O amor acaba

Primeira adaptação brasileira de O Bosque, de David Mamet, ganha temporada no CCBB

AVALIAÇÃO ✪

Prestigiado dramaturgo americano, mas pouco encenado por aqui ? dele, apenas Perversidade Sexual em Chicago, Edmond e Oleanna ganharam os palcos da cidade ?, David Mamet costuma provocar expectativa. Não foi diferente com a primeira produção brasileira de O Bosque. Escrita em 1977, a peça é considerada pela crítica americana um de seus mais importantes textos. Trata-se de uma pérola do new realism, gênero pautado por diálogos naturalistas recheados de metáforas. Todas as falas de aparência banal do casal formado por Ruth (Cristine Perón) e Nick (Bruno Kott) foram preservadas na tradução de Roberto Alvim e Júlia Novaes. No entanto, o muito que essas conversas podem sugerir é escondido pela direção de Alvise Camozzi, veneziano de 36 anos radicado há uma década em São Paulo.

Na trama, os namorados passam um fim de semana na casa de campo da família do rapaz. Ali, entre uma conversa à toa e outra, os dois se dão conta do vazio de suas vidas e do quanto estão distantes, apesar de viverem tão grudados. Ao privilegiar a penumbra, o desenho de luz de Guilherme Bonfanti contribui para tornar a sessão um tanto enfadonha. Em dois momentos os atores atuam na escuridão absoluta e a impressão é de que houve alguma pane técnica. O resultado geral beira a frustração. Na primeira montagem nova-iorquina, em 1979, com Chris Sarandon e Christine Lahti, a peça não foi bem-sucedida. A seguinte, de 1982, com Peter Weller e Patti LuPone, teve temporada consagradora. Resta-nos esperar mais um pouco.

O Bosque (60min). 16 anos. Estreou em 16/6/2011. Centro Cultural Banco do Brasil ? Teatro III (90 lugares). Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2007. Quarta a domingo, 19h30. R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 9h (qua. a dom.). Até 7 de agosto.

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