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Carioca Nota 10: Nelma Darzi

A diretora artística Nelma Darzi mantém um projeto de formação em balé para jovens de áreas carentes

Por: Caio Barretto Briso - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Dona de uma academia de dança na Tijuca, a Petite Danse, Nelma Darzi costumava olhar com curiosidade para um grupo de crianças que brincavam na rua em frente ao seu negócio. Quase todas, de origem muito humilde, moravam nas favelas do entorno. Ao ver os pequenos por ali, em algazarra, ela imaginava uma forma de explorar seu potencial por meio do balé, uma de suas grandes paixões. "Eu ficava pensando o que aconteceria na vida daquelas crianças, que portas poderiam se abrir para elas", recorda. Corria o ano de 1999, e a escola já era bastante conhecida como centro formador de bailarinos profissionais. Foi quando ela decidiu levar a meninada para dentro, através de um programa de bolsas de estudos batizado de Dançar a Vida. O primeiro passo foi firmar uma parceria com um colégio público da redondeza, onde seria realizada a primeira seleção. A diretora sugeriu os alunos mais comportados e estudiosos. Nelma disse que, ao contrário, preferiria trabalhar justamente com os mais problemáticos. "No fim do ano, as 24 crianças tinham um comportamento muito diferente, estavam menos rebeldes e mais envolvidas com a família", diz ela.

"Quando via as crianças na rua, imaginava quanto o balé podia mudar sua vida, que portas poderiam se abrir para elas"

A primeira turma de bolsistas produziu, de imediato, uma revelação. Daniel Davidson, um menino pobre de Bangu, tornou-se tempos depois solista no San Francisco Ballet, uma respeitada companhia americana. Outra jovem, Mayara Magri (homônima da atriz), admitida no projeto aos 8 anos, em 2002, celebrizou-se como uma espécie de papa-tudo das competições internacionais de balé, voltadas para a descoberta de jovens talentos. Faturou, em sequência, prêmios na Argentina, na Suíça e nos Estados Unidos. O desempenho notável rendeu-lhe uma vaga no corpo de baile do Royal Ballet, de Londres. Sua irmã, Mayanie, também fruto do Dançar a Vida, seguiu os mesmos passos e atual-mente vive em Stuttgart, na Alemanha, onde atua em uma grande companhia. A mãe das meninas, antes empregada doméstica, animou-se com a guinada das filhas e decidiu retomar os estudos. Chegou ao ensino superior e está cursando administração. "Era com isso que eu sonhava", diz Nelma. "Com vidas que fossem transformadas pelo balé." Sonho realizado.

Fonte: VEJA RIO