ESPECIAL

446 Motivos para amar esta cidade

Na próxima terça, 1º de março, comemora-se o aniversário do Rio. Nossa homenagem à data se traduz em uma lista com as razões que fazem desta metrópole um lugar único no planeta. Foi difícil porque, como escolhemos apenas um item para cada ano de idade, muitas coisas boas ficaram de fora. Ao longo da reportagem, acrescentamos também dez problemas que precisam de solução urgente. Afinal, quem ama deseja sempre o melhor

por Lula Branco Martins e Letícia Pimenta | 02/03/2011 15:06

Sétima maravilha

O Cristo Redentor tornou-se o símbolo maior da cidade

1 A sétima maravilha
Inaugurado em 1931, o Cristo Redentor tornou-se o símbolo maior da cidade e uma das imagens mais conhecidas da capital. Fica a mais de 700 metros do nível do mar, tem 30 metros de altura e é revestido de pedra-sabão. Do alto do Corcovado, de onde se descortina uma vista deslumbrante, ele abençoa cariocas e visitantes.


2 Medalha de ouro
Nossa metrópole será a primeira do continente a receber uma Olimpíada. A candidatura carioca teve êxito ao apostar nas belezas naturais daqui e no legado dos Jogos. Até 2016, o Rio terá investimentos na faixa de 20 bilhões de reais, que podem propiciar uma metamorfose urbana.


3
A principal passarela
Palco da maior festa carioca desde 1984, o Sambódromo ficou pequeno demais para o espetáculo. Depois do Carnaval, ele passará por uma reforma com o objetivo de ampliar sua capacidade de 60 000 para quase 80 000 pessoas. Na Rio 2016, lá acontecerão a prova de arco e flecha e a chegada da maratona.


4 Copacabana, a praia
O mundo inteiro canta a garota de Ipanema, mas é Copacabana o destino mais desejado por quem visita o país. Sua democrática areia e points noturnos ainda fascinam os turistas.

 

5 Copacabana, o forte
Construída no século XVIII para proteger a cidade de invasores, a fortaleza do Posto 6 adquiriu nova função, que nada tem a ver com a militar. Ela abriga uma filial da Confeitaria Colombo e virou uma ótima opção de passeio à beira-mar.


6 Um senhor quintal
Espalhado do Aeroporto Santos Dumont à Praia de Botafogo, o Parque do Flamengo tem projeto paisagístico de Burle Marx. Aberto em 1965, o aterro abriga o Monumento dos Pracinhas, quadras esportivas e já teve uma réplica da Torre Eiffel, em 1989. Foi sede também da ECO 92, a Conferência Mundial do Meio Ambiente.

 

7 O templo sagrado
Cenário de partidas inesquecíveis, o Maracanã é o grande santuário do carioca e um dos estádios mais famosos do mundo. Ali, os torcedores dos quatro grandes clubes experimentam sentimentos como alegria, tristeza, êxtase e decepção. Fechado para reformas, deve reabrir no fim de 2012.


8
O som da gente
Samba deriva de uma palavra africana, semba, cujo significado é "estar animado, estar excitado", ou "pular, saltar com alegria". Numa cidade musical por excelência, o gênero virou sua trilha sonora, com autores do naipe de Noel Rosa, Cartola, Braguinha, Nelson Cavaquinho...


9 Berços de bambas
Aqui estão as duas escolas de samba com o passado mais valioso entre todas do país. Portela e Mangueira, as maiores vencedoras do Carnaval, são prodigiosas em histórias e personalidades. De um lado, Monarco, Manacéa e Paulinho da Viola. Do outro, Cartola, Nelson Sargento e Carlos Cachaça.

10 O ritmo de Jorge
Mestre do samba-rock, Jorge Ben Jor vem influenciando há décadas uma legião de artistas, de Bebeto a Seu Jorge. Nascido no subúrbio, o cantor e compositor que enalteceu as delícias do "patropi" continua a angariar fãs de variadas gerações e a contagiar as plateias em shows de quase três horas de puro suingue.


11
Minha alma canta
Composto por Tom Jobim em 1962, Samba do Avião é o nosso hino afetivo. Quem nunca cantarolou durante um voo os versos "Cristo Redentor/ braços abertos sobre a Guanabara/ este samba é só porque/ Rio, eu gosto de você"? São quase cinco décadas da mais sublime beleza.

 

12 Quarteto fantástco
Que outra cidade do mundo tem quatro clubes grandes, com milhões de torcedores espalhados por todo o país? Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco disputam a primeira divisão do Campeonato Brasileiro. Juntos, somam quinze títulos nacionais. Dois deles foram conquistados nos últimos anos.

 

13 Folia a céu aberto
A tradição vem dos tempos dos ranchos, cordões e grandes sociedades. Da década de 80 para cá, no entanto, o Carnaval de rua ganhou incrível revitalização. Só neste ano, mais de 200 blocos tiveram autorização da prefeitura para desfilar e a expectativa é que atraiam 3 milhões de pessoas. Uma festa popular e gratuita.

14
Chope gelado
O visitante estrangeiro que se conforme, pois aqui não existe cerveja em temperatura ambiente. No Rio, quanto mais baixa a temperatura, melhor tende a ser o chope. A bebida dá bem o tom gregário do carioca, que não marca um bate-papo, mas, sim, um "chopinho".


15 A moda praia
O Rio produz uma moda simples, alegre, fácil de usar, descontraída, cosmopolita e de cores vivas. Entre seus representantes mais famosos, três merecem destaque: a Osklen, que vende o estilo cool do Rio no exterior; a estilista Lenny Niemeyer, com seus biquínis sofisticados; e a grife Farm, com estampas exuberantes.


16 O palco mais nobre
O Theatro Municipal já acolheu espetáculos memoráveis, entre eles os do irascível maestro Arturo Toscanini, da soprano Maria Callas e do bailarino Rudolf Nureiev. No ano passado, após uma reforma de 70 milhões de reais, a casa centenária reabriu com todo o seu esplendor. Só no telhado e na fachada, foram aplicadas 80 000 folhas de ouro.

 

17 Doce balanço
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, são elas, meninas, que vêm e que passam por Ipanema, Copacabana, Tijuca, Vaz Lobo, Barra, Madureira... Admirada pelo mundo todo, a beleza da carioca já inspirou diversas canções, da Moreninha da Praia (Braguinha) à Garota de Ipanema (Tom e Vinicius) e Anna Júlia (Los Hermanos).


18 Todos de branco
Até o fim da década de 70, a festa era de cunho religioso. Aos poucos, os hotéis da orla começaram a aderir discretamente, promovendo pequenas queimas de fogos. No início dos anos 90, o réveillon carioca tornou-se um dos eventos mais concorridos do mundo. Recebe em média 2 milhões de pessoas a cada edição. Na última, foram usadas 20 toneladas de fogos de artifício, que iluminaram a praia durante dezesseis minutos.


19 O jardim do Império
Ele começou a brotar por iniciativa do príncipe-regente dom João, em 1808. Com a declaração da Independência, o Jardim Botânico foi aberto ao público, que passou a frequentá-lo em larga escala. O visitante pode passear por sua ampla e bem cuidada área verde, enquanto a criançada se diverte no parquinho.


20 Cidade Maravilhosa
Para muita gente, essa marchinha traz más lembranças, uma vez que ela é usada para encerrar os bailes carnavalescos. Na verdade, ela foi composta por André Filho em 1934 e adotada como o hino oficial da cidade. A alcunha, no entanto, foi criada na década de 20 pelo escritor maranhense Coelho Neto, que hoje batiza um bairro e uma rua.


21 A fábrica do Carnaval
Se Hollywood oferece visitas aos seus estúdios de cinema, o Rio também mostra como é produzido seu maior espetáculo. Inaugurada em 2005 e aberta ao público, a Cidade do Samba tem catorze galpões, onde as escolas confeccionam alegorias e fantasias. Abalado por um incêndio no começo do mês, o complexo retomou as atividades no dia seguinte.


22 Cafona, mas imperdível
Pode chamar de brega ou kitsch, pois isso é irrelevante. Os pratos de porcelana com a imagem do Pão de Açúcar podem ser adquiridos durante o passeio de bondinho. Comprar o suvenir tornou-se uma divertida tradição, que não faz vergonha a ninguém. Ou por acaso alguém acha chique aquela miniatura de Torre Eiffel?


23 Entre o mar e a montanha
De um lado, o costão do Morro da Urca. Do outro, o mar até perder de vista. Esses são os limites da pista Cláudio Coutinho, perfeita para uma caminhada ou corrida ao longo de seu pouco mais de 1 quilômetro de extensão. Além de ser uma área militar, com toda a segurança, ali é proibida a presença de ciclistas, skatistas e animais.


24 Da água à cerveja
Erguido em 1723 para abastecer o centro da cidade, o Aqueduto Carioca é o nome de batismo dos Arcos da Lapa. Desativado desde o fim do século XIX, ele virou um cartão-postal do Rio. Por cima de sua estrutura passa o bondinho de Santa Teresa; por baixo, uma multidão de pessoas ávidas por bebericar e se divertir à noite.


25 Tesouro escondido
Trata-se de um minúsculo recanto congelado na história, a poucos metros da Rua Cosme Velho. Habitado em priscas eras por barões e com apenas oito casas, construídas no fim do século XVIII, o Largo do Boticário revela-se uma preciosidade arquitetônica. A quem interessar, há uma mansão à venda no local, ao preço de 2,5 milhões de reais.


26 O recanto do imperador
Endereço escolhido por dom João VI, a Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, ficava em um dos pontos mais valorizados do Rio. Atualmente, abriga um parque, o Jardim Zoológico e o Museu Nacional. O lago com pedalinhos é um atrativo concorrido do lugar, que fica lotado nos fins de semana.


27 O céu na cúpula do palácio
Construído na década de 20 para ser sede da Câmara dos Deputados, o Palácio Tiradentes é, desde 1975, sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Entre outros detalhes ornamentais, exibe um vitral na cúpula que retrata a posição das estrelas na noite de 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República.


28
Batuque em cenário colonial
Um dos caminhos para a Praça XV, o Arco do Teles sempre foi muito movimentado. Ele é remanescente de uma construção setecentista e dá acesso a um conjunto de vielas coloniais. Nos fins de semana, grupos de samba e choro animam os restaurantes e botecos da área.


29 Um francês legítimo
Antes de virar centro cultural, em 1990, a Casa França-Brasil foi Praça do Comércio, funcionou durante 120 anos como Alfândega e, na segunda metade do século XX, sediou o Segundo Tribunal do Júri. Projetado pelo francês Grandjean de Montigny e aberto em 1820, o imóvel é uma atração em si, a despeito das mostras em cartaz.


30 Oásis de paz
Maior parque do Centro da cidade, o Campo de Santana é um refúgio de sossego em meio ao frenesi da região. Entre laguinhos, pontes, jequitibás, patos e gatos, o visitante se desliga da agitação lá fora. O local não tem mais a igreja da qual extraiu o nome, demolida no século XIX.


31 Um tiro que mudou o país
Endereço presidencial até a transferência da capital para Brasília, em 1960, o Palácio do Catete transmutou de epicentro político para centro cultural. Um de seus atrativos é o quarto onde o presidente Getúlio Vargas se suicidou, em 1954. Outro é o aprazível jardim em torno do imóvel.

32 O último baile
Construído para ser um posto alfandegário, o castelo da Ilha Fiscal entrou para a história por ali ter sido realizado o derradeiro e suntuoso baile da nobreza, dias antes da Proclamação da República. Administrado pela Marinha, ele está aberto a visitas.


33
Livre das picaretas
Uma das colinas do Centro que escapou do bota-abaixo, o Morro da Conceição mantém seu casario de fachadas mais que centenárias, ruelas sinuosas e escadarias. Destacam-se nesse belo roteiro o Palácio Episcopal e a Fortaleza da Conceição.


34
A ciência em carne e osso
Desde os tempos de dom Pedro II, o Museu Nacional reúne um acervo sedutor, com animais empalhados, ossadas e achados arqueológicos. Entre os destaques, o maior meteorito que já caiu no Brasil, cabeças mumificadas, fósseis de dinossauros e o esqueleto mais antigo das Américas, datado de aproximadamente 11 000 anos atrás.


35 Uma joia da coroa
Primeira residência da corte portuguesa por aqui, o Paço Imperial depois virou sede do governo e cenário de fatos marcantes do passado. Lá foram aclamados dom Pedro I e seu herdeiro, e assinada a Lei Áurea. A exemplo de outros prédios históricos, ele virou um centro cultural, com sala de exposição, biblioteca, restaurante e lojas. Essa relíquia pode ser alugada para festas.


36 A beleza da lagoa
A ciclovia, os parques e quiosques fazem da Lagoa Rodrigo de Freitas um dos locais preferidos dos cariocas. Símbolo do descaso ambiental do passado, ela passa por um processo de despoluição, e todos torcemos para que esteja limpa até o Mundial de 2014. Visto do alto, seu contorno tem o formato de um coração.


37 A arte de bem receber
Símbolo da cidade-balneário, que só no século passado descobriu as delícias da beira-mar, o Copacabana Palace acolheu — e ainda acolhe — políticos, empresários e estrelas internacionais do showbiz. Tem mimos exclusivos, co-mo a área interna perfuma-
da com uma essência de capim-limão.

38 Desembarque fascinante
Pousar no Santos Dumont é uma viagem ímpar, pois na manobra de aproximação da aeronave o passageiro pode admirar o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara e a Ponte Rio-Niterói. Projetado em 1938, o terminal tem um saguão onde chamam a atenção painéis de 75 metros quadrados retratando Ícaro e seu sonho de voar.


39 Uma sigla que é unanimidade
Principal bandeira do governo estadual, as Unidades de Polícia Pacificadora, ou UPPs, libertaram quase 500 000 pessoas do domínio dos traficantes. Iniciado em 2008, no Morro Dona Marta, o pro-grama está presente em dezessete favelas, e até 2014 deve ser estendido a outras 100 localidades.
Renata Mello/TYBA

40 Visão do paraíso
Silhueta emblemática do Rio, a Pedra da Gávea guarda um mirante que é puro deslumbre. De seu topo é possível observar grande parte do Parque Nacional da Floresta da Tijuca, o Corcovado, a Pedra Bonita e as praias de Ipanema e Leblon.


41 A educação nos trilhos
Se o carioca é bem tratado, ele costuma ser recíproco. Prova dessa máxima é seu comportamento no metrô. Lá, salvo em situações episódicas, a civilidade dita o padrão. Os passageiros evitam jogar lixo no chão, não danificam os veículos nem emporcalham as paredes com desenhos ou mensagens.

42 Pés, e olhar, no chão
O calçadão de Copacabana buscou inspiração no mar. Há quem ache que em Vila Isabel as pedras portuguesas são mais originais. Berço de músicos do calibre de Noel Rosa e Braguinha, o bairro tem desenhadas no piso partituras da MPB. Só ali é possível caminhar sobre canções como Carinhoso, Pelo Telefone e Aquarela do Brasil.


43
A "Nasa" do município
Com suas oitenta telas e 100 monitores de computador, o Centro de Operações inaugurado pela prefeitura no fim do ano passado lembra os salões da agência espacial americana. A cidade inteira é monitorada dali — tráfego, clima, coleta de lixo. Em Nova York, Singapura, Tóquio e Madri há iniciativas semelhantes. E só.


