machado de ensinar música clássica a crianças de baixa renda. Certamente, o mentor, que morreu em 1995, estaria orgulhoso da proporção que a iniciativa tomou. Batizado de Ação Social pela Música e prestes a completar dezoito anos, o projeto leva o universo de violinos, flautas, violas e clarinetes a mais de 800 crianças de dezenove comunidades cariocas. Campos dos Goytacazes, município fluminense que foi o berço da história, reúne outros 2?500 alunos. Aquele núcleo, inclusive, já deu origem a uma orquestra semiprofissional. "A questão do talento e da carreira é secundária. O fundamental é a educação pela música."

"A questão do talento e da carreira é secundária. O fundamental é a educação pela música"

Foi só em 2008, graças à política de pacificação, que Fiorella pôde estender a ação para a capital do estado. A primeira sede foi no Morro Dona Marta. Depois vieram os pontos em Cidade de Deus, Complexo do Alemão e Morro dos Macacos. "As crianças são apresentadas a todos os instrumentos e escolhem o de sua preferência", explica. As atividades acontecem à tarde, três vezes por semana, com aulas de teoria musical, instrumentos e orquestra. Bancado por uma empresa de energia paranaense, o projeto oferece ainda reforço em matemática e português a quem não tem bom desempenho escolar, além de fornecer cestas básicas às crianças, que estão autorizadas a levar os instrumentos para casa, com o compromisso de se exercitar pelo menos meia hora por dia. "Era praticamente impossível à garotada mais pobre ter acesso à música clássica e aprender a tocar um instrumento", diz Fiorella. "Hoje temos até alunos em cursos universitários. É maravilhoso." ?

Fonte: VEJA RIO