COTIDIANO
Malhação ao ar livre
Circuito de ginástica na areia se espalha e atrai alunos em busca de força, flexibilidade e céu aberto
por Melissa Jannuzzi | 02/05/2012 16:47

Quintal preferido do carioca, a praia permite toda forma de lazer. Dos atletas em ação antes do nascer do sol aos boêmios que se esbaldam em luau madrugada afora, ela se presta à diversão 24 horas. É difícil encontrar uma modalidade esportiva que, salvo o basquete, não tenha lugar na areia. Pois esse democrático território abriu espaço para uma atividade diferente, mas que também faz suar a camisa: o treinamento funcional. Essa é a denominação dada ao circuito que reúne uma série de exercícios realizados com o auxílio de elásticos, bolas, cones e bambolês. Entre os apetrechos, chama atenção um miniparaquedas que fica preso às costas da pessoa e exige dela esforço redobrado quando for correr. Da Barra da Tijuca a Botafogo, as tendas de malhação proliferam, com funcionamento geralmente limitado aos períodos da manhã e da noite. "É um trabalho que dá condicionamento e melhora a resistência aeróbica", destaca o professor de educação física Adevan Pereira, um dos pioneiros no gênero, com cinco pontos espalhados pela orla e 360 alunos cadastrados.
Clique na imagem e veja os equipamentos usados na série do treinamento funcional à beira-mar.
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O treinamento funcional reúne certos trunfos em comparação às academias. É atraente a possibilidade de fazer ginástica a céu aberto, contemplando a bela paisagem do Rio. Em relação aos exercícios, a areia é um piso benéfico para trabalhar determinadas partes do corpo, propiciando movimentos semelhantes aos que fazemos no dia a dia. Afinal, nem sempre conseguimos caminhar em linha reta, sem obstáculos, ou sobre uma superfície totalmente plana. "Solos instáveis, como a areia, fazem com que o aluno use os músculos estabilizadores das costas e do abdômen", enfatiza a professora Mariana Brito, instrutora de um grupo na Lagoa. "Essa técnica dá firmeza ao corpo e ajuda a prevenir as lesões causadas por movimentos bruscos." Em busca do bem-estar, a publicitária Mariana Teixeira trocou a musculação e a ginástica localizada pela atividade na Praia do Leblon. Pesou na decisão o incômodo com o ambiente claustrofóbico de muitas salas de ginástica. "Fazer exercício era encarado por mim como uma obrigação. Hoje faço com prazer e me tornei assídua. Senti logo a diferença no corpo", conta ela.
A prática na areia tem como marca a variedade de exercícios (veja o quadro), que aprimoram equilíbrio, força, flexibilidade, agilidade e resistência. Há espaço de sobra para correr em zigue-zague, dar passes e cabeçadas com uma bola de futebol ou se esticar com a ajuda de uma faixa de tecido. Devido principalmente ao piso irregular, todas as atividades exigem muito dos músculos de coxas, glúteos e panturrilhas, o que torna o processo mais intenso. Uma sessão de 45 minutos ao ar livre queima em torno de 400 calorias gasto similar ao obtido em uma aula de spinning. "Quem está acostumado com ambiente fechado acha aqui fora mais difícil", avisa a professora Mariana. O aspecto financeiro é outro fator de sedução. As mensalidades estão na faixa de 150 reais, em média, valor compatível com o de uma academia de bairro e pelo menos a metade do que é cobrado pelas grandes redes. Aparentemente, um negócio que satisfaz os alunos e também é vantajoso para os instrutores, uma vez que a prefeitura não cobra taxa pela utilização do espaço público. O único problema que pode surgir é algo alheio à vontade dos homens. "Só paramos quando a chuva ou o vento estão muito fortes", diz o professor Pedro Menezes, que atua à beira-mar do Leblon.