44 A final da Copa será aqui
A reforma do Maracanã envolve prazos e cifras polêmicas. Entretanto, uma coisa é certa: o Rio de Janeiro sediará a partida final da Copa do Mundo de 2014.


45 O irmão menor
O Maracanãzinho já viu de tudo em sua arena: apupo à dupla Chico Buarque e Tom Jobim em um festival de música, o revolucionário saque "jornada nas estrelas", criado pelo jogador de vôlei Bernard, e shows como os do Jackson Five, James Brown e Police. Ele faz parte do complexo esportivo desde 1954.


46 O show da torcida
Logística apurada, muita gente trabalhando antes do jogo e, em poucos segundos, acontece a mágica: frases e desenhos são formados nas arquibancadas em apoio ao time. Os mosaicos viraram um espetáculo à parte nos estádios e nos fazem recordar a lágrima da mascote Misha na Olimpíada de Moscou. Por aqui, Fla e Flu foram os pioneiros nessa arte.


47 Ilha da paz
Na pequenina Paquetá não passa carro. Tranquilo, sem casos de violência, o bairro foi tirado do esquecimento graças à notícia de que a casa que pertenceu a José Bonifácio está à venda por 1,8 milhão de reais.


48 Sombra e água fresca
Com uma área de 520 000 metros quadrados, o agradável Parque Lage é formado por um belo casarão de 1832 e pelo jardim que o circunda. Ali ficam a Escola de Artes Visuais e as delícias do Café du Lage, ao pé do Corcovado.


49 Noites Cariocas
O projeto, concebido por Nelson Motta nos anos 80, nasceu na Urca e acabou no Porto. Capitaneado por Luiz Calainho e Alexandre Accioly, tem, além de shows, exibição de filmes, peças, espetáculos circenses e oficinas de arte.


50 Museu de Arte Moderna
Obra-prima modernista, o prédio do MAM foi projetado em 1954 pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy. O acervo atual tem 11 000 obras, 4 000 delas pertencentes à Coleção Gilberto Chateaubriand, considerada o mais completo conjunto de arte moderna e contemporânea brasileira.


51 Joia arquitetônica
Instalado em um histórico prédio de linhas neoclássicas, o Centro Cultural Banco do Brasil é o maior centro de fomento e difusão de cultura da cidade, com exposições memoráveis — e gratuitas.


52 Uma casa se cinema
A antiga residência do embaixador e banqueiro Walther Moreira Salles, na Gávea, foi transformada em belíssimo centro cultural, o Instituto Moreira Salles, com exposições e filmes. Imperdível.


53 Refúgio para poucos
Mantido com zelo por monges beneditinos há 153 anos, o Colégio São Bento, considerado um dos melhores do país, é tricampeão no Enem (2005, 2007 e 2008). Mulheres não entram.


54 À sombra dos pilotis
Com sua peculiar arquitetura e 110 000 metros quadrados de bosques, a PUC carioca é universidade de sonho dos jovens do Rio, em que cursos de ponta convivem com badalação e gente bonita.


55 Marca "regixxtrada"
Com a pronúncia "arrrrrrastada" do R e o chiado característico, o sotaque do carioca é fácil de reconhecer. Essa nossa particularidade é uma herança dos portugueses e, graças às novelas, tornou-se conhecida e imitada em todo o país.

56 Conversa de botequim
Nosso papo de bar tem propriedades terapêuticas. Depois de alguns chopes em torno de uma mesa, ninguém precisa de analista.


57 Educação de primeira
Mantido com zelo por monges beneditinos há 153 anos, o Colégio São Bento, considerado um dos melhores do país, é tricampeão no Enem (2005, 2007 e 2008). Mulheres não entram.
Divulgação

58 Proteção dupla
O padroeiro da cidade é São Sebastião, mas o carioca é devoto mesmo de outro santo guerreiro, São Jorge, que na umbanda é equiparado a Ogum.


59 Enseada de botafogo
Tem 700 metros de extensão e, na verdade, é mais bonita vista à distância, pois a praia em si não é boa para banhos. Com seus barquinhos e o Pão de Açúcar ao fundo, é um dos cartões-postais da cidade.


60 Central do Brasil
A estação onde circulam 600 000 pessoas por dia ganhou projeção internacional como cenário do filme homônimo, de Walter Salles, indicado ao Oscar em 1999.


61
Pôr do sol no Arpoador
É um evento turístico diário e com hora marcada. O mais bonito pôr do sol do Rio lota as pedras daquela pontinha de praia. Os aplausos estão incluídos no espetáculo.


62 Baixo Leblon
Reduto boêmio da Zona Sul, ficou famoso nos anos 80. Recentemente, os tradicionalíssimos Jobi, Pizzaria Guanabara e Bar Diagonal ganharam a companhia de novatos como o Focaccia e o Andy’s.


63 O boteco pós-praia
No Bracarense, o chope bem tirado e os clássicos salgados (como bolinhos de bacalhau e de aipim com camarão e catupiry) continuam imbatíveis, mesmo após a saída do garçom Chico Gomes e da cozinheira Alaíde Carneiro, que abriram o excelente Chico e Alaíde.


64 O mago do Carnaval
Desde 2004, Paulo Barros tem abalado as estruturas do desfile. No ano passado, com inovações surpreendentes, ganhou seu primeiro título. Agora todos aguardam as surpresas de 2011.


65 Obediência à Lei Seca
Estima-se que nos últimos três anos cerca de 5 000 vidas tenham sido salvas em decorrência da dura fiscalização que coíbe o consumo de álcool pelos motoristas.


66 Rock in Rio
Taí boa prova da força da marca "Rio". A franquia rendeu, além de duas versões locais, filhotes em Lisboa e Madri. Neste ano, a festa será de novo por aqui.


67
Dois beijinhos
Por que é tão difícil para os paulistas lembrar que nós damos dois beijinhos para nos cumprimentar e nos despedir?


68 A gente se fala
Tão carioca quanto o tradicional "aparece lá em casa" sem que endereços sejam fornecidos é a despedida "a gente se fala". Pelo menos, a segunda tem chances reais de acontecer.


69 A nossa Hollywood
São 4 milhões de metros quadrados, com cidades cenográficas e estúdios onde são gravados programas e novelas da Globo. O Projac é uma fábrica de sonhos.


70 Stand-up à carioca
Moda dos últimos dez anos, revelou talentos do humor como Fábio Porchat, Cláudio Torres Gonzaga e Fernando Caruso. É o pessoal que só precisa de um palco e um microfone para fazer a plateia morrer de rir.


71 A nova face do humor
Retraído e introvertido na adolescência, Marcelo Adnet é especialista em criar músicas e piadas de improviso a partir de um tema sugerido pela plateia. O resultado é sempre hilariante.


72 Sopa Leão Veloso do Rio Minho
Trata-se de uma adaptação da bouillabaisse, sopa de peixes, de Marselha, feita a pedido do diplomata Pedro Leão Veloso, ministro das relações exteriores no governo Vargas.


73
Empada de Camarão do Mosteiro
Os salgados do tradicional restaurante são feitos sob rigorosa supervisão do proprietário, José Temporão, pai do ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão.

74
Sanduíche do Cervantes
Cultuada há mais de 50 anos, a combinação de filé-mignon com patê e abacaxi é uma instituição carioca. O segredo é o pão de leite, saído de uma receita caseira.


75 O cabrito do Nova Capela
Procure o nome deste item no Google. Aparecerão 124 menções — a maioria elogiosa. Servido com muito alho e arroz de brócolis, o pernil de cabrito (para alguns, cordeiro) custa 82 reais.
Fernando Lemos

76 Totivendo do Chico e Alaíde
Uma espécie de escondidinho de camarão e abóbora ao contrário, o salgado servido em tigelinhas de louça é o carro-chefe do bar no Leblon.


77 Palmito do Otto
Não se trata apenas de uma iguaria, mas de um ritual. O garçom traz o palmito assado na casca e, com uma faca, destrincha o cilindro. O resultado é uma espécie de escultura em cada prato.


78 Bolinho de Bacalhau do Adonis
Em uma esquina feiosa de Benfica nasceu a receita que melhor traduz o petisco-símbolo da cidade, feito com o legítimo Gadus morhua, o bacalhau do porto.


79 Pastel do Adão
O bar, nascido no Grajaú e crescido na Tijuca, em Copa, na Lapa e no Leblon, oferece pastéis de 55 sabores. Apenas na matriz são vendidas 800 unidades por noite.


80 Pataniscas do Pavão Azul
Estrelas do apetitoso menu do boteco, as pataniscas de bacalhau (lascas do peixe empanadas em farinha e fritas) são consideradas as melhores da cidade.

81 Feijoada do Antiquarius
Oferecida apenas aos sábados, leva quatro dias para ser preparada. As carnes são servidas separadamente, inclusive partes menos requisitadas, como pé, orelha e rabo de porco.

82 Bolinho de Feijoada do Aconchego Carioca
Recriação do prato clássico feita pela cozinheira Kátia Barbosa, é crocante por fora e suculento por dentro. De tão bom, atrai uma leva de gourmets à Praça da Bandeira.


83 Circo voador
Nascida sob uma lona na Praia do Arpoador, nos anos 80, hoje é uma das mais importantes casas de show da cidade — agora sob os Arcos da Lapa.


84 Fundição Progresso
Crucial na revitalização da Lapa, é um centro de formação de artistas de diversas áreas. Recentemente, passou a promover um interessante concurso de marchas carnavalescas.


85 Bichos e história
O zoo carioca tem 65 anos e uma singular combinação de história e animais. Seu imponente portão de arcos e colunas, por exemplo, foi um nobre presente de casamento a dom Pedro I e à imperatriz Leopoldina.


86 O samba é um detalhe
A cervejaria Brahma criou o conceito de camarotes para celebridades no Sambódromo em 1991. Verdadeiros oásis de mordomias, hoje há dezenas espalhados pela avenida, inclusive o de VEJA RIO.


87
Cinelândia
Antiga concentração de cinemas, tornou-se reduto de manifestações políticas que quase sempre acabam em meio aos chopes do Amarelinho.


88 Agitos nos armazéns
Depois de cuidadosa reforma, os armazéns do Píer Mauá se tornaram concorridos espaços de eventos como Fashion Rio, a festa do especial Comer & Beber, de VEJA RIO, e o projeto Sesc Rio Noites Cariocas.


89 Aulas no trânsito
No Rio, motorista de táxi nunca é apenas motorista. Tem intimidade para falar de tudo ou autoridade para dar aulas de economia e relações internacionais. Ao passageiro, convém concordar.


90 O gari dançarino
Renato Lourenço ficou famoso em 1997, ao cruzar a Marquês de Sapucaí dançando enquanto limpava a pista. Hoje, Renato Sorriso é uma celebridade que varre as ruas da Tijuca.

91 Escadaria psicodélica
O chileno Jorge Selarón criou os mosaicos da escadaria que ganhou seu nome em Santa Teresa. São 215 degraus e 125 metros de extensão, com 2 000 azulejos, inteiros ou em cacos.
Fernando Lemos

92 Deborah Colker
A coreógrafa ganhou fama ao pendurar dançarinos em uma parede de alpinismo e criar espetáculos para o Cirque du Soleil. Puro orgulho local em metro e meio de criatividade e inquietude.
Marco Antônio Teixeira

93 O super-laboratório
Do Centro de Pesquisas da Petrobras saem os estudos que permitem à empresa explorar petróleo em águas profundas. Fundado há 47 anos, tem 137 laboratórios e emprega 800 pesquisadores.


94 Notícias dos céus
Eficientíssima, a turma do "jornalismo de helicóptero" ajuda nos engarrafamentos, dá dicas sobre o clima e a condição das praias. Gente sortuda essa, que todo dia vê aquela paisagem aos seus pés.


95 Pedalinhos da lagoa
Pedalar nas aves gigantes de fibra de vidro, tendo como cenário uma das mais belas paisagens do Rio, é um clássico da cidade que encanta adultos e crianças há cinquenta anos.


96 Olha o jacaré
Com 40 hectares, no Recreio, o Parque Chico Mendes reúne espécies de fauna e flora raras e ameaçadas de extinção. Uma delas é o jacaré-de-papo-amarelo.


97 Pegar jacaré

Poucas sensações são tão libertadoras quanto descer uma onda, sem prancha, na Praia do Leme.


98 As musas do vôlei de praia
Elas arrancam suspiros do público masculino. Entre as beldades, destacam-se Ana Paula, Leila, Maria Clara e Carolina. As duas últimas são filhas de Isabel, musa do vôlei nos anos 80.


99 Letras na madrugada
A Banca Piauí, no Leblon, foi uma das primeiras a ficar abertas até altas horas. Alegria dos leitores notívagos, herdou o nome da farmácia que funcionava em frente.


100 Farra literária
Criada em 1983, a Bienal do Livro sedia encontros com autores brasileiros e estrangeiros recordistas de vendas, sessões literárias, debates e bate-papos informais. Em 2010, 300 editoras participaram da festa.


101 Marcha, soldado
O Colégio Militar, inaugurado no século XIX, se mantém como uma das mais importantes instituições de ensino do país. É tão grande que tem o Morro da Babilônia inteiro dentro de seus limites.


102 Riqueza à beira-mar
A Avenida Vieira Souto, a mais cara, mais bonita e mais charmosa do país, se estende por doze quarteirões distribuídos ao longo de 2,2 quilômetros. São 800 cobiçados endereços, onde o metro quadrado chega a 20 000 reais.


103 Ricardo Amaral
O rei da noite carioca voltou com tudo. Lançou uma biografia que virou best-seller e agora ressuscitará os bailes de Carnaval no Cais do Porto.


104 Lulu Santos
Com 7 milhões de discos vendidos, nasceu no Rio Comprido e hoje vive na Lagoa. Como diz em uma de suas canções, uniu a Zona Norte à Zona Sul — e tornou-se um ídolo carioca.


105 Herbert Vianna
O líder dos Paralamas foi criado em Brasília, mas é carioca de espírito. No início, usava óculos e era ignorado pelas meninas do Leblon. Hoje é amado pela cidade inteira.


106 Capitão Nascimento
Wagner Moura pode ser baiano, mas o personagem é carioca da gema. O protagonista de Tropa de Elite 1 e 2 até foi promovido no segundo filme, mas para o público sempre será "o capitão".


107 O charme do lacinho
A moda vai e vem, mas o biquíni de amarrar segue impávido como um dos clássicos cariocas. Não há marmanjo que nunca tenha fantasiado o que aconteceria no caso de um puxãozinho.


108 Castelos no calçadão
Atração nas praias da Zona Sul, as esculturas de areia fazem a festa dos turistas. Nos fins de semana de maior movimento, os artistas faturam até 200 reais em gorjetas.


109 Delícia crocante
No mercado há quase 60 anos, o Biscoito Globo é um símbolo das praias cariocas. A cada mês são vendidos 2 700 saquinhos da iguaria produzida em uma fábrica no Centro.
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110 Ideia geneal
O ícone carioca dos cachorros-quentes nasceu meio torto, com um erro crasso de português no nome — era para ser Genial e ficou Geneal mesmo. Mesmo assim é um sucesso.


