… Jerry Adriani

Houve um momento, no auge da jovem guarda, em que Jerry Adriani tinha popularidade comparável à de Roberto Carlos. Como o Rei, Adriani passou para uma bem-sucedida carreira de intérprete romântico. Em 1974, apostou as fichas no espetáculo Brazilian Follies, no Hotel Nacional, sonhando em seguir com a trupe para Las Vegas. Não deu certo, e ele chegou a pensar em abandonar a profissão. Essas e outras histórias serão lembradas pelo cantor no projeto Samba & Outras Coisas, no Teatro Sesi, na sexta (8), mistura de bate-papo e números musicais. No repertório, além de sucessos, podem aparecer inéditas de seu novo disco, Pop Jerry Rock.

Neverland, do novo disco, é uma homenagem sua a Michael Jackson. De onde veio a ideia? Conheci o Michael Jackson quando fazia o Brazilian Follies, um show no estilo Las Vegas, que terminava com as mulatas naqueles figurinos belíssimos. Era genial. Um dia fui subindo as escadarias do Hotel Nacional e vi aqueles rapazes do Jackson 5. Aí os convidei para assistir ao espetáculo. Tirei dinheiro do meu bolso, porque o diretor do show não liberou a entrada deles. No dia seguinte, estou no camarim e me entra aquela garotada, inclusive o Michael. Chegaram me chamando de Elvis. Fiz uma foto com ele. Era um grande artista; a vida dele resume um pouco o que é a vida do artista.

Você viveu a histeria da jovem guarda. Como é o assédio das fãs hoje? Ainda vivo isso nas minhas viagens. Só em maio fizemos dezessete shows pelo Brasil. Hoje aquelas mesmas meninas, que tinham seus 14, 15 anos e azucrinavam, choravam e chegavam a ponto de rasgar nossas roupas, cresceram. Muitas delas chegam perto de mim depois dos shows para contar histórias antigas. E ainda choram, mas é menos histeria e mais sentimento.

A turma era grande, mas só Roberto Carlos se tornou o Rei. Como isso aconteceu? A exemplo dos corredores de maratona, num determinado ponto ele teve mais fôlego que todo mundo e disparou. Ele cresceu junto com o público. Envelheceu com as pessoas. Deixou de cantar É Proibido Fumar, Parei na Contramão para cantar Detalhes. Enquanto isso eu queria ser o Tim Maia. O importante é fazer, não adianta olhar para o que o outro faz e para o que o outro tem.

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