Problemas de gestão levam à ruína a renovada zona portuária

Palco de muita festa e motivo de orgulho na Rio 2016, Porto vive uma ciranda financeira

VLT no Porto Maravilha (Antonio Scorza/Agência O Globo)

Notem a confusão: lá atrás, para bancar as monumentais obras do projeto Porto Maravilha sem desfalcar os cofres públicos, a prefeitura do Rio emitiu Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs). Esses papéis mágicos seriam comprados por interessados em construir na região — com os títulos em mãos, empresários garantiriam o direito de elevar o gabarito de seus empreendimentos, lucrando com isso, e, de quebra, proporcionariam a verba necessária para obras e serviços de manutenção. O negócio parecia tão bom, mas tão bom, que, em 2011, um fundo administrado pela Caixa arrematou o lote todo por 3,5 bilhões de reais. A negociação da papelada, aos cuidados do banco, renderia o dinheiro indispensável para que a concessionária Porto Novo (leia-se: as hoje enroladas Odebrecht, OAS e Carioca Engenharia) mantivesse a área sob sua jurisdição nos trinques, conforme o acertado em parceria público-privada instituída com o poder municipal, em vigor até 2026. Não deu nem para a saída. Palco de muita festa e motivo de orgulho na Rio 2016, a extensão remodelada onde fulguram a nova Praça Mauá e o Boulevard Olímpico foi vítima dessa ciranda financeira: na última terça (4), a concessionária Porto Novo anunciou a determinação de suspender, no dia seguinte, os trabalhos de limpeza, controle de tráfego e manutenção a que era obrigada por contrato. A entidade formada pelas três grandes construtoras não estava recebendo os repasses previstos porque, segundo a Caixa, os Cepacs micaram. Apenas 8% dos papéis foram negociados até hoje. A gestão atual da prefeitura recusou-se a entrar com dinheiro para mitigar o problema, o que já havia sido feito antes, mas vai assumir tarefas numerosas, entre elas a conservação e a manutenção dos sistemas viário e de dragagem, áreas verdes, praças, calçadas e monumentos, além de coleta de lixo domiciliar e limpeza urbana. O cenário desolador enseja soluções criativas. Vale perguntar, por exemplo, onde foram parar as muitas empresas que, em dias melhores, disputavam a tapa um lugar na vitrine fugaz da região portuária.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  1. Antonia De Maria Cordeiro

    Faço caminhada diariamente nessa área até Praça Mauá e nunca vi nem um funcionário da Porto novo e nem de empresa nem uma fazendo limpeza ou qualquer tipo de manutenção. Conheço a turma que trabalha no túnel 450. Mais em manutenção não. Se a prefeitura paga milhões pode ser pra outras coisas, manutenção não.