111 Areia iluminada
Quatro mil e quinhentos pontos de luz distribuídos por dezesseis bairros garantem uma das grandes curtições do verão carioca: ir à praia à noite. Um programaço para enfrentar o calor.

112 Andar com os dedos de fora
Os chinelos calçam os cariocas em todas as estações do ano e em praticamente todos os lugares. Na praia, são unanimidade — em diferentes variações de cores e estado de conservação.

113 Agora liberado
O mate gelado vendido em tonéis sempre foi um dos símbolos das areias cariocas. Com o choque de ordem foi proibido, mas diante do clamor da clientela acabou liberado.


114 Com hora marcada
Popularíssima, a roda de futebol onde se trocam passes sem deixar a bola tocar a areia ganha cada vez mais adeptos, inclusive entre as moças. Mas atenção: o altinho só é permitido em horários específicos.


115 Um posto para chamar de seu
Tem carioca que não vai à praia, vai a posto. "Vamos ao 9 hoje?", diria uma amiga a outra. Traduzindo: as moças pretendem ir ao ponto mais badalado da praia de Ipanema. Ao todo são onze na Zona Sul e seis na Barra.


116 Haja coco
Diariamente são consumidas no Rio 42 000 unidades da fruta, a imensa maioria delas à beira-mar, entre uma corridinha e um mergulho. Delícia.


117 A nossa Casa Cor
Nascida em São Paulo, a maior mostra de decoração do país ganhou uma cara típica do Rio. A última delas, no ano passado, aconteceu em um belíssimo casarão de 1883, em Laranjeiras.


118 Grupo Matriz
Conglomerado que junta a Casa Matriz, o Boteco Salvação (ambos em Botafogo) e o Teatro Odisseia (Lapa), é famoso pelas festas animadas e despretensiosas. Outro filhote é a Loud!, agito realizado no belo Cine Íris, no Centro. Desde seu surgimento, mudou a noite carioca.


119 Entre e fique à vontade
Uma vez por ano, os artistas de Santa Teresa promovem o Artes de Portas Abertas, em que escancaram seus ateliês ao público. O clima é de Montmartre. Em 2010 participaram do evento oitenta artistas, 39 ateliês e treze centros culturais.


120 Estação dos filmes
Marcado pela exibição de filmes tanto alternativos como de blockbusters comerciais, o Grupo Estação é uma opção aos cineplex. Mesmo nas salas mais acanhadas, conta com um público fiel e dedicado.


121 Farra de cinéfilos
O Festival do Rio é a festa dos cinéfilos. No ano passado, 250 000 pessoas assistiram a 300 filmes. É uma chance única para quem curte filmes-cabeça.


122 Exuberância florestal
A meia hora de carro da Zona Sul, fica a Floresta da Tijuca, a maior do mundo entre as localizadas dentro de áreas urbanas. Um raro privilégio.


123 Bosque da Barra
Uma vasta vegetação de 500 000 metros quadrados funciona como recanto bucólico no bairro dos shoppings e condomínios. Reserva ambiental, reúne áreas de lazer e animais silvestres.


124 Avenida monumental
Nascida como Avenida Central em 1904, ganhou o nome atual, Rio Branco, em 1912. Foi aberta na marra, em meio a vielas e casebres, como parte dos planos de civilizar o Rio.


125 No feltro verde
Espalhados pela cidade, os salões de sinuca atraem jovens e veteranos do taco. Alguns têm tanta história que são dignos de tombamento.

126 Joia Art Nouveau
Fundada em 1894, a Confeitaria Colombo é um monumento ao Rio Antigo. Um chá da tarde é servido em meio a espelhos belgas e lustres de cristal.


127 Vai um cone aí?
As temakerias brotaram por todos os cantos da cidade, vendendo cones de alga recheados com arroz, peixe e outros ingredientes, os temakis. Um sucesso japonês que virou a cara do Rio.


128 O Davi dos sanduíches
Nascida no Rio, a rede de lanchonetes Bob’s é a única no país a desafiar o McDonald’s, o Golias americano do fast-food. A arma secreta? Milk-shake de Ovomaltine.


129
Redonda caprichosa
Feita com ingredientes de primeira e massa crocante, a Capricciosa foi a primeira pizzaria nativa a provar que uma boa pizza não precisa de adereços como ketchup, mostarda ou maionese.


130 Tortas do Leblon
O alemão Kurt Deichman desembarcou no Rio em 1939, fugindo da II Guerra Mundial. Trouxe na mala receitas espetaculares de tortas produzidas até hoje na lojinha que leva seu nome.

131 Da cor do pecado
Íntimo da alma carioca, o compositor Braguinha já enaltecia que "a mulata é a tal". E alguém discorda do mestre? Elas ganham ainda mais em evidência no desfile das escolas de samba, quando mesmerizam a Sapucaí.


132 Iguaria que derrete na boca
O restaurante Salete é um daqueles pontos comerciais simples, que se distinguem por um produto específico. No caso, suas empadinhas, consideradas por muita gente como as mais saborosas do Rio. Cravada há cinco décadas na Tijuca, a casa oferece três recheios para o salgado: frango, camarão e palmito.


133 A Lapa dá samba
Em um movimento espontâneo de gente que decidiu investir no bairro, a Lapa revitalizou-se de dez anos para cá e recuperou sua vocação boêmia. Jovens dos quatro costados da cidade vão ouvir boa música em casas como Semente, Carioca da Gema e Sacrilégio. Surgiu até o chamado "samba da Lapa".


134 Peixe fresco
Entre a Rua Miguel Couto, o Largo de Santa Rita e a Rua do Acre, nas imediações da Praça Mauá, fica o chamado Beco das Sardinhas. Ali se concentram restaurantes simples que servem a iguaria à milanesa.


135 Banho de loja no mercadão
Às vésperas de seu cinquentenário, o Centro de Abastecimento e Distribuição do Estado da Guanabara (Cadeg), em Benfica, se renova a fim de ampliar sua lista de frequentadores. O entreposto ganhou três restaurantes elaborados, e em breve terá também climatizadores e uma nova iluminação.


136 Do barco para o prato
Referência na venda de pescados na Barra, o Mercado do Produtor reúne vinte boxes com peixes e frutos do mar sempre frescos. A fama do local foi impulsionada pelo concorrido restaurante La Plancha, que fica nos fundos do mercado e abre 24 horas (exceto às segundas-feiras).


137 Vem pro Bola meu bem
O quase centenário Cordão da Bola Preta é um acontecimento do Carnaval. No sábado da festa, mais de 1 milhão de pessoas invadem a Cinelândia para o desfile do bloco, no embalo da marchinha Quem Não Chora Não Mama.


138 Bairro-cabeça
Próximo do Centro, mas com um prudente resguardo do burburinho, Santa Teresa concentra moradores que compartilham os gostos e as opções profissionais. Com seu casario antigo, a região é conhecida por agregar intelectuais e artistas.

139 Em meio às ruínas

Em sua residência de Santa Teresa, a mecenas Laurinda Santos Lobo promovia saraus de música e literatura. Convertido em centro cultural, o palacete do Parque das Ruínas vale a visita nem que seja para admirar de seu mirante vários cartões-postais do Rio.


140 O melhor vem no começo
Na rede de restaurantes La Mole, a parte mais gostosa são as preliminares. Trata-se de uma referência ao couvert do estabelecimento, uma autêntica refeição que leva à mesa pães quentes, pastas, frios e biscoitos. Acredite: tem até quem peça a porção para ser entregue em casa.


141 Trem da alegria
Para comemorar o Dia do Samba (2 de dezembro), partideiros ocupam os trens da Supervia numa deliciosa viagem musical da Central até Oswaldo Cruz. Tudo bem organizado, com um vagão para cada grupo e horário estabelecido, em um prazeroso espetáculo itinerante.


142
O bonde da história
Só em Santa Teresa o deslocamento ainda é feito em bondes, que fazem uma interessante conexão entre passado e presente, margeando um belo casario e mansões magníficas do bairro. O meio de transporte foi implementado ali em 1896 e resiste até hoje.


143 Com a bênção da dindinha
Beth Carvalho amadrinhou uma leva de talentos do samba: Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e Luiz Carlos da Vila, para citar alguns. Não fosse isso o bastante, ela é uma das melhores intérpretes de Cartola e Nelson Cavaquinho.


144 Suingue sangue bom
Dois talentos destacados de uma safra recente da música brasileira se moldaram artisticamente na cidade: Mart’nália e Seu Jorge. Ela, filha de Martinho da Vila, de quem herdou a verve sambística; ele, filho das ruas (foi sem-teto) e com repertório que vai do jongo ao soul.

145 O Batman do metrô
O super-herói dá plantão na Estação Arcoverde, em Copacabana. Um dos engenheiros responsáveis pela obra viu que a saída para ventilação no teto parecia uma caverna. O que ele fez, então? Colocou o símbolo do homem-morcego no local. Uma gaiatice tipicamente carioca.


146 O agito na Varnhagen
É o Baixo Gávea tijucano. Em torno da praça há bares e restaurantes que se tornam pontos de encontro de jovens até altas horas nos fins de semana.


147 Vida de interior
Os moradores do subúrbio se orgulham de sua região e estilo de vida que preserva hábitos antigos — entre eles, a garotada soltando pipa nas ruas e os vizinhos se reunindo nas calçadas para animados bate-papos regados a cerveja.
Rogério Reis/TYBA

148 Embaixada do Nordeste
Ponto de encontro de cariocas e imigrantes nordestinos saudosos da terra natal, a Feira de São Cristóvão reúne barracas com produtos típicos daquela região, da culinária a folhetos de cordel. A integração dita o ritmo, com repentistas e DJs se alternando nas caixas de som.


149 Musa sem prazo de validade
Apesar de nascida em Mato Grosso do Sul, a modelo Luiza Brunet tornou-se um ícone da beleza carioca. Radicada no Rio desde a infância, ela vai desfilar como destaque na Passarela do Samba pela 27ª vez, prestes a completar 49 anos.


150 "Evandro Mixxxquita"
Fundador da carioquíssima Blitz, banda desbravadora do rock brasileiro nos anos 80, Evandro Mesquita é a personificação do "menino do Rio", e não só pelo sotaque carregado e fala cheia de ginga. Fã de surfe e futebol de praia, ele parece sempre em lua de mel com a vida.
Fernando Lemos

151 Ídolo da massa
Com o perdão do trocadilho, o Galinho de Quintino é carioca da gema. Ídolo da maior torcida da cidade e do país, o rubro-negro Zico se reencontrou com sua terra natal após uma série de temporadas no exterior como jogador e técnico. Ele mora na Barra e é torcedor fanático da Beija-Flor.


152 Oui oui, a França é aqui
A influência do país de Asterix por aqui vai muito além do champanhe que estouramos no réveillon. Desde a chegada da Missão Artística de lá a convite de dom João VI, em 1816, esse legado se faz presente com força na culinária, na arte e na arquitetura — a exemplo da Casa França-Brasil, do Copacabana Palace e da Praça Paris.


153 Vitrine fashion
O mundinho da moda não vive apenas de vaidade. Desde que o Fashion Rio foi criado, em 2000, as exportações do setor cresceram de 9,2 milhões de dólares para 21,2 milhões de dólares por ano.


154 Música pra pular brasileira
O jornalista Marcelo Janot começou a despontar como DJ ao fazer uma festa só com canções nacionais. Chamado de Brazooka, o embalo lhe deu notoriedade a ponto de tocar para 1 milhão de pessoas na abertura do show do Rolling Stones em Copacabana.


155 O cronista do Leblon
As novelas de Manoel Carlos transportam a imagem do Rio para o Brasil e o mundo, com foco especial em seu bairro, o Leblon, cenário frequente de suas tramas. Maneco também cativa os leitores de VEJA RIO com seus comoventes textos publicados a cada quinzena.


156 Um craque soberbo
Marrento, frasista, atrevido, malandro e mulherengo. O fora de série Romário jamais se imaginou um modelo para ninguém. Ao se aposentar dos campos, nos quais fez mais de 1 000 gols, ele iniciou carreira na política e é um dos representantes do Rio na Câmara dos Deputados. Sem abandonar, é claro, seu futevôlei sagrado.


157 Ele está em todas
O jornalista, compositor, escritor e produtor musical Nelson Motta testemunhou de perto episódios marcantes da história recente da cidade. Viveu intensamente a era dos festivais, ajudou o rock brasileiro a se consolidar, deu força a novatos como a cantora Marisa Monte e ainda escreveu a biografia de Tim Maia.


158
São Paulo tão perto
É muito bom saber que os restaurantes estrelados, as baladas grifadas e a elogiada cena teatral paulistana estão a apenas cinquenta minutos de voo. Um roteiro sob medida para um fim de semana.


159 São Paulo tão longe
É ótimo saber que os engarrafamentos na capital paulista, que muitas vezes paralisam tudo, estão a mais de 400 quilômetros de distância da nossa cidade, com uma Via Dutra inteira a nos separar.


160 O cinco-estrelas do Eike
Imponente e classudo, o Hotel Glória ficou famoso por receber artistas e políticos e realizar concursos de fantasia que eram o assunto da cidade no Carnaval. Comprado pelo empresário Eike Batista, o Glória passa por uma ampla reforma para virar um estabelecimento de altíssimo luxo.


161 O ninho da Águia
Antiga residência de Rui Barbosa, a mansão na Rua São Clemente, em Botafogo, foi preservada com os pertences do jurista e o mobiliário de época. Destaque para a biblioteca com 35 000 volumes, reforçada ao longo dos anos por outras coleções. Aprazível por dentro e por fora, o casarão possui um convidativo jardim.

162 Fernanda mãe
É irresistível chamá-la de monstro sagrado da dramaturgia, ou de a primeira-dama do teatro brasileiro, ou mesmo de Fernandona. Todos os chavões fazem jus ao talento de Fernanda Montenegro, uma carioca de enorme talento e vitalidade.


163 Fernanda filha
Legítima herdeira da habilidade para representar da mãe, Fernanda Torres há muito adquiriu intenso brilho próprio. Adepta das caminhadas na Lagoa, ela de quebra revelou-se uma bela cronista da cidade nas páginas de VEJA RIO.


164
Grande e bela
Imponente e monumental, a Igreja da Candelária começou a ser construída em 1775, mas só foi totalmente concluída em 1931, mais de 150 anos depois.


165 Pérola do subúrbio
A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Largo da Carioca, é um tesouro barroco. Com 400 quilos de ouro enfeitando seus altares, é a maior concentração do metal precioso próxima de uma estação do metrô no país.


166 Catedral evangélica
Os evangélicos neopentecostais também têm suas catedrais na cidade. A mais imponente delas, da Igreja Universal, fica em Del Castilho e tem capacidade para 15 000 fiéis sentados. É a maior da América Latina.


167
Barroco junto ao Metrô
A Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Largo da Carioca, é um tesouro barroco. Com 400 quilos de ouro enfeitando seus altares, é a maior concentração do metal precioso próxima de uma estação do metrô no país.


