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Carioca Nota 10: Thomaz Velho

O designer Thomaz Velho dá aulas de arte a jovens infratores

Por: Bruna Talarico - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Um curso de desenho no Parque Lage foi a porta de entrada de Thomaz Velho para o mundo das artes plásticas, aos 14 anos. Agora, duas décadas mais tarde, ele utiliza técnicas de pintura, escultura e outras manifestações artísticas para a recuperação de jovens infratores, internos do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), ligado ao governo do estado. O primeiro resultado desse trabalho, iniciado em outubro do ano passado, teve como vitrine as ruas da cidade, quando instalações criadas com móveis grafitados foram distribuídas por pontos nobres, como a Praça Sibélius e o Parque dos Patins, para divulgar a peça teatral Edukators, baseada em filme cult do austríaco Hans Weingartner. "Foi uma empreitada com cliente, prazo e metas, sem muito espaço para idealizações ou romantismo. Assim, eles aprenderam na prática como funciona o mercado que pode acolhê-los um dia", explica.

"Essa é uma causa pela qual vale a pena batalhar. É o que me motiva"

Cenógrafo, ilustrador e artista, Thomaz é filho dos atores Cissa Guimarães e Paulo César Pereio. Ele viveu em 2010 a perda do irmão mais novo, Rafael Mascarenhas, atropelado quando andava de skate. Foi o drama familiar que abriu seus olhos para a necessidade de empreender as mudanças que queria ver na sociedade. Além das aulas que têm servido de inspiração para um programa semelhante da Fundação Casa, do governo de São Paulo --, ele usa seu ateliê no Rio Comprido para outras iniciativas. É o caso do Brasil + Arte + Social Good, um ciclo de palestras sobre empregabilidade no setor de novas mídias, baseado numa bem-sucedida experiência internacional, a ser realizado em agosto. Com o objetivo de dar maior visibilidade ao evento e inspirar cidadãos comuns a praticar o bem, foram convidados os debatedores José Junior, do AfroReggae, e o artista Vik Muniz. "A humanidade é uma coisa só", afirma. "Quando você passa a olhar para o outro, compreende seu papel na dinâmica da cidade. Hoje, eu entendo que essa é uma causa pela qual vale a pena batalhar. É o que me motiva."

Fonte: VEJA RIO