Grandes mudanças em hotéis prometem restaurar o brilho de Copa

Novos empreendimentos e reformas na orla buscam resgatar o glamour do bairro mais emblemático do Rio como destino dos turistas de alto poder aquisitivo

Em uma transformação colossal, a capacidade hoteleira carioca ascendeu a outro patamar com o embalo olímpico. Por toda a cidade viu-se brotar uma enxurrada de empreendimentos que hoje somam mais de 60 000 quartos, o dobro de seis anos atrás. Estima-se que tal movimentação tenha consumido cerca de 7 bilhões de reais entre as novas unidades e a reforma das que já existiam. A maioria, seja pelo espaço disponível, seja pela proximidade do Parque Olímpico, fica na área da Barra da Tijuca. No antigo epicentro hoteleiro do Rio, a Praia de Copacabana, as mudanças foram tímidas (isso quando de fato existiram). Agora, quase um ano depois dos Jogos e no meio de uma turbulência econômica, o velho bairro praiano da Zona Sul se prepara para sacudir a areia acumulada e apresentar novidades. De uma só tacada, três endereços emblemáticos da Avenida Atlântica passam por grandes mudanças. Há uma semana, a fachada do antigo Le Méridien e mais recentemente Windsor Atlântica ostenta o logotipo da cadeia americana Hilton. Em breve, o venerando Copacabana Palace passará por mais uma reforma, desta vez concentrada na área de sua lendária piscina e do restaurante Pérgula. Na outra ponta da praia, no Posto 6, tapumes cobrem os acessos do antigo Sofitel, que reabrirá com o nome de Fairmont Copacabana, o primeiro da marca na América do Sul, que tem em sua coleção de empreendimentos o Plaza de Nova York e o Savoy de Londres. “Estar bem posicionado na orla de Copacabana é fundamental para qualquer grande grupo hoteleiro. É um lugar icônico e estratégico”, resume o francês Patrick Mendes, CEO da rede AccorHotels, que adquiriu recentemente o grupo canadense Fairmont e decidiu trazer a marca para o Brasil.

Restaurante Pérgula: no pacote de reformas do Copa (Reprodução/Reprodução)

Com um passado glorioso e atributos reverenciados mundo afora, o trecho de praia entre o Leme e o Forte de Copacabana continua a ser o primeiro lugar na preferência dos turistas estrangeiros. Não é à toa que o reposicionamento do antigo Sofitel e as obras para receber o Fairmont, com duração prevista de catorze meses e orçadas em 250 milhões de reais, são o maior investimento global da AccorHotels. A reforma englobará os 400 quartos e a área de lazer com duas piscinas. Entre as novidades, o local ganhará um spa, restaurantes e bares. O investimento em Copacabana vem reforçar a posição da Accor como a rede líder em número de hotéis no Rio. Em quatro anos, a empresa francesa reformou ou inaugurou 25 unidades, somando 32 operações no estado. “Acreditamos que o pior da crise econômica já passou. Agora estamos trabalhando com as autoridades para reverter a imagem de falta de segurança”, acrescenta Mendes.

Vista geral do prédio do Sofitel, que reabrirá como Fairmont: padrão semelhante ao do Plaza de Nova York e do Savoy de Londres (Reprodução/Reprodução)

A futura piscina do hotel: reabertura prevista para 2018 (Reprodução/Reprodução)

Hotel-símbolo do Rio, o Copacabana Palace se arma para manter a majestade ante os concorrentes mais novos e modernos. A proprietária do empreendimento, a companhia britânica Belmond Ltd. (antiga Orient-­Express), investirá 10 milhões de reais em reformas. A emblemática piscina será fechada em meados de julho e as obras se estenderão por 45 dias. Seu revestimento vai ser trocado, e a estrutura receberá borda infinita e iluminação especial à noite. Construída em 1934, onze anos após a abertura do hotel, a piscina é uma espécie de coração do Copa (veja o quadro abaixo). O restaurante Pérgula, parte do conjunto e o local onde Walt Disney teria criado o personagem Zé Carioca, também será reformado no período de junho a setembro. Ganhará piso inspirado no calçadão, teto espelhado e uma cozinha aberta, em que os pratos serão finalizados diante dos clientes. “O Copa é um hotel clássico, sim, mas também atual, preocupado com o conforto, a tecnologia e as tendências”, explica Andréa Natal, diretora-geral do hotel.

(Veja Rio/Reprodução)

Mesmo com todas as intervenções que a cidade sofreu nos últimos anos, é inegável que Copacabana segue como a menina dos olhos do mercado hoteleiro. Depois de fincar sua primeira bandeira na Barra, em 2015, o grupo Hilton acaba de se estabelecer na Avenida Atlântica, no prédio que já abrigou o Le Méridien. Adquirido pelo Blackstone, líder global em investimentos imobiliários, o imóvel ficará sob a administração da cadeia hoteleira americana. Serão mantidos os 545 quartos, dois restaurantes e três bares, e revitalizadas as áreas de piscina e lazer — no 4º e 39º andares. A ideia é abrir tais locais para eventos e oferecer o sistema de day use aos cariocas. “Copacabana apresentou o Rio ao mundo e ainda é o principal cartão-postal da cidade”, avalia Laura Castagnini, que saiu do comando do Hilton Barra para assumir a direção-geral do novo endereço da marca. Quem um dia foi princesinha jamais perde a majestade.

O prédio do antigo Le Méridien, com o símbolo da rede Hilton: 545 quartos e áreas de lazer abertas aos cariocas no sistema de
day use (Hotéis Hilton/Divulgação)

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