168
Herança colonial
Vizinho da igreja acima, o Convento de Santo Antônio passa despercebido. Uma injustiça. A igreja, erguida no século XVII, é um dos mais importantes testemunhos da arquitetura colonial no país.


169 Bonita por dentro
O interior da Catedral Metropolitana, no bairro da Lapa, é um espetáculo: vitrais gigantescos, pé-direito de 70 metros e capacidade para 20 000 fiéis. Vista de fora, no entanto, é feia de doer.


170 Inovação na forma
Erguido em 1739, o Outeiro da Glória trouxe uma grande inovação no barroco: a nave octogonal. Com 8 000 azulejos formando seis dezenas de painéis, é um lugar lindo para casamentos e batizados, com direito à vista da baía.


171 Cabeças coroadas
Na Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo respira-se a história. É a única das Américas a ser palco da consagração de um rei (dom João VI) e dois imperadores (dom Pedro I e dom Pedro II).


172 Do Leme ao Pontal
Magistral, o verso de Tim Maia traduz em quatro palavrinhas a vastidão e exuberância de 40 quilômetros de praias do Rio.


173
Edifícios com apelido
Um hábito curioso dos cariocas é dar apelido aos prédios da cidade. Um dos mais famosos é o Balança Mas Não Cai, na Avenida Presidente Vargas. A sede da prefeitura, na Cidade Nova, virou na linguagem popular o Piranhão.


174 Bastião em Copa
Inaugurado em 1938, o Roxy é um remanescente da era de ouro do cinema de rua. Mesmo com a sala gigantesca subdividida em outras três, ainda resiste firme.


175 Gatos e ratos
Nenhuma cidade brasileira concentra tantas celebridades. Também nenhuma outra tem a legião de fotógrafos que, com teleobjetiva a postos, as perseguem pelas ruas e praias.


176
Sopa de letrinhas
Cidade musical por excelência, o Rio é também o paraíso dos MCs e dos DJs. Os primeiros povoam os bailes funk do subúrbio, os últimos, a noite eletrônica e descolada.


177 O pé de valsa de Botafogo
Em sua academia, Carlinhos de Jesus ensinou muita gente a soltar a cintura. E ainda injetou criatividade na comissão de frente da Mangueira.

178 O milésimo gol do Rei
Foi aqui, no Maracanã, que Pelé, então jogador do Santos, cravou a marca histórica, em um pênalti contra o Vas-co em 1969.


179 Hino com grife
Testemunho do passado grandioso do clube, o hino do América foi composto por Lamartine Babo, seu torcedor fanático.


180 Gigante dos esportes
Se Pelé foi o rei dentro de campo, João Havelange reinou do lado de fora. Nadador e jogador de polo aquático, ele foi presidente da Fifa por 24 anos. Entre seus feitos está tornar o futebol uma paixão e um grande negócio global.


181 O chefão da estrela solitária
O técnico Joel Santana, do Botafogo, é quase imbatível quando o assunto é Campeonato Carioca. De prancheta na mão e bom humor nas entrevistas, é figura querida até por adversários.


182 Ele manda no vôlei
Bernardinho é o cara quando se trata de voleibol. Ele simplesmente detém mais de trinta títulos, um recorde na história do esporte. Não por acaso, é o técnico da Seleção Brasileira Masculina desde 2001.


183
Luxo de campeão
Com lustre de cristal e vitrais franceses, o Salão Nobre do Fluminense é uma beleza. Foi cenário para filmes como Dona Flor e Seus Dois Maridos e séries de TV como Anos Dourados.

184 "Gentileza gera gentileza"
Bordão de José Datrino, nascido em 1917, em São Paulo, falecido em 1996. A máxima nasceu pichada em um muro e hoje estampa camisetas e adesivos.


185 O artífice da beleza
Ivo Pitanguy, o mais conceituado cirurgião plástico do Brasil, escolheu o Rio para morar, trabalhar e — por que não? — curtir a vida.


186 À altura do titular
O Estádio João Havelange foi levantado para o Pan 2007. Como o Maracanã, passou a ser conhecido pelo nome do bairro onde foi construído. Bonito e moderno, o Engenhão terá papel fundamental na Olimpíada de 2016. Por ora, ele substitui o outrora "maior do mundo", fechado para obras, e recebe os clássicos do Estadual.


187 A musa do piscinão de Ramos
A atriz Regina Casé floresceu à sombra do besteirol nos anos 80 e se tornou símbolo do bom humor. Aos personagens impagáveis na TV ela junta incursões à periferia, como a que lhe deu o título de a Musa do Piscinão de Ramos.

188 A ex do Eike
Mulher do homem mais rico do Brasil quando ele ainda era um ilustre desconhecido, Luma de Oliveira foi a responsável pelo upgrade das rainhas de bateria. Depois de anos afastada, volta agora ao Carnaval como musa do camarote de uma cervejaria.


189 A estátua do velho guerreiro
O animador de auditório Chacrinha jogava bacalhau para o auditório e dava um abacaxi aos piores calouros. Ganhou merecida homenagem com uma estátua no Jardim Botânico.


190 Rede de botecos
Até os botequins podem ter seu lado de corporação. É o que provam as redes Devassa, Botequim Informal, Conversa Fiada e Belmonte.


191
O boneco do xixi
Mau exemplo para a molecada que se alivia nas ruas da cidade, a fonte com o menininho fazendo pipi é uma réplica do Manneken Pis, de Bruxelas.


192
Paraíso dos gringos
A Zona Sul do Rio é o reduto mais cosmopolita do país. Os estrangeiros são tantos e falam tantas línguas diferentes que ninguém repara mais.


193 Da tv ao cinema
Carioquíssima, a produtora Conspiração Filmes surgiu em 1991 para fazer peças publicitárias e videoclipes. Hoje é uma potência do cinema, com filmes como 2 Filhos de Francisco e Lope.


194
A pequena notável
Como o próprio nome deixa claro, a Prainha é acanhada. Localizada entre Grumari e o Recreio dos Bandeirantes, tem apenas 150 metros de extensão e é protegida por morros cobertos de Mata Atlântica. Completam a paisagem de beleza única a areia clara e a água cristalina, com ondas sob medida para os surfistas.


195 Nada de bolsas na pista
Na Estudantina e na Elite, gafieiras tradicionalíssimas, dançar coladinho é uma arte. A música, tocada ao vivo, mistura samba com boleros. Entre as regras expostas na parede está a proibição de bolsas na pista.


196 À beira do penhasco
Que paisagem é aquela? Que marzão é aquele? A Avenida Niemeyer é um bálsamo para quem está preso no trânsito entre a Barra e o Leblon. Basta olhar para a direita.


197 Pérola escondida
Com apenas 100 metros de comprimento, a Praia da Joatinga fica próxima de São Conrado. Para chegar a ela, você tem de pedir "por favor" ao porteiro de um condomínio e, depois, descer a pé por escada íngreme.


198 A bela sem pudor
Em sua vida fugaz — ela morreu aos 27 anos, em 1972 —, Leila Diniz brilhou com uma intensidade raramente vista. Desbocada, linda e ousada a ponto de no final da gravidez ir à praia de biquíni (nenhuma mulher fazia isso), ela virou um ícone da liberação feminina.


199 Ao balanço das horas
Desde os anos 40, o relógio da Central marca o tempo no Centro, a 110 metros de altura. O ponteiro de minutos mede 7,5 metros, e o das horas, 5,35 metros. Juntos, os dois pesam 450 quilos.


200 Cachaça de primeira
Essa é para quem não tem vergonha de apreciar uma boa pinga. Na Academia da Cachaça do Leblon, é possível sorver destilados refinados como a carésima Anísio Santiago, de Minas Gerais. Cada dose sai a 28 reais.


201 Ciclismo
O Rio é o paraíso das bicicletas. Só de ciclovias são quase 150 quilômetros de pistas. O objetivo é chegar a 300 quilômetros até 2012, marca que nenhuma outra cidade brasileira alcançou.


202 Corrida
À beira do mar ou da Lagoa, a corrida faz parte da vida do carioca. Estima-se que 200 000 pessoas pratiquem o esporte na cidade. O cenário, com certeza, é um estímulo a mais.


203
Frescobol
Criação genuinamente carioca, surgida após o fim da II Guerra Mundial nas areias de Copacabana. Bom para queimar calorias (250 por hora) e se bronzear ao mesmo tempo.

204 Remo
Todos os dias, ainda antes do amanhecer, remadores do Flamengo, do Botafogo e do Vasco da Gama cruzam em grupo as ruas em torno da Lagoa carregando seus barcos. Cena típica carioca.


205 Surfe
O esporte tem a cara do Rio desde quando nem era considerado coisa muito séria. Hoje atrai praticantes de todas as idades e ainda é usado como elemento de integração social em projetos filantrópicos.


206 Futebol na areia
Difícil à beça de jogar, a prática cresceu entre nós pelas mãos (e pés) de Júnior, Júnior Negão, Edinho e Cláudio Adão, entre outros. Já popular, ganhou a alcunha de beach soccer.


207 Voo livre
Esporte que sempre se confundiu com programa turístico, alcançou novo patamar a partir do trailer da animação Rio, de Carlos Saldanha, criador da grife A Era do Gelo.


208 O bairro do Roberto
Com seus traços característicos e arrojados vãos livres na fachada, a sede da Petrobras é há quatro décadas um dos marcos da Esplanada de Santo Antonio, no Centro.


209 O mercado do povão
Criado há cinquenta anos, o Mercadão de Madureira é uma feira de comércio popular frequentada por 80 000 pessoas por dia. Esse número quase dobra nas datas festivas.


210 Ousadia na esplanada
Com seus traços característicos e arrojados vãos livres na fachada, a sede da Petrobras é há quatro décadas um dos marcos da Esplanada de Santo Antonio, no Centro.


211 Buraco do Lume
A Praça Mario Lago é território de manifestações políticas e encontros do gênero, principalmente às segundas e sextas. Quando a fome bater, o cachorro-quente de linguiça do Bar do Gaúcho está logo ali, à disposição.


212 Clássico tijucano
No mapa da boemia, o boteco Dona Maria é frequentado por compositores como Aldir Blanc e Moacyr Luz, seus vizinhos da Rua Garibaldi, na Usina, Tijuca. Destaque para a feijoada. Mas a grande pedida é o bolinho de vagem.


213 O faz-tudo do showbiz
Muitos podem se perguntar: qual é a profissão do Luiz Carlos Miele? Cantor? Mais ou menos. Apresentador? Humorista? Pode ser. Produtor de shows na bossa nova, esse paulista é um típico caso de carioca por vocação.


214 Aqui pode pôr Ketchup
Um dos símbolos do Leblon, a Pizzaria Guanabara entra na lista pela badalação. Já a pizza é tão sofrível que adicionar ketchup e mostarda à cobertura não é nenhuma heresia.


215 Bicho-grilo com grana
A Feira Hippie de Ipanema, na Praça General Osório, é alternativa só na fachada. O grande negócio é atender ao hippie chique, ao turista gringo e ao bicho-grilo endinheirado.

216 O nosso cisne
Primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio desde 1981, Ana Botafogo é, de longe, a bailarina clássica mais popular do país. Prêmio pela paixão, disciplina e dedicação de uma artista que dança com graça há 35 anos.


217 "Atirou, entrooou"
O grito é a marca registrada do mais experiente locutor esportivo da rádio carioca, José Carlos Araújo. Conhecido como Garotinho, ele tem outros cacos, como "golão, golão" e "voltei".


218 O criador da louraça belzebu
Observador agudo do comportamento carioca, o compositor Fausto Fawcett tem dois clássicos no currículo: Kátia Flávia e Rio 40 Graus.


219 Mineiro do Rio
O cartunista, chargista e escritor Ziraldo, que há décadas mora na cidade, sempre emprestou seu traço a várias causas, como a Feira da Providência. É também um dos fundadores da Banda de Ipanema. Embora tenha nascido em Caratinga (MG), é carioca de coração.


220 Pioneiro do funk
Fernando Luís Mattos da Matta, o DJ Marlboro, é um ídolo no subúrbio. Está na ativa desde 1977, época em que organizava festinhas conhecidas como hi-fi.

221 Big band descolada
Fundada em 2002 por descolados como Rodrigo Amarante (dos Hermanos), Moreno Veloso, Nina Becker, Thalma de Freitas e Rubinho Jacobina, a Orquestra Imperial deu uma pegada contemporânea à gafieira.


222
Igualzinho a Portugal
Ao forno, com purê de batatas, cebola e maionese, o bacalhau é o carro-chefe do Adegão Português, tradicional restaurante de São Cristóvão. Vale a visita.


223 O Canecão do Méier
Casa de espetáculos do bairro, o Imperator já foi cinema e recebeu shows históricos de Caetano Veloso, Tom Jobim, Roberto Carlos e Bob Dylan. Nos últimos tempos estava abandonado, mas agora será transformado em centro cultural.


224 O glamour dos cavalinhos
A fase não é das melhores, mas uma vez por ano o Hipódromo da Gávea recebe o badalado GP Brasil, quando as mulheres usam chapéu e os homens vestem terno. Encravado entre a Lagoa, o Leblon e a Gávea, tem 640 000 metros quadrados de área.


225 O clube dos ricos
Fincado na Avenida Vieira Souto, à beira da praia, o Country Club de Ipanema é lugar exclusivíssimo, que dá bola preta para os desprovidos de status. Ali, um título de sócio custa em torno de 150 000 reais.


226 No meio do mato
Uma piscina dentro da Floresta da Tijuca. É assim o Clube dos Macacos, cujas instalações ainda incluem quadra de tênis, quadra poliesportiva e campo de futebol, todos cercados de verde abundante. Nos jardins, chama atenção o corredor de palmeiras-imperiais.


227 O outro gramado
Com padrão internacional e jogadores do porte de Armínio Fraga, o Gávea Golf Club recebe torneios brasileiros e internacionais. Deve ser um dos palcos da Olimpíada.


228 No meio da Lagoa
Erguido sobre uma pequena ilha natural, com 33 000 metros de área, na Lagoa, o Caiçaras é um clube único. Para chegar até lá, a maioria dos sócios usa um barquinho.


229 O rei das marchinhas
Carioca da Gamboa, João Roberto Kelly notabilizou-se como autor de canções de Carnaval. Todo ano você deve cantar pelo menos uma de suas músicas, a exemplo de Cabeleira do Zezé.


230 Poemas musicais
Compositor, vascaíno e tijucano, Aldir Blanc enriqueceu a MPB com os versos de O Bêbado e a Equilibrista, entre outras. Faz parte do nosso panteão.


231
O samba-funk
Foi por aqui que nasceu a mistura do nosso batuque com o dos americanos. A Banda Black Rio é a maior referência, mas um gênio contribuiu para difundir o gênero: Tim Maia.


232 Clássicos em plena Lapa
Ladeada pelos Arcos, a Sala Cecília Meireles integra o corredor cultural da região mais boêmia da cidade. Em reforma desde o ano passado, o edifício foi erguido no fim do século XIX como um hotel. Hoje é um dos mais tradicionais espaços para a música erudita do Rio.


233
A rua dos violões
Comprar instrumento musical é uma arte. Na Rua da Carioca disputam o público duas casas muito tradicionais, e com nomes clássicos: Ao Bandolim de Ouro e A Guitarra de Prata. Mas uma novata surge e atiça a concorrência: Acústica Perfeita.


