Rock in Rio

Altos e baixos do segundo tempo

Segurança e atendimento melhoraram, mas som prejudicou o show do Coldplay no segundo final de semana de Rock in Rio

Por: Ernesto Neves - Atualizado em

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Festival recebeu 100 000 pessoas por dia em seus 150 000 metros quadrados (Foto: Redação Veja rio)

O Rock in Rio chegou ao fim no último domingo (2), após sete dias de muita música. Dá para dividir a festança em dois tempos: o primeiro final de semana foi marcado pelo elevado número de assaltos e muita confusão nas lanchonetes. Após a pausa de quatro dias, o festival reiniciou suas atividas na quinta (29), mais organizado e seguro. Para melhorar a imagem, que ficou arranhada, a organização contratou mais seguranças e melhorou os serviços nos quiosques. Listamos abaixo o pior e o melhor deste segundo tempo.

Deixou a desejar

O som. Os excelentes shows do Coldplay e do Maroon 5 foram prejudicados pelo som baixo. Na lateral esquerda do palco, era preciso esforço para ouvir o que Chris Martin cantava.

Desinformação. Apesar de ser garantido por lei, conseguir uma nota fiscal na Cidade do Rock é quase impossível. Visitamos dez quiosques e nenhum ofereceu o comprovante fiscal espontaneamente. Questionados, apenas quatro lojas forneceram o papel.

A Saída. Piorou nesse segundo tempo. O enorme volume de pessoas que deixa a Cidade do Rock, estimado em 100 000 pessoas por dia, precisava se espremer em passagens estreitas abertas na grade. No empurra empurra, muita gente teve seus objetos furtados.

A apresentação de Kesha. A americana pulou, gritou e até quebrou uma guitarra. Mas não convenceu o público. Durante seu show, na quinta (29), entrou nos assuntos mais comentados do Twitter, os trending topics. A maioria das mensagens questionava a presença da loira como atração do palco principal.

A sujeira. Motivo de reclamação desde o primeiro dia de festival, o lixo deixado nos gramados poluiu a Cidade do Rock. Depois dá má impressão, a organização reforçou com 200 lixeiras o espaço de 150 mil metros quadrados. A sujeirada, no entanto, prosseguiu. A grama sintética, que poderia ser aproveitada como área de lazer e descanso, parecia o lixão de Gramacho. Precisamos melhorar a educação.

Valeu à pena

O palco Sunset. Teve encontros memoráveis, que não deixaram a desejar ao palco principal. Passaram por lá nesse segundo tempo Mutantes e Tom Zé, Marcelo Camelo e The Growlers, Afrika Bambaataa e Paula Lima, Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes. Ou seja, grandes nomes das músicas brasileira e internacional.

Ivete Sangalo, Shakira, Coldplay e Stevie Wonder fizeram apresentações memoráveis. Saíram ovacionados pelo público, que lamentou o pouco tempo de show, de aproximadamente 1 hora. Com exceção de Stevie Wonder. O mestre da soul music americana teve merecidas duas horas e trinta minutos de show.

As praças de alimentação. Depois das filas quilométricas dos três primeiros dias, com esperas de duas horas, o panorama mudou. As lanchonetes convocaram mais funcionários e instalaram mais aparelhos. A aventura para comer acabou, e funcionários organizavam a fila pacientemente. Segundo o Bob's, 20% do efetivo contratado faltou aos primeiros dia, o que teria agravado a situação.

Os banheiros. Em vez dos tenebrosos banheiros químicos, o Rock in Rio instalou banheiros de verdade. Nos primeiros dias faltou organização e foi comum ver homens urinando nas paredes. Mas, a partir de quinta, seguranças alocados nas entradas garantiram a ordem.

Redes sociais. O Rock in Rio seguiu ocupando os tópicos mais falados do Twitter. Lá, o público que veio ao festival e quem o viu pelo TV xingou, elogiou e se divertiu comentando o que aconteceu. Segundo a organização, 11 milhões de pessoas entraram no site do RIR e 4 milhões de usuários acompanharam os sete dias de música pelas redes sociais. Um assunto, em especial, mobilizou: a rivalidade entre fãs de Claudia Leitte e Ivete Sangalo. Admiradores da morena criaram um tópico, "senta lá Claudia", para implicar com a ex-líder do Babado Novo.

Segurança. O primeiro final de semana do Rock in Rio traumatizou quem foi roubado. No total, foram registrados 417 furtos nos três primeiros dias. O número assustou e a organização tentou melhorar a imagem do festival, que ficou arranhada. A partir da última quinta, o efetivo foi reforçado e passou de 550 para 715 seguranças. E, do lado de fora, 300 policiais da PM ficaram de prontidão. Deu certo. Na sexta (30), a delegacia montada no estacionamento do Riocentro registrou apenas dez furtos.

A Rock Street. Quem se cansou da muvuca nos palcos pôde relaxar na pequena avenida construída para o festival. Dava para relaxar nas mesinhas e ouvir som de excelente qualidade, com músicos consagrados como Victor Biglione, Leo Gandelman e Arnaldo Brandão.

Os artistas de rua. Animaram quem passeava na Rock Street. Um deles se destacou: a estátua viva de Fred Mercury, roqueiro falecido que liderou a banda Queen. Feita pelo santista Denis Ribeiro, fez tanto sucesso que havia fila para fotografá-lo. A empolgação era tanta que Denis sofreu com a mão boba de alguns espectadores mais abusadinhos que passavam ao seu redor.

Fonte: VEJA RIO