A preparação dos atores para viver em cena personagens reais

Luis Lobianco, Carol Fazu e Stella Maria Rodrigues contam os segredinhos para "canalizar" as cantoras que interpretam

Três cantoras – cada uma à sua maneira – ganharam homenagens nos palcos cariocas. São elas: a estrela do rock’n’blues dos anos 60 Janis Joplin (1943 – 1970), o ícone da era de ouro do rádio Emilinha Borba (1923 – 2005) e a performática Gisberta, que cativou os palcos portugueses com seus números musicais. As três montagens biográficas resgatam vida e obra das artistas em emocionantes espetáculos, que vêm fazendo sucesso no circuito da cidade. Conversamos com os três atores à frente dos monólogos para saber como eles “canalizam” os personagens antes das apresentações. Confira abaixo:

(Elisa Mendes/Divulgação)

Luis Lobianco (Gisberta)
É uma peça que mexe muito com as pessoas, que na maioria das vezes entra em contato com a história pela primeira vez durante a peça. Durante os ensaios, essa história mexeu muito comigo e com a minha equipe, mas hoje estou muito seguro. Tão seguro que preciso me policial para não sair muito feliz do camarim para cumprimentar as pessoas depois da sessão (risos). Antes do espetáculo, faço exercício de fisioterapia e de fortalecimento dos músculos. Também passo uma escova pelo corpo para ativar a circulação e não dispenso o ritual da maquiagem. É meu momento de concentração: coloco uma música e passo o texto na cabeça. No meu camarim também não pode faltar água de coco para hidratar.

(Dalton Valerio/Divulgação)

Stella Maria Rodrigues (Emilinha)
Faz tempo que estou mergulhada no universo da Emilinha, por conta do outro espetáculo que fiz chamado Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio. É uma loucura interpretar um personagem que já existiu; a responsabilidade é muito grande. Quando termino a sessão, vou falar com a plateia e muitos deles tiveram contato com ela – ou eram amigos ou viram ela em vídeos. A forma como entro em contato com Emilinha Borba é muito forte, até porque, em cena, estou usando roupas que realmente pertenceram a ela. Assim como a faixa e a coroa de Rainha do Rádio. Também escolho um perfume a cada temporada: nesta é La Vie Est Belle, que combina muito com ela.

(Manuela Abdala/Divulgação)

Carol Fanzu (Janis)
Quando eu chego ao teatro, duas horas antes do início da peça, aqueço corpo e voz, e aproveito a companhia dos músicos e da equipe. A evocação acontece apenas em um dos seus significados: trazer à memória. Todas as noites trago Janis Lyn Joplin à minha memória – seu sorriso, seu olhar. Porém, mais que isso, eu a trago na memória, não de agora, mas de um longo e antigo convívio. Algumas vezes coloco suas músicas para tocar no meu celular enquanto faço a maquiagem, outras vezes eu fico cantando ali com os meninos da banda alguma música dela que não entrou no repertório da peça – a gente gera alegria e energia positiva em torno do nosso trabalho. A dramaturgia de Janis traz o seguinte pensamento: “Onde eu estou agora? Eu estou por tudo quanto é lado, inclusive aqui, onde não estou.” Não é bonito isso? Um pouco antes de entrar em cena, fico alguns minutos concentrada e em silêncio no que podemos chamar de uma meditação ou uma oração à minha maneira.

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