234
Voz angelical
A carioca Íris Lettieri foi atriz, modelo e é, desde a década de 70, a voz oficial do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Seu trabalho de locutora ganhou fama mundial. Muitos concordam que seu timbre aveludado passa uma sensação de tranquilidade aos viajantes.


235 Ar fresco e natural
Graças à proximidade com a Floresta da Tijuca, o Alto da Boa Vista registra as menores temperaturas da cidade. Além de ser o lugar mais refrescante do Rio, possui algumas das melhores casas de festas, com espaço na medida para celebrações de casamentos e formaturas.

236 O céu é o limite
A cidade é linda, mas o carioca também se interessa em olhar para além de seu mundinho. Prova disso é o sucesso do Planetário da Gávea. Inaugurado em 1970, começou a atrair visitantes com suas sessões de observação astronômica, com direito a cadeira que deita. Hoje, promove exposições, palestras e concertos.


237 Para todos os gostos
Um espetáculo à parte dentro da estrutura do Sambódromo, a Praça da Apoteose é o cenário de encerramento dos desfiles das principais escolas da cidade. No resto do ano, recebe shows nacionais e internacionais. Já desfilaram ali Roger Waters, Rolling Stones, Black Eyed Peas, Rush, Kiss…


238
A embaixada da boa mesa
Templo maior da gastronomia portuguesa, o Antiquarius serve clientes influentes desde 1977. Com elogios e prêmios, tornou-se ponto da elite carioca.


239 Receitas caseiras
A casa de ambiente rústico faz sucesso graças às criações da fundadora, a chef Palmira de Souza Leal, que dá nome ao lugar. Seu menu degustação é um banquete que exige tempo e apetite para ser saboreado. Casquinha de siri e mexilhão ao vinagrete são os abre-alas, seguidos de pratos fartos como bobó de camarão, arroz de frutos do mar e diferentes peixes.


240 A barraca do Pepê
Campeão mundial de voo livre, morto num acidente em competição no Japão, Pedro Paulo Guise Carneiro Lopes (1957-1991) foi pioneiro na venda dos chamados sanduíches naturais. Os quiosques em São Conrado e na Barra fazem sucesso até hoje entre surfistas, atletas e artistas adeptos da alimentação saudável.

 

241 Um brinde ao visual
Fundado em 1934, o Bar Lagoa já se chamou Berlim e teve de ser rebatizado por causa da II Guerra Mundial. Seu interior, em art déco, motivou a prefeitura a tombá-lo. Mas o grande barato é o "exterior" — a vista da Lagoa.

242 A espera valeu a pena
Inaugurado dez anos depois do previsto, o complexo de lazer e gastronomia Lagoon, próximo à sede do Flamengo, tem seis cinemas em funcionamento e sete restaurantes a caminho, entre eles Gula-Gula, Pax Delícia, Giuseppe Grill e Quadrifoglio Caffè. Demorou, mas o lugar é um espetáculo.

 

243 Casa do Saber
Nascida em São Paulo, ganhou sotaque carioca e tornou-se pioneira nos cursos de curta duração em áreas como filosofia, artes, história e literatura, sem compromisso com avaliações. À beira da Lagoa, é um lugar muito agradável, onde o prazer de aprender fica ainda mais gostoso.

244 O torneio da bilionária
Neta do armador grego Aristóteles Onassis, a abonadíssima Athina se casou com o cavaleiro brasileiro Doda Miranda e tem bancado nos últimos anos uma concorrida competição de saltos na Sociedade Hípica Brasileira, na Lagoa. O Rio agradece.
Fernando Lemos

245
Apetitosa há 150 anos
Aberta em 1860, a confeitaria Cavé ganhou o sobrenome de seu fundador e é mais antiga até que a Colombo. Ela sobrevive no coração da cidade, com entradas pelas ruas Sete de Setembro e Uruguaiana, e serve imbatíveis pastéis de belém.


246 O nosso alemão
Boteco dos mais antigos do país e em funcionamento desde 1887, ele teve três nomes em alemão até virar Bar Luiz, numa troca motivada pela II Guerra. A modificação, no entanto, não se estendeu ao cardápio, cujo ponto alto é o salsichão com salada de batatas.


247
Bom e barato
Com 135 anos de existência, o Café Lamas, na Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo, é porto seguro para quem quer comer, beber e conversar. Trata-se de um restaurante respeitável, frequentado por políticos e intelectuais do primeiro escalão no século passado.


248 O mais antigo
Restaurante mais antigo da cidade, inaugurado em 1884, o Rio Minho mantém a tradição de servir a sopa criada pelo diplomata Paulo Leão Veloso, o item 72 da nossa lista, e batizada com seu nome. Quando esteve na França, ele conheceu a bouillabaisse, um caldo de peixes, vegetais e ervas. De volta ao Brasil, adaptou a receita ao calor tropical.


249
A princesa e o mar
As palmeiras-imperiais às margens da Rua Paissandu emprestam um charme especial a essa via histórica do Flamengo. Uma das mais valorizadas da região, ela foi aberta no século XIX para ligar o Palácio Guanabara, onde morava a princesa Isabel, ao mar.


250 Uma roça urbana
Com amplas áreas verdes, cachoeiras e sítios, as vargens Grande e Pequena são bairros eminentemente rurais, a uma hora de carro do Centro. De uns tempos para cá, essa região da Zona Oeste tornou-se um polo gastronômico de respeito, com restaurantes como Quinta, Gepetto, Gugut, Barreado, Jardineto e Alpendre.


251
Acrobacias radicais
Exemplo de apuro técnico e criatividade, a Intrépida Trupe mistura arte circense, teatro e dança em espetáculos que agradam ao público dos 8 aos 80. Já produziu espetáculos memoráveis, a exemplo de Flap!, sobre o mito de Ícaro e seu desejo de voar.


252
De cara nova
O Parque da Cidade quer recuperar os frequentadores afugentados pela violência da Rocinha, ali ao lado. Dez funcionários trabalham diariamente para manter suas trilhas e jardins limpos. A direção planeja ainda reformar o museu local, que guarda um belo acervo de obras de arte, mobílias, moedas e fotos.


253 Osso duro de roer
O Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar (Bope) foi criado em 1978 e virou fenômeno pop depois de ser retratado em Tropa de Elite. Para se tornar um "caveira", como é conhecido o integrante do grupamento, o candidato deve passar por um temido curso, como bem mostra o filme.


254 Natureza viva
O Sítio Burle Marx, residência do paisagista durante quase meio século, em Barra de Guaratiba, é um santuário ecológico de 365 000 metros quadrados. Aberto à visitação, ele reúne cerca de 3 500 espécies, a maioria da flora brasileira.


255 A leveza do espigão
Antiga sede do Ministério da Educação e Saúde, o edifício Gustavo Capanema, no Centro, é um marco da arquitetura moderna. Projetado em conjunto pelo franco-suíço Le Corbusier e um escrete brasileiro formado por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Affonso Reidy, o prédio é sustentado por pilotis de 10 metros, tem jardins suspensos de Burle Marx e painéis de Portinari.


256 Pechinchas à vista
Realizada no primeiro sábado do mês, a Feira do Rio Antigo atrai em média 15 000 pessoas à Rua do Lavradio, na Lapa, e é a preferida de produtores de teatro e TV em seu garimpo cenográfico. Aos 400 barraqueiros é feita uma exigência: as peças à venda têm de ser de fabricação própria — roupas, calçados, acessórios e enfeites.


257 À beira da baía
O murinho em frente ao Bar Urca virou point no verão de 2009 e desde então vive lotado de gente que se encosta para tomar uma cerveja com petiscos trazidos do boteco do outro lado da rua.


258 Campeão de bilheteria
Diretor dos filmes de maior sucesso e mais polêmicos do Brasil nos últimos anos, José Padilha expôs como ninguém a promíscua relação entre polícia, políticos e bandidos.


259 Padre cantor
Jorge Luiz Neves da Silva, o padre Jorjão, está entre os padres mais populares da cidade. Suas missas, cantadas do início ao fim, inclusive no pai-nosso, ficam lotadas.


260 Arte sensorial
Instalado no Alto da Boa Vista, o Museu do Açude conserva ao ar livre uma grande obra de Hélio Oiticica que explora as experiências sensórias dos visitantes.


261 Charme e exotismo
O Palaphita Kitch é o quiosque mais charmoso da Lagoa. Tem culinária típica do Norte e ambiente rústico, iluminado por tochas.


262 Lições de teatro
Antes do advento das oficinas de atores, era no Tablado que a TV Globo descobria talentos para suas produções. Cláudia Abreu, Malu Mader, Louise Cardoso e Miguel Falabella saíram de lá.


263 Música na missa
A celebração com canto gregoriano no Mosteiro de São Bento, realizada sempre às dez da manhã de domingo, é uma atração concorrida.


264 Playground dos totós
Como o nome ParCão já diz, o lugar é um centro de recreação para cachorros. Lota nos fins de semana — de animais e donos que aproveitam para uma rápida azaração.


265 Père-Lachaise tropical
Assim como o famoso cemitério parisiense, o São João Batista está lotado de personalidades, como Carmen Miranda, Cazuza, Vicente Celestino, Santos Dumont, Tom Jobim e Nelson Rodrigues.


266 O grande bazar carioca
Melhor lugar da cidade para comprar produtos diversos a preços camaradas, o Saara é o mais tradicional conglomerado de comércio popular do Rio. Reúne 1 200 lojas que vendem de tudo.


267 Que marravilha!
Apaixonado pelas cores e sabores brasileiros, o chef Claude Troisgros virou uma personalidade local, com restaurantes estrelados e programas de televisão.


268 Livre como um pássaro
Mais leve e mais fácil de pousar do que a asa-delta, o parapente é uma beleza para quem busca adrenalina e segurança na mesma medida. A partida para a aventura acontece na Pedra Bonita.


269 Sozinho na praça
Última sala remanescente da Cinelândia, o Cine Odeon foi inaugurado em 1926, tem 600 lugares e é um dos mais requisitados para festivais e pré-estreias.

270 O galã agricultor
Paul Newman tinha suas pipocas. Marcos Palmeira tem suas hortaliças orgânicas. Produzidas em Teresópolis, são vendidas no supermercado Zona Sul.


271 O filho da cozinheira
Tão talentoso quanto a mãe, Palmira de Souza Leal, dona do Tia Palmira, o pescador Bira faz sucesso com seu restaurante, o Bar do Bira. Com vista para a Restinga da Marambaia, é perfeito para o pós-praia na região.


272 Fantasias a granel
Loja de artigos de Carnaval mais tradicional do Rio, a Casa Turuna é um paraíso de plumas, paetês, rendas, máscaras, miçangas, pérolas, chapéus e fantasias de índio, pirata, árabe e havaiana.


273 Show nas alturas
O projeto Verão do Morro junta diversão com um panorama único no mundo. Música, agito e curtição no alto da Morro da Urca com as luzes do Rio faiscando lá embaixo.


274 Visual impactante
No Parque da Catacumba existe uma trilha de 350 metros que leva ao Mirante do Sacopã. O esforço é compensado pelo visual da lagoa.


275 Pelas águas da Guanabara
O percurso padrão dos saveiros que passeiam pela baía inclui pontos como Enseada de Botafogo, Urca, Pão de Açúcar, Fortaleza de Santa Cruz, Ilha Fiscal e Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Precisa mais?

276 Festinha legal
Sucesso absoluto da noite carioca, o Bailinho começou de forma despretensiosa em 2007. Com o tempo passou a juntar celebridades e hoje atrai centenas de jovens, que pagam ingressos de até 120 reais.


277 O cantinho dos pescadores
O costão de pedras no canto do Leme ganhou uma espécie de calçada na década de 80. Desde então é o refúgio de amantes da pesca. Só deve ser evitado em dias de ressaca.


278
A pé, até o topo
É possível subir o Morro da Urca pela trilha de 1 250 metros que começa na Pista Cláudio Coutinho. Em quarenta minutos chega-se a um platô, com vista de arrasar. A descida é de bondinho. De graça.


279 O canto das marolinhas
O Posto 6 é um ponto privilegiado de Copacabana. Ali, em geral o mar é tranquilo, com ondas pequenas. Perfeito para levar as crianças.

280
A primeira casa da ABL
Inaugurado em 1887, o belo Real Gabinete Português de Leitura foi sede das primeiras sessões da ABL, presididas por Machado de Assis. Só a incrível sala de leitura já vale a visita.


281 Seleção de batidas
O Bar do Oswaldo, na Estrada do Joá, serve desde a década de 70 um cardápio com catorze variedades de batida. A campeã é a de coco.


282 Delícia de chocolate
Macio, pronto para se desmanchar na boca, o brigadeiro da Colher de Pau do Leblon é considerado o melhor da cidade. Vende em média 100 unidades por dia.


283 Refúgio romântico
Escondido no Hotel Santa Teresa, o Bar dos Descasados é perfeito para um encontro romântico em meio à atmosfera de um prédio do século XIX.


284 História em pinturas
Depois de três anos fechada, a galeria do século XIX do Museu Nacional de Belas Artes reabriu ao público com suas obras colossais que retratam episódios históricos do Brasil.


285 À moda dos nobres
Entre quarta e domingo, a suntuosa Casa Julieta de Serpa se transforma em cenário de um ritual digno da nobreza europeia — um chá da tarde, com acepipes diversos, ao som de música clássica.


286 Apertem os cintos
Ver as paisagens da cidade de um helicóptero é uma experiência excepcional que todo carioca precisa fazer uma vez na vida. As aeronaves partem da Lagoa, do Mirante Dona Marta e do Morro da Urca.


287 Sob o domínio do império X
Um dos pontos mais bonitos da cidade, a Marina da Glória deixou de ser apenas uma garagem de barcos para se tornar um agitado centro de festas e eventos administrado pelo empresário Eike Batista, do grupo EBX.


288 Raridades para todos os bolsos
A feirinha do Shopping Cassino Atlântico concentra objetos de época para todos os gostos. Tapetes persas, porcelanas, cristais, prataria e lustres agradam a quem gosta de garimpar preciosidades do passado.


289 Os peixes de Copa
A praia mais cosmopolita do Rio tem seu lado de arraial. Diariamente pela manhã, pescadores vendem seus peixes, muitos ainda vivos, ali mesmo na areia, junto à Avenida Atlântica.


290 Como em Versalhes
Atração do bairro da Glória, a Praça Paris imita o traçado dos jardins parisienses. O destaque é um chafariz com quatro golfinhos, inspirado em Versalhes.

291 As invenções de Roberta
Autora de uma culinária brasileira contemporânea que desconhece barreiras, a chef Roberta Sudbrack oferece suas criações em menus surpreendentes que mudam diariamente.

292 Capital GAY
Em 2009, uma votação na internet elegeu o Rio como o melhor destino turístico gay do mundo, em razão da extensa programação dedicada a esse público e também pelo jeito amigável com que o recebemos. A vitória pode render dividendos. Um visitante homossexual gasta 200 dólares por dia, quase três vezes mais que um hétero.


