Temporada de aguaceiros

No próximo domingo a prefeitura faz uma operação de treinamento para enfrentar temporada de chuvas na cidade

Com a aproximação do verão, começa também a temporada de temporais na cidade. Para evitar os transtornos que assolam o Rio a cada chuva forte, a prefeitura vai fazer, no próximo domingo, uma simulação de emergência. Entre as medidas adotadas, estão a interdição de vias de acesso à Praça da Bandeira – ponto crõnico de enchentes, e a interdição da autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. As ações serão feitas no horário da manhã, entre as 9h e 10h. Serão destacados 200 profissionais para a simulação. Relembre abaixo cinco chuvas históricas, que pegaram o Rio de surpresa e trouxeram grandes prejuízos à cidade.

1966 – O temporal de janeiro deste ano foi o maior da história da cidade. Choveram 282 milímetros no Rio, deixando 300 mortos e 30 000 desabrigados. A cidade mergulhou no caos, com destruição da Avenida Niemeyer e desabamentos generalizados em favelas. A Rocinha, bem menos populosa do que atualmente, precisou ter toda sua população evacuada. O bairro de Santa Teresa ficou cinco dias isolados do restante da cidade e um barranco desabou no alto da rua Santo Amaro, na Glória, matando 100 pessoas. A tragédia motivou a criação do instituto Geo-Rio pelo então governador Negrão de Lima. O órgão fez obras de contenção de encostas como o Pico Inhangá, em Copacabana. Veja abaixo reportagem produzida em 1988 relembrando o temporal.

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1967 – Um ano após a tragédia, o Rio foi assolado novamente pelo aguaceiro de verão. Em fevereiro de 1967, o bairro de Laranjeiras foi atingido por um desabamento de encosta, que soterrou casas nas ruas Belizário Távora e General Glicério. Somente nesse trecho o rastro de destruição deixou 100 mortos e 300 feridos. A Tijuca também foi duramente castigada com o transbordamento do rio Maracanã e 20 ônibus foram carregados pela força das águas. A destruição no sistema de bondes que subiam o Alto da Boa Vista foi tanta que o transporte naquele trecho foi encerrado para sempre.

1988 – Duas décadas depois, a cidade havia crescido e suas favelas ficaram muito maiores. O morro do Borel foi destruído por pedras que rolaram do alto da montanha. Morreram 300 pessoas em todo estado e uma tragédia chocou o país: a clínica para idosos Santa Genoveva, em Santa Teresa, foi encoberta pela lama. A torrente desceu do alto do morro e entrou pela UTI e a enfermaria, matando 40 pacientes. Relembre abaixo como foi o estrago em 1988.

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1996 – A Zona Oeste foi duramente afetada. Em Jacarepaguá, o condomínio de classe média Capim Melado acabou inundado. Na maior favela carioca, a Rocinha, a terra soterrou seis barracos e duas crianças morreram. No total, 67 pessoas morreram e 2 500 ficaram desabrigadas. A catástrofe motivou a criação do Alerta Rio, sistema que prevê a chegada de tempestades.

2010 – Apesar das tragédias consecutivas das últimas décadas, a cidade pouco investiu na prevenção e viu o quadro de colapso se repetir em abril do último ano. Foi a maior tempestade a atingir o Rio, e os bairros do Andaraí, Santa Teresa e Vila Isabel foram gravemente afetados. Do outro lado da baía de Guanabara, a comunidade instalada no morro do Bumba, outrora um lixão, foi engolida por um deslizamento, 53 pessoas morreram e 1.230 famílias ficaram desabrigadas.

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