Tapioca brilha no menu de restaurantes finos

Confira cinco novos usos da iguaria brasileira, que vai bem tanto em pratos principais como na sobremesa

É cíclico: de tempos em tempos, a alta gastronomia carioca elege um ingrediente, uma especiaria, uma comidinha aparentemente sem grandes ambições e os promove à categoria de quitute refinado. Já aconteceu, no passado, com a rapadura, houve o boom do tomate seco, e não há dúvida de que, nos últimos anos, o hambúrguer virou item chique no menu de distintos restaurantes, a exemplo dos sanduíches do Irajá, em Botafogo, com a assinatura do chef Pedro de Artagão. Agora parece ser a vez da tapioca. Sem glúten, com dose ínfima de gordura e de fácil preparo, essa mandioca, com jeitão nordestino e sílabas gostosas de falar, ganhou um sobrenome, agora é “tapioca gourmet”, e vem se destacando nas melhores mesas do Rio. É claro que a moda traz consigo preços que nem sempre se harmonizam com a simplicidade do quitute. Mas geralmente vale a pena.

A iguaria, de origem indígena, por muitos chamada de biju, faz, desde 2013, a cabeça da turma fitness. E, se antes só era encontrada em barracas populares do Pavilhão de São Cristóvão, hoje brilha no cardápio de estabelecimentos como o Zazá Bistrô, o Oro e o Le Pré Catelan. E são um sucesso as tapiocarias especializadas, entre elas a Bijucafé, no Centro, além do food truck Tapí, sempre mudando de endereço. Entre opções salgadas e doces, criou-se, acredite, um caviar de tapioca ­— na CT Brasserie, de Claude Troisgros. O prato já foi degustado até pelo chef inglês Jamie Oliver e também por Vincent Cassel, ator francês. “Apenas passamos a valorizar um ingrediente que está na mesa de muitos brasileiros, e a partir dele bolamos receitas contemporâneas”, diz Roland Villard, do Pré Catelan, restaurante que desde 2008 aposta nessa delícia branquinha. Quase sempre leve e com aura de que faz bem à saúde, a tapioca merece a atenção recé­m-conquistada. Sem falar que, além de tudo, é uma rima perfeita para carioca. ■

_tomás-rangeldivulgação

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Endereço das delícias:

Oro – Um snack de tapioca foi criado há duas semanas e está no menu degustação da casa, que custa 195 reais.

Laguiole – Boa-nova é o pudim de tapioca com coco, abacaxi, infusão de especiarias e calda quente, por 28 reais.

Zazá Bistrô – Desde o mês passado servem ali uma tapioca de queijo de coalho com tomatinhos, damasco e gengibre, que está saindo a 29 reais. 

CT Brasserie – A atração por lá é o carpaccio de palmito e vieiras com caviar de tapioca, a 48 reais.

Empório Jardim – Uma tapioca com brie e presunto de Parma está no cardápio desde março, por 17 reais.

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