293 Capital da felicidade
Sempre associado ao bom humor, ao Carnaval e a um estilo de vida contagiante, o Rio recebeu o título de cidade mais feliz do mundo da revista americana Forbes, à frente de concorrentes de peso, como Sydney e Barcelona.


294 Capital do Art Déco
Existem por aqui 300 imóveis do estilo, cujas marcas são a predominância de linhas geométricas, os contornos aerodinâmicos e a remissão à antiguidade clássica. Destaques para os edifícios Biarritz, no Flamengo, e Serrador, na Cinelândia. Não por acaso, vamos abrigar um congresso mundial sobre o tema em agosto.


295 Capital dos cruzeiros
Em outubro, teve início aquela que deve ser a maior temporada de cruzeiros da cidade. Cerca de 800 000 turistas devem desembarcar até abril no Píer Mauá, com estimativa de injetarem 240 milhões de dólares na nossa economia. Serão 255 manobras de atracação, 16% a mais em relação ao período anterior.


296 Capital do petróleo
Hoje o setor corresponde a 20% do PIB fluminense, devendo chegar a 30% na próxima década. Sem falar no potencial de exploração do pré-sal. Uma ótima notícia para engenheiros, geólogos, geógrafos, profissionais de TI e também para todos nós.
Camila Marchom

297 Armazém que dá gosto
A primeira Casa Pedro foi aberta em 1928 na região da Saara, no Centro. O bem-sucedido negócio se expandiu para uma rede com onze endereços na capital. Lá é possível comprar mais de 1 000 itens, entre temperos, ervas, conservas, grãos, artigos orientais, doces, produtos naturais, cereais, trigos e derivados.


298 Obras Preciosas
Com 200 anos de existência, a Biblioteca Nacional é a maior da América Latina. Ela guarda 9 milhões de obras e muitas raridades. Algumas delas ficam em cofres vigiados diuturnamente, caso do raríssimo exemplar da Bíblia de Mogúncia, de 1462 e impressa em pergaminho.


299 O segredo da baiana
Muito popular em Salvador, a mestre-cuca Angélica Almeida, a "Keka", abriu um quiosque batizado de Oke Ka Baianatem. Situado à beira da Lagoa e guarnecido com uma imagem de Iemanjá, o ponto serve quitutes nordestinos, com garçonetes vestidas a caráter.


300
A praça é nossa
Território dominado pelos jovens, o Baixo Gávea reina na noite carioca faz tempo. A Praça Santos Dumont agrega famosos e anônimos, que bebem e conversam em botecos ou na rua. O BG, como é chamado, dá nome a um longa-metragem com Louise Cardoso, Wilson Grey, José Wilker e Lucélia Santos.


301
A chave é a serpentina
De origem alemã, o Bar Brasil, localizado no Centro, é um dos mais tradicionais da cidade. Seu chope, sempre em temperatura impecável, é tirado depois de percorrer uma serpentina de 66 metros coberta de gelo.


302 Programa celestial
Excelente opção para crianças em idade escolar, o Museu de Astronomia, em São Cristóvão, oferece uma gama de exposições e atividades lúdicas, como observação do céu, contação de histórias relativas ao sistema solar e um bate-papo sobre as fases da Lua.


303 Um doce modismo
Com lojas espalhadas principalmente pela Zona Sul, o sorvete de iogurte caiu nas graças do consumidor. Inclusive, ele popularizou o termo "toppings", que designa o acréscimo de itens ao pote, como frutas e confeitos. Já há nove redes espalhadas pela cidade, com 37 endereços.


304 Luxo residencial
Primeiro condomínio de prédios erguido especialmente para a elite, projetado por Lúcio Costa nos anos 50, o Parque Guinle fica em Laranjeiras. Impressiona logo na entrada, com seu imponente portão, de onde se vê o Palácio Laranjeiras, um intruso em meio aos edifícios.


305 Arte com cerveja
O Mercado São José, que foi senzala no passado, transformou-se em mercado de hortifrutigranjeiros para abastecer a população durante a II Guerra Mundial. No fim da década de 80, o casarão virou centro cultural, misturando restaurantes, feiras de artesanato, exposições e shows.


306 A nobreza faz toda a diferença
Atração no Joe & Leo’s, o hambúrguer de picanha é um dos mais pedidos da rede carioca. A carne nobre altera o sabor do lanche — e o preço. São 350 gramas de carne, queijo americano, alface, tomate e cubinhos de cebola dourados no molho shoyo a 39 reais. Custa caro, mas vale a pena.
Mario Rodrigues

307 Olé!
Na Casa de Espanha, mais conhecida pelos seus cursos de idioma, funciona uma das melhores escolas de dança do país. Fundada pelos bailarinos Mabel Martín e Alberto Turiña, explora não só o estilo flamenco, a modalidade mais conhecida, mas suas variantes e seus significados.


308 Homenagem justa ao compositor
Realizado em novembro, o Festival Villa-Lobos promove concertos de música sinfônica, espetáculos de dança, recitais, oficinas e lançamentos de livros. Com isso, honra o nome daquele que foi um dos mais importantes gênios criativos da música brasileira.


309
100 000 livros
Com seus sofás confortáveis, palestras e noites de autógrafos, a Livraria da Travessa é um programa obrigatório nos fins de semana. A primeira unidade foi aberta em 1986, na escondida Travessa do Ouvidor — daí o nome. Hoje a maior filial fica no BarraShopping, com 1 850 metros quadrados e mais de 100 000 títulos.


310
Cultura ao lado da praia
Charmosa construção de frente para o mar, a Casa de Cultura Laura Alvim exibe peças e filmes alternativos. E o melhor de tudo: a apenas 40 metros das areias de Ipanema.


311 Sob a batuta do craque
Aos setenta anos, a Orquestra Sinfônica Brasileira é um dos grandes orgulhos do Rio. Atualmente é comandada pelo maestro Roberto Minczuk, que, com seu apreço pelo rigor e pela excelência, a colocou novamente entre as grandes do país.


312 O melhor da Lapa
Mistura de antiquário, bar e casa de shows, o Rio Scenarium foi um dos responsáveis pela revitalização da Rua do Lavradio. Aberto em 2001, tem programação musical de primeira linha, com samba e MPB dando as cartas. No 2º andar, sofás para quem quer descansar.


313 Banho fresco
São três quedas-d’água de fácil acesso, próximas às ruas Lopes Quintas e Dona Castorina, na subida para a Vista Chinesa. Esta última é a mais bem sinalizada e tem uma trilha de escadas naturais de raízes, troncos e grandes pedras. Durante os meses de verão, as cachoeiras atraem cerca de 150 000 pessoas, que saem felizes de lá.


314 Cinema VIP
A sala de exibição do Rio Design Barra, por enquanto a única com seu padrão na cidade, foi inaugurada em dezembro passado e vive lotada. O conforto explica a procura. São 55 poltronas de camurça com encosto reclinável e suporte para os pés. Cada uma delas ocupa o espaço de três cadeiras tradicionais, com braços móveis e bandeja para bebidas. Difícil é não tirar uma soneca durante a projeção.


315 Dupla de talento
A história do teatro musical brasileiro não pode mais ser contada sem os nomes de Charles Möeller e Cláudio Botelho. Parceiros profissionais desde 1990, eles já dirigiram juntos mais de vinte peças. Na lista de sucessos recentes estão A Noviça Rebelde, O Despertar da Primavera, Gypsy e Hair, espetáculos vistos por 800 000 espectadores.


316 Um teatro com história
Palco de estreia de grandes nomes da música brasileira, o Casa Grande abrigou shows de Nara Leão, Baden Powell, Tom Jobim, Elis Regina, Caetano Veloso e Gilberto Gil, muitos deles em início de carreira. Demolido em 2004, o prédio original deu lugar ao atual Oi Casa Grande, com capacidade para 900 pessoas.


317
As visitas do professor
Historiador e arquiteto, Milton Teixeira é referência em turismo histórico e foi um dos criadores do projeto Conheça o Rio a Pé, da Riotur. Seu jeito bem-humorado de passar as informações torna o programa, que inclui visitas à Ilha Fiscal, à Baía de Guanabara e ao Mosteiro de São Bento, ainda mais interessante.

318 Ela está de volta
Depois de quatro anos fora do ar, a Babilônia Feira Hype volta a funcionar no Jockey Club, na Gávea. A nova versão do evento, que lançou grifes como Farm, Via Mia e Constança Basto, vai abrir vagas não apenas para talentos emergentes da moda, mas também do design, das artes plásticas e da gastronomia. Começa em maio.
Daniella Duarte

319 Delícias geladas
Com nove vitórias consecutivas na categoria melhor sorvete do especial Comer & Beber de VEJA RIO, a rede Mil Frutas faz sucesso pelo sabor das receitas, que podem explorar frutas do Nordeste, doces brasileiros ou a confeitaria francesa. Nascida na cidade, a casa tem lojas em Búzios, Angra e São Paulo.


320 No idioma de Sartre
Além de abrigar serviços diplomáticos, a Maison de France contribui para a divulgação da cultura do país de Flaubert por aqui. São muitas atrações interessantes. Inaugurado pelo presidente Juscelino Kubitschek, o prédio no Centro tem teatro, cineclube, biblioteca, salas de aula e espaços para exposições.


321
Mais que o horizonte
O grupo é de São Paulo, mas não dá para ignorar: a piscina de borda infinita do Fasano possui uma das vistas mais impressionantes do Rio. Não apenas pela Praia de Ipanema e pelo Morro Dois Irmãos, mas também pelas belas e belos hóspedes do hotel. Bebericar por ali um espumante, no meio da tarde, é um dos grandes prazeres que a cidade oferece.


322 Suor que vale a pena
Percorrer os 21 quilômetros da Meia Maratona do Rio, debaixo de um sol de rachar, não é tarefa fácil. Mas o cenário ajuda, atenuando as dores da corrida. O trajeto, que começa na Avenida Niemeyer, passa pelas orlas de Leblon, Ipanema, Copacabana, Botafogo e Flamengo. O Pão de Açúcar e o Monumento aos Mortos da II Guerra Mundial completam o visual da competição. Lindo.


323
Com a bênção de Tom
Cercado pelo verde do Jardim Botânico, o teatro de 400 lugares é destaque do Espaço Tom Jobim. Construído em homenagem ao compositor, assíduo frequentador do parque, o lugar abriga shows e peças, com ótimo tratamento acústico e belo design arquitetônico.


324 As árvores invertidas
O estranho fenômeno ocorre em duas vias próximas, na Gávea. A Rua dos Oitis tem acácias. A Rua das Acácias tem oitis. Explica-se. Clodoaldo Pereira de Moraes, pai de Vinicius de Moraes, era funcionário da prefeitura. Durante sua gestão como chefe da seção de jardins, as árvores foram plantadas, por engano, de forma trocada. Ficou simpático, resolveram deixar assim e virou história.


325 A casa das lagostas
Servido a preços acessíveis, o crustáceo é a grande atração do Sentaí, casa portuguesa que fica atrás da Central do Brasil. O segredo do prato é o preparo: apenas cinco minutos de cozimento, para preservar a maciez da carne. Entre outras receitas, a lagosta é servida grelhada com arroz de brócolis ou como moqueca à baiana ou à capixaba. O colecionador de arte Gilberto Chateaubriand é cliente assíduo.

326 Pedalar até a Vista Chinesa
A prática do ciclismo nas curvas que levam ao mirante é uma atividade que exige fôlego e preparo físico, mas vale cada pedalada. A 380 metros de altura, o monumento remonta à época de dom João VI, quando chineses egressos de uma fracassada tentativa de desenvolver a lavoura de arroz no Rio foram aproveitados na construção daquela estrada.

327
Poltrona mole
Antes de Sérgio Rodrigues, pouco havia do que se pudesse considerar uma arte marcadamente brasileira no design de móveis. Autor, em 1957, da Poltrona Mole, hoje parte do acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), não foi à toa que este carioca ganhou fama nacional e internacional, a ponto de ser citado na enciclopédia Delta Larousse como "o criador do móvel brasileiro".


328
O baixo bebê
O quiosque em frente à Rua General Venâncio Flores, no Leblon, é ideal para quem gosta de levar os filhos à praia. Ali há uma área cercada onde os pequenos se divertem nos brinquedos de plástico, com toda a segurança. Mas não se espante se os paparazzi fizeram plantão. Afinal, o local é frequentado por mães famosas e seus filhos, entre elas Fernanda Lima, Maria Paula e Alessandra Negrini. Fraldário e toalhas umedecidas são por conta da casa.


329 Mini-Soho
Três galerias, duas delas muito próximas uma da outra, transformaram a Gávea na sucursal da simpática região de Nova York, coalhada de espaços dedicados à arte contemporânea, lojas e restaurantes bacanas. As de Silvia Cintra e Anita Schwartz chamam atenção pelo design moderno dos prédios e acervos de primeira. Em outro ponto nobre do bairro, mais para o alto, Mercedes Viegas recebe os visitantes em seu bucólico casarão.


330 Simples, mas perfeito
Da cozinha do chef Alain Caro, do Lé Blé Noir, saem crepes salgados e doces feitos com trigo-sarraceno. Fininhos e crocantes, eles chegam à mesa com recheios variados. O de queijo de cabra, figos caramelizados ao vinho do Porto, presunto cru e farofa de nozes é ótimo.


331
Sucesso mundial
Cosmopolita e internacional como o Rio, o carioca Antonio Bernardo interrompeu a faculdade de engenharia para dedicar-se à pesquisa e ao design de joias. Autoditada, tornou-se um dos mais badalados profissionais na área. Da primeira loja, no Shopping da Gávea, à condição de um dos mais bem pagos designers do Brasil, somam-se três décadas, nove pontos próprios, presença em países como Estados Unidos, Alemanha, Itália, Suíça e Espanha, e uma marca consolidada.


332
De livros a roupas
Carregada de história, a Praça XV abriga aos sábados uma tradicional feira de antiguidades. Para os colecionadores, é um achado. Ali se vende de tudo: livros, vinis, pôsteres, quadrinhos, suvenires, fotografias, móveis e até roupas antigas.


333 Cinema com as crianças
Em uma turma de discussão pela internet sobre maternidade, uma mãe (cinéfila) declarou que sentia falta de ir ao cinema após o nascimento do primeiro filho. O grupo se organizou e dez mães com seus bebês batizaram a primeira sessão de CineMaterna no Rio. Era fevereiro de 2008. Em poucos meses, a ideia foi acolhida pelas redes de salas, espalhou-se pelo país e as sessões amigáveis para bebês abrangem hoje catorze cidades.


334 Na luta contra o câncer
Fica na Praça da Cruz Vermelha, no Centro do Rio, o principal órgão federal destinado à prevenção e ao controle da doença no Brasil. Instalado ali desde 1957, o Instituto Nacional do Câncer desenvolve ações, campanhas e programas em escala nacional, além de selar acordos com entidades e organizações internacionais

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335 Cantinho da leitura
Desde 1952 conduzida pela italiana Vanna Piraccini, a livraria Leonardo Da Vinci, no Centro, ganhou até poemas de autores como Carlos Drummond de Andrade e Antonio Cícero. Fez fama pelo atendimento primoroso de quem conhece o ramo e por exibir uma extensa variedade de publicações nacionais e estrangeiras.

