MEMÓRIA DA CIDADE

A saída do beco

Viela em Copacabana onde a bossa nova amadureceu e nomes como Elis Regina e Sergio Mendes despontaram volta a ganhar vida musical

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Fotos reprodução, Alexandre Goulart
(Foto: Redação Veja rio)

A Lapa é o melhor exemplo de lugar de forte apelo histórico e cultural que se revitalizou graças à ação de alguns empreendedores sensíveis à nostalgia. Essa reabilitação serve de alento ao Beco das Garrafas, viela em Copacabana que foi reduto da bossa nova e onde se exibiram, em início de carreira, Elis Regina, Nara Leão, Sergio Mendes e Jorge Ben Jor, quando ainda atendia por Jorge Ben, entre muitos outros talentos que se consolidariam no escrete da música brasileira. Por iniciativa da cantora Amanda Bravo e dois sócios, e após algumas tentativas frustradas de recuperação, a travessa da Rua Duvivier voltou a ser neste ano um espaço dedicado a shows. Eles reformaram e ampliaram o Bottle?s ? uma das três casas simbólicas da via, ao lado do Little Club e do Baccara ?, que passou a ter programação diária. Numa força-tarefa financeira que teve até vaquinha entre os mais chegados, o palco foi restaurado e ganhou um piano, doado por uma senhora de 90 anos.

No sábado passado (29), houve uma celebração dos tempos áureos com a apresentação do cantor e instrumentista Bebeto Castilho, ex-integrante do Tamba Trio, grupo que era atração frequente do lugar em seus primórdios, na década de 60. O próximo passo, ainda em estudo, é a reforma do Little Club, que permanece fechado. "A ideia é isto aqui virar um centro de referência da nossa música, um ponto de escala obrigatória num tour sobre a bossa nova", diz Amanda, que é filha de Durval Ferreira (1935-2007), violonista, compositor e produtor que batia ponto no beco. "Aquele lugar é mágico." Como se vê, o beco tem saída.

Fonte: VEJA RIO