História do biquíni ganha exposição no CCBB

Estrela da praia, referência cultural e inspiração para as artes, o traje de banho queridinho do Brasil completa 70 anos

O engenheiro francês Louis Réard (1896-1984) sabia do potencial explosivo de seu invento — tanto que, ao batizá-lo, inspirou-se no Atol de Bikini, conjunto de ilhas no Oceano Pacífico usado para testes nucleares do governo americano. A bomba de Réard, o primeiro biquíni, apresentado ao mundo à beira de uma piscina em Paris, em 1946, mudou a moda e o comportamento para sempre. Na celebração dos setenta anos de criação da peça, em 2016, a jornalista Lilian Pacce lançou o livro O Biquíni Made in Brazil (Editora Arte Ensaio). Ela está de volta ao assunto, agora como curadora da exposição Yes! Nós Temos Biquíni, que ocupa o Centro Cultural Banco do Brasil a partir de segunda (15). O acervo selecionado, com 120 itens, inclui fotos artísticas, históricas e de moda, modelos que marcaram época, pinturas, esculturas e até objetos arqueológicos. Com esse conjunto, Lilian pretende traçar um panorama do popular “duas-peças”, da Antiguidade à última tendência nas passarelas.

Nessa longa história, o Brasil tem participação de destaque. “O biquíni revolucionou o mundo, mas nosso país revolucionou o biquíni”, conta Lilian. Estão garantidos na mostra momentos de pioneirismo nacional — entre eles, o (então) polêmico retrato da atriz Leila Diniz (1945-1972) grávida, barrigão exposto, fazendo pose à beira-mar um ano antes de sua morte prematura. “É interessante perceber que a moda praia sempre esteve diretamente ligada às conquistas femininas”, explica a curadora. Ao sul do Equador, a alemã radicada no Rio Miriam Etz causou sensação no fim da década de 30 ao pegar sol no Arpoador vestindo um duas-­peças de produção própria. No fim dos anos 50, o biquíni começou a ser mais difundido, principalmente por meninas ousadas como as vedetes Carmen Verônica e Norma Tamar. Essas e outras brasileiras, como a Garota de Ipanema, Helô Pinheiro, além de Leila Diniz, Roberta Close e Gisele Bündchen, são personagens marcantes na trajetória do biquíni, ao lado de estrelas internacionais do naipe de Brigitte Bardot — a diva francesa eternizou o traje usando um modelo xadrez vichy no filme E Deus Criou a Mulher (1956).

(divulgação/Veja Rio)

Para dar conta dessa saga, Yes! Nós Temos Biquíni ocupa o 2º piso do Centro Cultural Banco do Brasil com acervo eclético. A coleção inclui antepassados das tangas, como peças usadas em antigos rituais e encontradas na Ilha de Marajó. Também serão exibidas obras feitas especialmente para a coletiva — é o caso de uma instalação de fotos de Cássio Vasconcelos e de uma releitura de Stripencores, criação do artista plástico Nelson Leirner, de 1967. Em seu doce balanço através da história, o modelo de pouco pano e potencial explosivo tem lugar garantido no coração e no guarda-roupa das cariocas. ß

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