336 Os heróis das tragédias
Numa cidade que assusta seus moradores com a mesma capacidade com que os encanta, uma corporação eficiente é crucial. Unidade pertencente ao mais antigo Corpo de Bombeiros do país (fundado por dom Pedro II em 1856), o Grupamento de Busca e Salvamento está sempre a postos para salvar vidas, seja na Região Serrana ou no Haiti.


337
Estrada do Joá
Ela é muito mais do que um escape para fugir do trânsito entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca. É também um charmoso refúgio entre o mar da Praia da Joatinga e o verde da montanha da Pedra da Gávea.


338 A 150 metros de altura
Aberto em sistema de soft opening desde 30 de dezembro, o hotel Windsor Atlântica substituiu o tradicional Le Méridien no prédio da Avenida Princesa Isabel. Seu retorno devolveu aos turistas e aos cariocas a possibilidade de ver do alto uma das mais deslumbrantes vistas de Copacabana.


339 A estátua do poeta
Inaugurada em 2002 no calçadão da Praia de Copacabana, a estátua de bronze de Carlos Drummond de Andrade vem ganhando, em média, um ataque por ano desde então. Geralmente lhe roubam os óculos. Deve-se vigiá-la melhor, porque, além homenagear um dos nossos maiores escritores, virou um dos símbolos da cidade.


340 Bolsas do Brasil
Assim ele costuma descrever o início de sua trajetória: em 1982, ao entrar para a Escola de Belas Artes da UFRJ, Gilson Martins comprou uma mochila para levar o material de desenho. Muitos remendos depois, desmontou tudo, arrebentou costuras, copiou o molde e recriou o conceito, usando lona de cadeira de praia. Sedimentava-se ali a base de uma sólida e criativa carreira como designer de bolsas, produzindo peças que encantam franceses e italianos.


341 Fundação Eva Klabin
Tombada e transformada em casa-museu, uma das últimas mansões do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas abriga a fundação que leva o nome da colecionadora. Idealizada na década de 70 e oficialmente criada em 1990, um ano antes da morte de Eva, a instituição reúne 2 000 peças catalogadas, com preciosidades dos quatro cantos do planeta.

342
Diversão na orla
Skate, bicicleta, corrida, patins e atividades recreativas em geral. Não há limite para a diversão no vasto parque em que se transforma a orla da cidade aos domingos, entre 6 e 18 horas.


343
Cultura a custo zero
No Centro, dá para se divertir e ficar culto sem gastar um tostão. O Espaço Cultural Correios, a Casa França-Brasil e os centros do Banco do Brasil e da Justiça Federal têm programação de primeira e de graça.


344 Malhação grátis
Há onze anos, uma academia oferece aulas de musculação, alongamento, tai chi chuan, ioga e capoeira nas areias de Ipanema. No ano passado, Copacabana também recebeu o projeto.


345 Chorinho na praça
Iniciativa do grupo Arruma o Coreto, uma roda de choro ocupa aos domingos, a partir das 11 horas, a Praça São Salvador, no bairro de Laranjeiras.


346 Agenda classe A
Com uma programação que alterna peças a preços convencionais e shows a 5 reais, o Teatro do Sesi, no Centro, também tem uma série de eventos gratuitos.


347 Teatro a 1 real
Todo segundo domingo do mês, a prefeitura promove esta campanha: teatro quase de graça para a população, num projeto que contempla as nove salas municipais de espetáculos.


348
Acordes nos museus
Sucesso há catorze anos, o Projeto Música no Museu ocupa mais de quarenta instituições, entre centros culturais, museus e igrejas, com música de primeira qualidade e impacto zero no bolso.


349 Preço e qualidade
Em matéria de ação cultural, o Sesc Rio tornou-se sinônimo de uma virtuosa combinação entre qualidade e preço baixo. Do teatro às artes plásticas, da música ao cinema.


350 Casa eclética
Não importa se a definição é casa de shows, boate ou bar. O Trapiche Gamboa é um dos mais interessantes redutos de samba do Rio, no bairro que lhe dá o nome.


351 Ouro e diamantes
Fundada em 1945 pelo brasileiro de origem alemã Hans Stern, a H.Stern é uma potência das joias. Sediada na loja-museu de Ipanema, tem filiais espalhadas pelos quatro cantos do mundo.


352 O gigante da Zona Oeste
Erguido entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, o Riocentro reúne números monumentais. São 570 000 metros quadrados, dos quais 100 000 são de área construída. O estacionamento para 7 000 carros serve a cinco pavilhões climatizados.


353 Nosso mestre barroco
Um dos maiores artistas do período colonial brasileiro, ao lado de Aleijadinho e Manoel da Costa Athaíde, Valentim da Fonseca e Silva, o Mestre Valentim, criou diversas obras no Centro, entre elas o belo e maltratado chafariz da Praça XV.

354 Para rolar de rir
Responsáveis por uma lufada de humor na televisão, os integrantes do Casseta & Planeta encerraram o programa semanal na TV Globo, mas continuam ativos em projetos paralelos.


355 O irmão do Bussunda
Assim como teve o irmão do Henfil, há também o irmão do Bussunda, fundador do Casseta & Planeta, morto em 2006. O economista Sérgio Besserman Vianna é um craque em suas análises da cidade e propostas para um Rio sustentável.


356
A França no Leblon
O nome da casa é português, mas as especialidades servidas nos balcões do restaurante Garcia & Rodrigues são legitimamente francesas, como o chef que as produz, Christophe Lidy.


357 Vendedores de rosas
Volta e meia eles circulam pelos bares da Zona Sul. Se você estiver acompanhado, provavelmente será abordado por um deles, que vai tentar convencê-lo a comprar uma rosa para a mulher amada. Às vezes, dá muito certo.


358
Picolé sessentão
Feito há quase sessenta anos, o picolé do Morais é uma instituição na orla de Ipanema e Leblon. Vendido em uma única carrocinha pelo próprio fabricante, Adriano Morais, leva apenas água, açúcar e frutas na receita.


359
O cinema de Santa Teresa
Única sala do bairro, o Cine Santa foi aberto em 2003, com o filme Deus É Brasileiro. Com apenas sessenta lugares, exibe mais títulos nacionais do que qualquer outro do país.


360 O Bruxo do Cosme Velho
Maior de todos os escritores brasileiros, o carioca Machado de Assis está umbilicalmente ligado à história do Rio, que descreveu e retratou como ninguém.


361 Degraus que brilham
A antiga sede do Supremo Tribunal, hoje Centro Cultural Justiça Federal, abriga uma bela amostra do estilo art nouveau: a escadaria de mármore de Carrara com detalhes de ferro.


362 A casa da outra
Sediado no opulento palacete que dom Pedro I deu de presente à sua amante, Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, o Museu do Primeiro Reinado tem uma preciosa coleção de peças da primeira metade do século XIX.


363
Baticumbum
Com dez anos de atividades, em Laranjeiras, a loja Maracatu Brasil combina venda de instrumentos de percussão artesanais com oficinas ministradas por músicos, além de cursos.


364 Oi Futuro Flamengo
O prédio de 1918, que já abrigou o Museu do Telephone, é hoje referência em arte, tecnologia e convergência de linguagens. Galerias de artes visuais, teatro, biblioteca e cibercafé se distribuem por seis andares de programação diversificada.

365 Sucos em abundância
As casas de sucos estão para o Rio assim como as padarias estão para São Paulo. Existem pelo menos trinta lojas do gênero na cidade, ancoradas em uma vasta oferta de sabores, tanto das bebidas como de sanduíches e salgados.

366 A cara do brasil
Portuguesa de nascimento, Carmen Miranda foi criada na Lapa e transformou-se em um símbolo internacional da cidade ao fazer carreira em Hollywood, onde morreu em 1955.


367
O barco do rei
Construída na Bahia e doada por um conde a dom João VI, a galeota que servia para os deslocamentos da família real e de visitantes ilustres pela Baía de Guanabara está em exposição permanente no Espaço Cultural da Marinha.

368
O palco mais antigo
Inaugurado em 1813, o João Caetano é o palco mais antigo da cidade. Antes de receber o nome atual, em 1923, chamou-se ainda Imperial Theatro São Pedro de Alcântara e Theatro Constitucional.


369 Drinque em vez de chope
Frequentados pela turma jovem abastada e moderninha, os bares de hotel são a alternativa chique aos botecos. Os preferidos são o Baretto-Londra (Fasano), o Bar D’Hôtel e o Bar do Lado (ambos no Marina All Suites), o Bar da Praia (Marina Palace), o Skylab (Rio Othon Palace) e o One Twenty One (Sheraton).


370
O café do Maneco
Cenário constante nas crônicas de Manoel Carlos (veja o motivo 155), o Café Severino, na Livraria Argumento, é um clássico entre as casas que servem acepipes em meio a livros.


371 Dos tempos da colônia
Primeiro parque urbano das Américas, o Passeio Público foi aberto em 1793. Com um jardim em estilo francês, era frequentado pelas mais ricas famílias da cidade e ponto de encontro de artistas, escritores e poetas.


372 Os nossos shoppings
Paulistas não vivem sem, mas cariocas também adoram. Aqui no Rio, temos 29 shopping centers, por onde circula diariamente 1 milhão de pessoas.

373 Dupla do barulho
Rosa Maria Araújo e Sérgio Cabral (o pai) são uma dupla que infla o orgulho carioca. Sassaricando, musical com marchinhas concebido pela historiadora e pelo jornalista, está na quarta temporada e já foi visto por 200 000 pessoas.


374
Simples, abafado e divertido
Na esquina das ruas do Riachuelo com Gomes Freire, o Boteco do Gomes é uma casa típica desse pedaço movimentado da Lapa. O atendimento simpático e ágil e as cervejas geladas valem a noitada.


375
Dos tempos do império
O Instituto Benjamim Constant, criado em 1854 por dom Pedro II, foi a primeira instituição no país destinada a garantir ao cego o direito de cidadania. Tem escola, oferece consultas médicas, produz material em braile e edita publicações científicas.


376 O endereço colorido
A Rua Farme de Amoedo, em Ipanema, começou a ser frequentada pela comunidade gay a partir dos anos 90. Fica em frente ao trecho da praia considerado um dos mais liberais do Rio, onde tremulam bandeiras de arco-íris.

377 Telas milionárias
A pintora carioca Beatriz Milhazes faz parte do restrito círculo de artistas brasileiros respeitados e valorizados no mercado internacional. Em 2008, uma obra sua foi vendida por 1 milhão de dólares em um leilão da Sotheby’s de Nova York.


378
Sambinha de tarde
Uma roda de partideiros nas tardes de segunda tinha tudo para fracassar, mas não. Comandada por Moacyr Luz e realizada embaixo das caramboleiras do Renascença, no Andaraí, ela surgiu em 2005 e faz enorme sucesso. O nome, Samba do Trabalhador, claro, é uma ironia.


379 A praça dos bichos de pedra
Fica na Tijuca, no fim da Rua Saboia Lima, e é pouco conhecida. Construída nos anos 80 em um canto de floresta, ela tem esculturas de vaca, dinossauro, cachorro, jacaré e urso polar. Esse zoológico imóvel divide espaço com representações de uma pirâmide, um barco afundado, anões e sacis.


380 Arte do lixo
Paulista de nascimento e carioca por adoção, Vik Muniz ganhou projeção internacional com suas reproduções de ícones da arte e da cultura feitas com materiais diversos. Um filme sobre seu trabalho concorre ao Oscar de melhor documentário.


381 Vagas baratas
A inflação caminha lentamente, mas não para. Sobem os preços do feijão, do teatro, do bondinho do Pão de Açúcar, dos ônibus e da fralda descartável. Mas estacionar o carro pagando 2 reais em certas áreas é algo que já vem de longe. Ainda bem.


382 Com a mão sempre estendida
O carioca joga lixo no chão, buzina demais e tranca os cruzamentos no trânsito. Mas, na hora do aperto, sempre demonstra alto grau de solidariedade. Daqui saíram inúmeras doações para as vítimas das chuvas na Região Serrana.


383
Os estúdios da Nacional
No 23º andar do edifício A Noite, na Praça Mauá, ficam os estúdios da emissora que foi um símbolo da época áurea do rádio, nos anos 40. Lá se apresentaram monstros sagrados como Francisco Alves e Orlando Silva. As salas e os equipamentos ainda estão funcionando.


384 Tudo pura ilusão
Eles alegram os passantes e, de quebra, faturam um trocado. Os mágicos de rua atuam nas imediações da Rua Uruguaiana e do Terminal Menezes Cortes, no Centro. Fazem truques de salão, como levitar cartas de baralho e manipular bolinhas.


385
Os palácios do rei
Capixaba mas radicado na Urca desde os anos 80, Roberto Carlos já rodou um bocado pelo Rio e até por Niterói antes de se fixar no apartamento de frente para a Enseada de Botafogo. Morou no Lins, no Centro e, por alguns meses, no Copacabana Palace, enquanto fazia obras em sua residência atual.


386
O templo de vidro
Inaugurada em 1964, na Avenida Borges de Medeiros, a paróquia de São José chama atenção. Toda envidraçada, ela não lembra uma igreja tradicional. Quem assinou o projeto foi o arquiteto Edgar Fonseca.


387
Cidade das letras
Algumas das principais editoras de livros do país, a exemplo de Record, Ediouro e Sextante, estão sediadas no Rio. Os números, tanto quanto as letras, impressionam. A gráfica da Record pode imprimir 100 livros de 200 páginas por minuto. Só não lê quem não quer.

388 Gigante adormecido
Olhar as montanhas é um exercício para a imaginação. A Pedra da Gávea, por exemplo, parece o nariz adunco de um gigante deitado. O filme Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa (1970) mostra em detalhes essa formação rochosa.


389 Dispense a bússola
O Rio tem as zonas Norte, Sul e Oeste bem delimitadas. Entretanto, não há referência à Zona Leste, área onde fica a Baía de Guanabara. Tudo bem que não temos as ruas numeradas como em Manhattan, mas vivemos em um lugar de fácil localização. O mar, as vias expressas e a linha de trem ajudam.

390 Uma gringa atraente
Se você ouvir falar em A Polonesa, provavelmente não se trata de uma mulher, mas de um restaurante em Copacabana aberto em 1948, que tem ambiente rústico e lembra uma taberna. Sua fama vem do estrogonofe de filé-mignon, que se diferencia da receita-padrão por não levar creme de leite.


391 A rede do peixe
Misto de loja virtual e site de relacionamentos, o Peixe Urbano é uma empresa carioca criada no ano passado e que inspirou diversas iniciativas semelhantes pelo país. Contabiliza cerca de 30 000 acessos diários de pessoas em busca de descontos.


392
Balanço H igh Tech
A ginga do carioca fica evidente no futebol e no samba. Ginga também é o nome do software do sistema brasileiro de TV digital, desenvolvido nos laboratórios de telemídia da PUC. Um orgulho para todos nós.


393
Luz, câmera e ação
Não só nas telas de cinema o Rio se tornou uma imagem frequente para ambientar tramas de variados matizes. A cidade volta e meia dá as caras também em videogames de ação, como, por exemplo, o Counter Strike (CS) e o Grand Theft Auto (GTA), que exploram cenários daqui.

