COTIDIANO

Deserto e perigoso

Depois de um período de trégua, pedestres voltam a sofrer com a ação de ladrões na área em torno do Maracanã

Por: Thayz Guimarães

Felipe Fittipaldi
(Foto: Redação Veja rio)

Ao ter sua calçada recapeada e ganhar reforço na iluminação no bojo das reformas para a Copa, o Maracanã viu crescer o número de pessoas que se dirigiam ao estádio não para ver jogo, mas, sim, para caminhar, correr, pedalar ou andar de skate em seu entorno. Assim, tornou-se um concorrido quintal da cidade, frequentado principalmente pelos moradores das redondezas. Após o fim da competição, porém, quem passa por ali está tendo de encarar transtornos que pareciam superados. Ladrões voltaram a agir na re­gião, principalmente no trecho próximo à Uerj, pouco iluminado e que vai ficando deserto no decorrer da noite. "Acabou o sossego", queixa-se a estudante de jornalismo Daiana Rodrigues, que invariavelmente perde a última aula para não ter de atravessar sozinha a passarela do metrô. "Voltei a viver com medo", lamenta Rebheca Braga, que mora em frente à universidade e tem saudade do passado recente, em que existia um policial alocado em cada esquina. Ela se viu obrigada a retomar um hábito que havia abandonado: à noite, só volta para casa de táxi.

O roubo a pedestre tem sido um ponto vulnerável da política de segurança pública fluminense. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), esse tipo de crime no estado teve um aumento de 45% entre julho de 2013 e o mesmo mês deste ano. No que se refere à 18ª Delegacia Policial, que responde pela região do Maracanã, no mesmo intervalo houve um crescimento de 51 para 83 notificações desse delito. Muitas vezes cometidos por menores de idade a pé ou de bicicleta, os pequenos furtos se tornaram frequentes, proporcionando um clima de insegurança para quem passa pelo entorno do estádio. No início do mês, o estudante de física João Gomes usou as redes sociais para alertar os colegas de Uerj sobre um ladrão que sistematicamente abordava suas vítimas num ponto de ônibus da instituição. Num desabafo coletivo, recebeu diversos relatos semelhantes. "Mascararam o problema por um tempo, mas agora voltamos ao normal", protesta a microempresária Angelica Palacio, que, por precaução, prefere patinar sempre acompanhada em volta do complexo. Por sua vez, o comando do 4º Batalhão da Polícia Militar, responsável por pa­trulhar aquele trecho, informa que adotou no começo de agosto uma nova estratégia no local, com uma viatura baseada das 6 às 10 da noite perto da rampa do metrô, além de um carrinho elétrico de apoio e agentes dia e noite na cabine da Avenida Radial Oeste. É preciso não dar trégua ao adversário.

Fonte: VEJA RIO