Três Perguntas...

... para Andrea Veiga

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Lá se vão mais de duas décadas desde que a atriz vestiu pela última vez seu indefectível uniforme de paquita. Primeira assistente de palco de Xuxa Meneghel, ela abriu as portas para um exército de meninas que sonhavam em escoltar a Rainha dos Baixinhos ? e, por causa disso, tem sua imagem até hoje associada ao público infantil. Curiosamente, três anos antes de aparecer na televisão ao lado da apresentadora, Andrea Veiga já havia estreado no teatro em Platonov, um drama de Tchekov. Com o fim da vida de paquita, ela voltou a investir nos palcos, em peças adultas e infantis. Aos 42 anos, vive a espevitada princesa Aurora em O Gato de Botas ? O Musical, que reestreou no último dia 14, no Teatro Fashion Mall. Com ela, na nova temporada, está seu filho Luca, de 9 anos, em uma ponta discreta mas suficiente para deixar orgulhosa a mãe coruja.

Na adaptação do clássico, a princesa ganhou um espaço que não tinha no conto original, além de um caráter meio rebelde. Por que a mudança na história?

Acho que essa é minha última princesa nesta encarnação. Na próxima peça já venho de mãe da princesa. Queríamos que a Aurora fugisse do estereótipo das princesinhas mimadas. Hoje esse conceito adocicado não cabe mais nos padrões sociais das grandes cidades, as próprias crianças o rejeitam. Por isso uso um figurino bem característico de princesa, mas a rebeldia, presente tanto na construção da personagem quanto nos cabelos curtos e arrepiados, quebra essa primeira impressão

e aproxima mais a Aurora da realidade.

O rótulo de "ex-paquita" te aborrece?

Virou uma espécie de sobrenome. Até hoje, no teatro, muitos pais querem tirar fotos comigo. Eles tentam explicar aos seus filhos quem fui eu. É um barato à parte. As crianças supercuriosas com a princesa Aurora e os pais falando de outra coisa. Nos divertimos todos. O tempo de paquita foi bom. Fez parte de um passado que hoje tenho como lembrança de uma época especial na minha vida. Mas o mundo gira, a vida muda e se transforma. Estou interessada no presente e no futuro.

Como é dividir o palco com o seu filho, e justamente no primeiro espetáculo dele?

O Luca está com a idade que eu tinha quando fiz a minha primeira peça. Relutei em deixar que ele fizesse parte desse meu mundo, mas acho que está na veia. Ele adora a peça. Já viu sete vezes, sabe falas inteiras e músicas, e me pediu para fazer. Conversei com o diretor e o produtor e eles acharam ótimo. Ele tem uma participação pequena, como um dos guardas do castelo. É muito responsável e interessado.

Fonte: VEJA RIO