O charme do pisca-pisca

Normalmente relegado às árvores de Natal, o artefato luminoso se espalha por outros ambientes

Passados quase três séculos, o postulado científico do químico francês Antoine Laurent de Lavoisier se tornou um mantra dos aficionados de decoração: em uma casa, nada se perde, tudo se transforma. Tecidos esquecidos viram papel de parede, bancos velhos são reaproveitados depois de uma bela demão de tinta e porta-retratos reencarnam como espelhos. Em resumo, a ideia é pôr a mão na massa para reinventar peças e conferir ao lar um toque personalizado e exclusivo. Na crista da onda desse movimento, chamado pelos americanos de do it yourself, ou “faça você mesmo”, em português, está o pisca-pisca, acessório que, além de barato, confere um charme acolhedor aos ambientes. Após as festas de fim de ano, ele pode ser visto repaginado, dentro de garrafas, enrolado em espelhos ou enfeitando móveis. “O segredo é não exagerar na quantidade de pisca-piscas num mesmo recinto e, mais do que simplesmente pendurá-los em qualquer lugar, transformá-los em fontes úteis de luz”, acredita a publicitária Thalita Carvalho, que adaptou as fitas luminosas para decorar três cômodos de seu apartamento.

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Poucos desses truques surtem tanto efeito quanto o uso de luzes indiretas. Além da sensação de aconchego que proporcionam, elas direcionam o olhar, criando pontos suaves no que interessa ser visto, como um belo quadro ou um cantinho especial da residência. “A iluminação certa é essencial na decoração, sendo capaz até mesmo de salvar um projeto ruim”, garante o iluminador Maneco Quinderé. Há mais de trinta anos no mercado de espetáculos teatrais, passarelas da moda, restaurantes e residências, ele é mais um entusiasta dos pisca-piscas. Em sua casa no Vale das Videiras, em Petrópolis, Quinderé enfeitou uma das janelas com pequenas lâmpadas envolvidas em chita colorida. Tecido, plástico e até mesmo papel são exemplos de materiais que podem ser adaptados ao artefato, uma vez que os filetes de LED não oferecem risco de esquentar.

Tradição na decoração de fim de ano, a primeira fita iluminada em uma árvore natalina surgiu em 1882, fruto da parceria entre o empresário americano Edward Hibberd Johnson e seu conterrâneo Thomas Edison, inventor da lâmpada elétrica incandescente. Tinha oitenta bulbos vermelhos, brancos e azuis do tamanho de uma noz. Treze anos mais tarde, em 1895, o presidente Grover Cleveland popularizou a criação da dupla ao ligar o primeiro pinheiro de Natal da Casa Branca com luzinhas da General Electric Co. Não tardou para que elas começassem a ser usadas em todas as residências às vésperas do Natal. Daqui por diante, parece que não voltam mais para o armário.

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