BEBIDA

Dança dos copos

Para os apreciadores de cervejas especiais, utilizar o recipiente correto é fundamental na hora de beber

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

A cena se tornou rotineira em alguns bares cariocas. A cada novo rótulo de cerveja que chega à mesa, o garçom troca o copo por outro, completamente diferente do anterior. Os formatos são os mais variados possíveis: arredondados, cilíndricos, cônicos, altos, baixos, com a boca mais larga ou mais fechada. Para quem está ingressando nesse universo, tanto salamaleque pode parecer frescura. Porém, aqueles que conhecem o assunto há mais tempo garantem: beber no recipiente correto faz, sim, toda a diferença. "A escolha certa valoriza o produto, não só porque fica mais bonito, mas por potencializar suas qualidades, o que é mais importante", diz Hélio Vieira Junior, sócio do Delirium Café, em Ipanema.

Com um modelo de copo para cada marca de cerveja, a variedade de recipientes é gigantesca. Mas a lista pode ser reduzida a onze principais: pilsner, cálice, tulipa, snifter, weizen, caneca, stange, flûte, tumbler, pint e caldeireta. Todos têm sua especificidade (veja o quadro abaixo). Aqueles com o bocal mais estreito, por exemplo, conservam o aroma do líquido por mais tempo, enquanto os altos e com diâmetro menor na base propiciam a formação de espuma mais densa. Segundo Xavier Depuydt, dono da loja Belgian Beer Paradise, em Ipanema, mesmo as fábricas mais antigas, como a belga Het Anker, de 1471, sempre se esmeraram na produção de suas próprias taças. "Nos primórdios, inclusive, elas eram feitas de madeira e cerâmica, porque o vidro não era um material tão popular", acrescenta.

Trazendo a marca do rótulo estampada, os copos viraram objeto de desejo dos cervejeiros mais fanáticos. Não é para menos. Muitos exemplares têm belíssimos desenhos, dignos de ser expostos na sala, entre quadros, objetos de arte e peças assinadas por designers. O professor de judô Sergio Simon, por exemplo, guarda mais de 130 deles em um armário envidraçado. "O móvel fica posicionado estrategicamente em minha casa para que seja a primeira coisa que as pessoas vejam quando entrarem", conta o colecionador, que costuma garimpar as peças no exterior ou em bares e lojas especializados do Rio. Sua maior preciosidade é uma taça da cerveja Westvleteren, comprada diretamente na fábrica, fundada em 1838, em um mosteiro trapista da Bélgica. O xodó com o objeto é tamanho que só ele mesmo o usa, lavando-o em seguida.

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Fonte: VEJA RIO