O mais velho do mundo

Vinho do Porto datado de 1867 chega ao Rio como estrela de festival que começa na segunda (15)

Há ocasiões em que tradição, técnica e natureza convergem para produzir um vinho excepcional. É o caso de safras míticas como as do Mou­ton-Rothschild 1945, Cheval Blanc 1947 e Latour 1961, todos franceses. Nenhuma delas, entretanto, pode ser comparada em longevidade e complexidade à que deu origem a um Porto que hoje repousa em barricas nas caves centenárias da Real Companhia Velha, em Portugal. Produzido em 1867, é uma das bebidas mais raras do mundo. “Seu processo de feitura, por exemplo, envolve cerca de 100 variedades de uva, muitas delas extintas ou nunca catalogadas”, reforça o sommelier Marcelo Copello. Essa joia em estado líquido, provavelmente o mais velho vinho de guarda de que se tem notícia, será o destaque da degustação de Portos raros promovida, nesta segunda (15), no restaurante Mr. Lam. É coisa para bico fino: para degustar 35 mililitros da raridade ? e também outros treze exemplares produzidos a partir de 1938 ?, é preciso desembolsar 750 reais.

A bebida que os cariocas terão oportunidade de experimentar durante a programação do Rio Wine & Food Festival foi engarrafada em 2006 para comemorar os 250 anos da vinícola. Trata-se de uma edição limitada corrigida com pequenas quantidades das mais importantes safras do século passado elaboradas pelo produtor. “Como a base é muito velha, as variedades mais jovens agregam frescor, equilíbrio e complexidade”, explica Pedro Silva Reis, dono da vinícola. Quem já provou garante que se trata de uma preciosidade. “Apesar da idade, mantinha o aroma de frutas secas bem delicadas, e uma cor límpida tendendo para o topázio. É um clássico que resistiu ao tempo”, diz Carlos Cabral, fundador da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho.

Lipe Borges

Lipe Borges

Invenção de ingleses que viviam na região do Douro e acrescentavam aguardente na bebida para conservá-la durante as longas travessias marítimas, o vinho do Porto desembarcou no Rio junto com os colonizadores portugueses. E agradou em cheio ao paladar local. Durante a República, já éramos o maior centro importador da bebida ? em 1906, das 500?000 garrafas exportadas para o Brasil pelo produtor Adriano Ramos Pinto, 70% foram consumidas aqui. Como gesto de gratidão, Pinto presenteou a cidade com a fonte de mármore que hoje enfeita a entrada do Túnel Novo, em Botafogo. Um monumento que, infelizmente, não anda tão bem conservado como as raridades etílicas portuguesas.

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