Peça conta a trajetória do projeto CEP 20 000

A história é revista pelo próprio fundador, o performático Chacal

A poesia contemporânea carioca e boa parte da pulsação de nossa cena underground nos últimos quarenta anos devem muito a Chacal, pseudônimo do produtor Ricardo de Carvalho Duarte. Nos anos 70, valendo-se de mimeógrafos para reproduzir textos, ele já apresentava seus versos em palcos e esquinas da cidade. Em 1990, acabaria fundando, ao lado de Guilherme Zarvos, o CEP 20 000, no Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá. O nome juntava uma sigla (Centro de Experimentação Poética) com o código de endereçamento postal do Rio, e o movimento que gerou, resistente até hoje, serviu de impulso para autores como Michel Melamed e grupos como Boato e Bangalafumenga. Sua trajetória está sendo revisitada em XXV: Um Quarto de Século do CEP 20 000, que estreou nesta semana no Sesc Copacabana. Uma das marcas do projeto é a experimentação, com performances que integram palco e plateia, e isso está presente na peça. Alguns anos antes do CEP, havia feito sucesso, nessa mesma linha, o Nuvem Cigana, coletivo que reuniu poetas como o próprio Chacal, além de Ronaldo Bastos e Bernardo Vilhena. A foto acima é da época: com 24 anos, no Parque Lage, Chacal aparece “falando” versos, como ele prefere dizer, em vez de “declamando”, que pode soar mais formal e antiquado.

NA PONTA DA LINGUA

Alguns exemplos de letristas que, cantando ou declamando, são parte da história do CEP 20 000

Jorge Mautner

Em duo com o violonista Nelson Jacobina, o músico foi responsável por belosshows dentro do projeto.

Waly Salomão

O letrista, já falecido, era fã da iniciativa. Seu irmão mais novo, Jorge, também já falou muita poesia naquele palco.

Pedro Luís

O fundador do Monobloco diz preferir letra de música a poesia, mas não fez feio por ali em meados dos anos 90.

Michel Melamed

Atento a linguagens novas, une tecnologia, teatro e performance. Iniciou sua carreira no Sérgio Porto.

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