394
Prodígio sobre a baía
Antes de 1974, quem ia do Rio a Niterói de carro tinha duas opções: balsa ou um longo caminho por Magé, Itaboraí e São Gonçalo. Com a inauguração da Ponte Presidente Costa e Silva, um prodígio da engenharia nacional, com seus 13,4 quilômetros de extensão, é possível cruzar de um lado a outro em quinze minutos, com trânsito bom.


395 Palácio da ciência
Não bastasse ser um bastião das ciências biológicas do país e um dos mais importantes do mundo, a Fundação Oswaldo Cruz (ao lado)tem uma sede belíssima: mistura ornamentos neomouriscos a uma construção inspirada nos castelos ingleses do período elisabetano, com ameias e pátio interno. Um arraso.
André Valentim / TYBA

396
Palácio da princesa
Erguido no século XIX, o Palácio Guanabara já serviu de morada à princesa Isabel e seu marido, o conde D’Eu, e ao presidente Getúlio Vargas. A partir da fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, virou sede do governo.


397
Quem é quem nas ruas
Em 2008, as placas indicativas passaram a identificar as personalidades que dão nome às vias. Assim, é possível saber que Barata Ribeiro foi um médico e Figueiredo de Magalhães, um proprietário de terras. O barão de Mesquita — quem diria? — era filho do conde de Bonfim.


398 Escola nota 10
O Instituto Militar de Engenharia, na Praia Vermelha, é um centro de excelência que forma militares e civis, e já há alguns anos admite mulheres em suas fileiras. Seu vestibular é dos mais concorridos, a ponto de haver turmas especiais nos cursinhos voltadas para os candidatos ao IME.


399
O paraíso da carne
O nome um tanto esquisito há muito foi absorvido pelos cariocas: Porcão. Essa rede de churrascarias é campeã no sistema de rodízio. A unidade do Aterro do Flamengo, que é alvo de uma disputa judicial, oferece como extra a vista espetacular da Baía de Guanabara e do Pão de Açúcar.


400 Os nossos romanos
Munidos de escudos, lanças, elmos e armaduras, advogados e outros profissionais simulam batalhas da Antiguidade à beira da lagoa. Intitulado Ancient Battles, o pelotão realiza seus movimentos sempre nas tardes de sábado. Quem quer ingressar no grupo tem de treinar durante seis meses.


401 Símbolos naturais
A marca da Rio 2016, revelada na festa de réveillon, é claramente inspirada na silhueta do Pão de Açúcar e do Morro da Urca, cujos contornos, vira e mexe, funcionam como logotipo da cidade. Outro cartão-postal que faz esse papel é o Cristo Redentor, tal qual a Torre Eiffel em Paris e a Estátua da Liberdade em Nova York.


402 Em alta na internet
Quem digita o verbete Rio de Janeiro na Wikipédia dá de cara com descrições que enchem de orgulho nossa gente. Entre outras referências, está dito que é "a cidade brasileira mais conhecida no exterior" e "principal destino turístico da América Latina".


403 Banhista vigilante
Atire a primeira canga quem nunca ouviu este pedido na areia: "Pode dar uma olhadinha nas minhas coisas enquanto eu mergulho?" Caso a resposta seja positiva, o solicitante logo deixa sob a guarda do "novo amigo" seus chinelos, camisa, bermuda e carteira. É o jeito carioca de fazer amizade.

404 Cuca fresca
Uma vez por mês, a academia DeRose oferece aulas abertas de ioga em um cenário deslumbrante, em frente aos pedalinhos da Lagoa, no Corte do Cantagalo.


405 Celeiro de mestres
Nenhuma outra localidade do país fecundou tantos compositores de excelência. Nesse setor, o termo constelação é o que melhor define a abundância de artistas gerados aqui. Chiquinha, Villa-Lobos, Pixinguinha, Noel, Cartola, Tom, Vinicius, Paulinho.


406 Desde 1910
Poucos estabelecimentos podem se vangloriar do peso da tradição centenária. É o caso da Ao Faz Tudo, que desde 1910 restaura obras de arte de todo tipo.


407
Desatando os nós
Especialista na restauração de tapetes feitos a mão, o descendente de italianos Vilson Carminati oferece um serviço impecável, mas um tanto trabalhoso. Dependendo do estado da peça e da quantidade de nós, o conserto pode levar um ano.


408
Vai um faisão ou marreco?
Situado na Rua Paissandu, no Flamengo, o açougue Raro Shop é especializado na venda de carnes exóticas: javali, faisão, rã, codorna, perdiz, frango caipira, marreco, galinha-d’angola. Nos anos 80, a loja era frequentada por chefs em busca de novidades.


409
Sapateiro de grife
Em funcionamento há mais de cinquenta anos, a Sapataria Jangadeiros, em Ipanema, é a salvação das colecionadoras de calçados de marca. A loja conserta pisantes Ferragamo, Chanel e Louboutin.


410
O paladar agradece
O mais novo eixo da boa mesa do Rio fica na Avenida San Martin, no trecho próximo do Canal do Leblon. Cinco casas, de diferentes especialidades, reforçam a vocação gourmet da cidade: Gula Gula, Origami, Astoria, Enosfera e Chez L’Ami Martin. Um roteiro para múltiplos gostos.


411
Grafites de decoração
Criações do grafiteiro carioca Marcelo Ment ilustram muros da cidade e festivais europeus. Recentemente, ele descobriu um novo filão: a decoração de interiores. Seus traços de spray podem enfeitar paredes de quartos, corredores e salas.


412
Mesas do Azul Marinho
Este bar, no Arpoador, virou hit no verão passado, com suas mesinhas na calçada, a dez passos da areia. Curta o pôr do sol dali, degustando o cardápio de criativos tira-gostos.
Oscar Cabral

413 Ibrahim Sued
e Zózimo Barrozo Amaral são os pais do colunismo social como o conhecemos hoje, criadores de um estilo único — e carioquíssimo — de escrever. O primeiro, chamado de "Turco" na redação de O Globo, sabia tudo sobre a alta sociedade carioca. Virou estátua em Copacabana. O último construiu sua carreira no Jornal do Brasil escrevendo menos de frescuras e mais de política e comportamento. Virou estátua no Leblon.


414
Grandes eventos
Eles aumentam o fluxo de turistas, divulgam o país no exterior e dão prestígio político. As mostras de Monet e Rodin em meados dos anos 90 e a conferência Eco 92 são exemplos de momentos marcantes da cidade.

 

415 Herança indígena
Ela está no dia a dia do carioca ("casa de branco", em tupi-guarani) e muitas vezes a gente nem percebe. Palavras indígenas identificam, por exemplo, peixes, aves, rios, e localidades como Niterói, Ipanema e Tijuca.


416 Brilhando de novo
Da limpeza à reposição de peças, José Luis Silveira, hoje morando em Niterói, é uma referência na restauração de lustres de cristal. O atendimento, em todos os bairros do Rio, pode ser feito na casa do próprio cliente.
Joe Mcdonald/Corbis

417 Macacos folgados
Sempre ariscos, macacos-prego são companhia constante de quem mora nos arredores do Jardim Botânico. Uma graça, mas às vezes eles chateiam, invadindo apartamentos pela janela da cozinha, em busca de comida.


418 Cubinhos do Leblon
"Apacar" ou não "apacar", eis a questão. Manter de pé os predinhos antigos, com sua arquitetura peculiar, ou dar lugar a edifícios modernos? Discussão quase interminável, porque se sabe que grande parte do charme do bairro vem daí, de suas fachadas de três, quatro andares. É a guerra das Áreas de Proteção do Ambiente Cultural (Apacs).


419 Peças de Val D’Osne
Cerca de 180 esculturas e fontes de ferro produzidas na região do Haute-Marne, no nordeste da França, enfeitam parques, praças e fachadas de prédios. Depois de Paris, o Rio é a cidade que tem mais peças da Fundição Val D’Osne.


420 Hangar de zepelim
A Base Aérea de Santa Cruz abriga o bonito prédio, de grandes dimensões, destinado às gigantescas aeronaves. Foi inaugurado em 1936 para receber dirigíveis da Alemanha. É um dos últimos hangares para zepelins do mundo.


421 As esquinas do luxo
Trata-se de um quadrilátero.Fica em Ipanema e é formado por Garcia d’Ávila, Aníbal de Mendonça, Barão da Torre e Visconde de Pirajá. Ali se concentra o comércio de rua mais chique do Rio. Louis Vuitton, Elle et Lui Maison, H.Stern e NK Store são algumas das grifes de destaque desse shopping de luxo a céu aberto.


422 Os bares de jazz
Nem só de samba vivem os boêmios bairros da Lapa e de Santa Teresa. Amantes do jazz encontram bons shows no Santo Scenarium, no Casual Retrô, na Brasserie Rosário e na Lapinha.

423 A trilha sonora do Rio
No fim dos anos 50, surgiu na cidade um estilo musical com uma batida de violão diferente, desenvolvida pelo músico baiano João Gilberto. Era a bossa nova, a música, que logo virou bossa nova, o movimento, agrupando jovens talentos como Tom Jobim, Nara Leão, Carlos Lyra e Roberto Menescal. Eles faziam um samba brasileiro, com pitadas de jazz, que ganhou o mundo como a trilha sonora do Rio.

 

424 Massa no ponto
O espaguete à carbonara do Enosfera, no Leblon, acerta ao equilibrar macarrão, creme e bacon na medida certa. E ainda por cima é um prato farto. Custa 39 reais.


425 Uma rua gourmet
A Rua Dias Ferreira, no Leblon, reúne várias instituições da mais alta gastronomia carioca, como Zuka, Carlota, Sushi Leblon e Quadrucci. Desse jeito, só fica faltando, claro, lugar para estacionar.


426 Os chatos que ajudam

O Rio se orgulha das associações de moradores que são atuantes e que, de fato, discutem e repensam os problemas de cada bairro. Podem ser citadas como mais organizadas as do Leblon, da Urca e do Jardim Botânico.


427 TV Globo
Nasceu aqui, nos anos 60, e virou uma instituição nacional. Projeta o Rio pelo Brasil afora, por exemplo, em cada novela que vai ao ar. Referência em informação, profissionalismo, entretenimento e programação de qualidade, é um grande orgulho da cidade.


428 Nu com a mão no bolso
A Praia do Abricó, ao lado de Grumari, é a sede carioca do naturismo. Pequena, reservada, virou um paraíso urbano para quem gosta de banho de mar pelado. Ali, até os barraqueiros têm de ficar sem roupa.
Claudia Martins / Ag. O Dia

429 Restinga da Marambaia
Administrada pelo Exército, ela lembra um braço fino que se estende mar adentro. Vista de cima, da janela do avião, é uma coisa impressionante. São 42 quilômetros de praias, usadas para exercícios militares e deleite de presidentes.

430 Pérola modernista
Condomínio incomum, em Benfica, a construção lembra a forma de uma minhoca. O lugar foi projetado pelo arquiteto Affonso Reidy, tem painéis de Cândido Portinari e jardins de Burle Marx. Construído entre 1947 e 1952, é um marco internacional da arquitetura modernista.


431 Centro vazio
Só no fim de semana, sem movimento de carros, você consegue ver a beleza que é o centro da cidade. Dica de circuito, que dá para fazer a pé: Rua Primeiro de Março, depois Avenida Rio Branco e, em seguida, a Cinelândia. Se for domingo, atravesse o Aterro (que estará fechado para carros) e chegue ao Museu de Arte Moderna.


432 Dublin em Ipanema
Os pubs Shenanigan’s e Irish trazem um pouco do clima da Irlanda para o agito do bairro, com direito a balcões de madeira e decoração típica.

433 Doutores em gente
Com escritórios no Castelo e no Maracanã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza, a partir de suas duas bases cariocas, todos os grandes cálculos sociais, econômicos e, principalmente, demográficos do país. É o caso do censo de 2010, que contabilizou os 6 323 037 moradores da cidade.

 

434 Bairro com cadeado
Fez muito bem à Lapa a decisão de fechar o trânsito nas noites de sexta e sábado. Ficou mais fácil e mais prazeroso curtir esse nosso Pelourinho, seus bares, sua música e sua fauna.


435
Mergulho na ilha
O nome estranho vem da sujeirada que os pássaros fazem nas pedras. Mas, sob a água, o panorama das Ilhas Cagarras é deslumbrante, um cenário que atrai mergulhadores e praticantes de pesca submarina.


436 Baianos in Rio
Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia... Todos eles da Bahia, todos morando atualmente no Rio. Caetano, por exemplo, adora ver o mar todo dia, da varanda de seu apartamento na Avenida Vieira Souto, em Ipanema. Eles acham aqui bárbaro. E a cidade os acha bárbaros também.


437 O palco da MPB
Sim, o Canecão acabou, sabemos. Mas deve renascer como centro cultural que a UFRJ, dona do terreno, quer erguer no lugar que serviu de palco a shows memoráveis da música popular brasileira.


438 Fábrica de gênios
O Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, fundado em 1952, é um centro de excelência mundial. De seus quadros saem pesquisas nas áreas de computação gráfica e petróleo, por exemplo.


439
Atração natalina
Desde 1996, a árvore de Natal da Lagoa se integra à nossa paisagem urbana no fim do ano. Ela é instalada em dezembro e pode ser vista até janeiro. Atrai tanta gente que são (ainda mais) comuns nessa época os engarrafamentos nas avenidas Epitácio Pessoa e Borges de Medeiros.


440 Manobras no Céu
O Rio faz parte do circuito mundial de Air Race, aquele esporte de exibição com pequenos aviões fazendo acrobacias, dando rasantes entre postes de plástico. Na Marina da Glória, fica especialmente emocionante e bonito de ver.


441 Celeiro da economia
Criada em 1944, a Fundação Getulio Vargas é o centro de ensino responsável por boa parte das pesquisas de caráter econômico e social do país. Ter graduação, mestrado ou doutorado na FGV é garantia de emprego certo.


442 Dupla dinâmica
Amigos de longa data e parceiros de negócios, Luiz Calainho e Alexandre Accioly são empresários hoje onipresentes em eventos de entretenimento do Rio, como os bailes de Carnaval no Cais do Porto.
443 Arte no cofre


443 A Caixa Cultural tem duas unidades no Centro: uma na Avenida Chile, mais antiga, outra na Rua Almirante Barroso, na sede do banco na cidade, com teatro de arena, dois cinemas, três galerias de arte, uma livraria e salas de oficinas e ensaios.


444 Jovens virtuoses
Em meio à efervescência da Lapa fica a Escola Portátil de Música, que privilegia a educação musical com base no chorinho. Aos sábados, seus alunos mostram o que sabem nos jardins da UniRio, na Urca.


445 Safári carioca
A Jeep Tour nasceu em 1992 com um único veículo e a proposta de fazer roteiros meio urbanos, meio selvagens no Corcovado, na Floresta da Tijuca e na favela da Rocinha. Sucesso entre os estrangeiros, tem hoje uma frota de 35 jipes.

 

446 O guia da cidade
Desde 1992, VEJA RIO oferece todas as semanas a seus leitores reportagens relevantes sobre a vida da cidade, seus personagens e suas atrações. Temos orgulho de ser, há quase duas décadas, a cara da Cidade Maravilhosa.