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Carioca Nota 10: Flávia Muñoz Poppe

A economista Flávia Muñoz Poppe criou o Instituto JNG, que promove moradia independente para pessoas deficientes

Por: Bruna Talarico - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

O futuro dos filhos costuma ocupar lugar de destaque nos planos da maioria das famílias. Cercado de expectativas, o assunto torna-se ainda mais complexo quando envolve jovens com deficiências como as síndromes de Down, Williams e Asperger, que implicam problemas cognitivos, de sociabilidade, de aprendizado e motores. Mãe de Nicolas, um jovem de 21 anos portador de autismo, a economista Flávia Poppe transformou suas preocupações em uma motivação pioneira no país. Ela fundou e preside o Instituto JNG, batizado com as iniciais do rapaz e de João e Gabriela, dois outros jovens com necessidades especiais e filhos, respectivamente, da biblioteconomista Ana Maranhão e da administradora Monica Mota, suas parceiras na empreitada. "Hoje já existem condições, a partir do processo de educação dessas crianças e jovens, que permitem a eles alcançar uma vida bastante independente no futuro", resume Flávia.

"Muitas famílias com filhos deficientes ainda não acreditam que eles sejam capazes de morar sozinhos"

Lançada oficialmente há um mês como organização da sociedade civil de interesse público (Oscip), uma modalidade de ONG, a entidade vem sendo gestada nos últimos dois anos e já constituiu parcerias importantes com similares como o Centro Ann Sullivan, sediado no Peru, e a Ability Housing Association, da Inglaterra. Vem do país europeu, por exemplo, o modelo de apartamento individualizado para deficientes que Flávia pretende implementar por aqui atualmente, no Brasil, o que vigora é o regime de moradia assistida, que consiste na supervisão diária e personalizada do deficiente, o que limita seu desenvolvimento. "Já avançamos muito em relação à internação, mas muitas famílias não acreditam que seus filhos sejam capazes de morar sozinhos", afirma. Além de discutir e apresentar modelos de habitação de sucesso mundo afora, o Instituto JNG está por trás de um projeto de lei que amplia a autonomia dessa parcela da população, equivalente a quase 3 milhões de brasileiros. A ideia é acabar com a interdição para o recebimento de pensão em caso de morte dos pais. "A declaração de incapacidade impede a conquista de um emprego formal e extingue direitos como o voto. O que queremos é promover justamente a autonomia e o crescimento deles", diz Flávia.

Fonte: VEJA RIO