COTIDIANO

Eles deixaram saudades

Com saudades do Quiosque do Português, na Praia do Leblon, listamos outras casas que encantaram os cariocas e encerraram suas atividades precocemente

Por: Ernesto Neves - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

No início deste mês de outubro, o Quiosque do Português, um dos mais populares de toda a orla do Rio, encerrou suas atividades. Aparentemente igual a todos os outros, o Quiosque do Português oferecia deliciosas caipifrutas, que podiam ser feitas com mais de 20 rótulos de vodca. Entre as opções estava o raro destilado canadense Crystal Red. Já o item mais pedido, a caipirinha de limão, tinha entre os admiradores o chef francês Troisgros e a atriz Luana Piovani. O sucesso levou ao tombamento da casa como patrimônio imaterial da cidade pelo prefeito Eduardo Paes.

Medida que, no entanto, não impediu uma queda de braço com a concessionária Orla Rio, responsável pela administração de todos os quiosques das praias cariocas. A discordância aconteceu após os donos do Português não concordarem com as taxas cobradas pela Orla Rio. Assim como o quiosque, outras casas também fecharam suas portas precocemente, deixando uma legião de fãs espalhada pela cidade. Relembre abaixo bares e restaurantes que hoje só existem na memória do carioca.

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(Foto: Redação Veja rio)

66 Bistrô. Restaurante do chef Claude Troisgros, encantava os apreciadores da boa mesa pelo trato francês dado a ingredientes tipicamente brasileiros, aliando alta gastronomia a cozinha familiar. Apesar da falta que fez ao ser extinto em abril deste ano, o restaurante deu lugar a outro concorrido espaço de Troisgros, o CT Trattorie. Dessa vez, o investimento é na culinária italiana, mas para quem sentir falta, é possível encontrar um prato da antiga casa, o o risoto ao queijo brie com lascas de presunto de Parma e rúcula.

Astrodome. Durante 40 anos, o restaurante instalado no 14º andar do edifício Aliança da Bahia, na Rua Araújo Porto Alegre, no Centro, conquistou clientes por sua gastronomia e vista deslumbrante do terraço envidraçado. De lá, clientes podiam saborear pratos como a carne e a língua de boi cozidas, acompanhadas por inhame, batata-doce, nabo, cenoura, regados por molho de raiz-forte. Fechado em novembro de 2010, deu lugar ao Terraço, estabelecimento que, para a alegria dos frequentadores, manteve pratos da antiga casa. Na lista das delícias preservadas no cardápio estão nasi goreng, um arroz de inspiração tailandesa, feito com camarão, gengibre e lombinho de porco.

Bar Monteiro. Inaugurado em 1912, tradicional bar da Rua da Quintanda, no Centro, deixou de existir em setembro de 2010. Executivos e frequentadores esporádicos gostavam de pedir a feijoada de sexta-feira, e era comum ver filas na porta neste dia. Também popular, o sanduíche de pernil com abacaxi chamava atenção por sua fartura. A decoração também era motivo de orgulho para os donos da casa, com balcão de mármore italiano e a porta estilo saloon.

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(Foto: Redação Veja rio)

Boteco Du Carvalho. Instalado em um casarão restaurado da Rua Visconde de Caravelas, em 2010, o bar durou apenas dois anos. Mas, seu ambiente agradável e a programação cultural, que incluía rodas de samba de terça a domingo e stand-up comedy na segunda, faziam com que a casa estivesse constantemente lotada. A batucada era regada à chope gelado, acompanhado por porções como a de polenta frita recheada com linguiça calabresa.

Chaika. Gerações de cariocas se deliciaram com doces, tortas, sanduíches, sorvetes e milk shakes vendidos ao longo de cinco décadas. Inaugurada em 1962, a primeira filial da rede, localizada na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, pegou fogo e foi totalmente destruída na madrugada do dia 21 de setembro de 2011. Com problemas financeiros após o acidente, o dono da lanchonete decidiu fechar a filial do shopping Rio Sul em junho deste ano, encerrando para sempre a venda de alguns dos quitutes mais desejados do Rio.

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(Foto: Redação Veja rio)

Espelunca Chic. Inaugurada no bairro da Gávea em 2006, a rede contava com tira-gostos elaborados, entre eles o bolinho de arroz com gorgonzola e os espetinhos de filé-mignon com cebola e pimentão. Os problemas da rede, que chegou a ter sete unidades, começaram em 2009. Naquele ano, a prefeitura multou a loja da Gávea em 1.8 milhão de reais. O motivo foi a ocupação irregular de parte da calçada da Rua Marquês de São Vicente. Em 2012, a última das casas, na Rua Bolívar, em Copacabana, foi vendida para outra rede de bares.

Garcia & Rodrigues. Referência no bairro do Leblon, o restaurante tinha como um dos pratos mais populares o cassoulet, cozido de feijão-branco e carnes variadas conhecido como feijoada francesa, servido aos sábados. Também eram saborosas opções como o pato confit e o cordeiro, e o cherne assado com pimenta-rosa salpicada sobre batatas regadas ao azeite extravirgerm perfumado. Encerrou as portas em outubro de 2011, para dar lugar a uma churrascaria Porcão.

Esquecemos de algum lugar? Conte abaixo que local importante deixou de existir

Fonte: VEJA RIO