Júlia Rangel criou a Rede Postinho de Saúde

O objetivo da iniciativa é prestar atendimento às mulheres dos morros do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho

(Felipe Fittipaldi/Veja Rio)

Nos últimos períodos da faculdade de psicologia, Júlia Rangel começou a estagiar no Projeto Olha para Mim, voltado para pessoas em situação de rua. Em meio ao trabalho, ela foi surpreendida pela notícia de que o programa seria encerrado, e decidiu continuar ajudando por conta própria. Por sugestão de um amigo, visitou o Morro do Cantagalo, em Ipanema. “Subi com a cara e a coragem, procurei o presidente da associação de moradores e me ofereci para dar atendimento lá uma vez na semana”, relembra. Através das redes sociais, ela convocou os amigos da área de saúde e convenceu quatro deles a ser voluntários na comunidade. “A associação nos cedeu uma casa e começamos. A princípio, éramos eu, um ortopedista, uma enfermeira, uma nutricionista e um fisioterapeuta”, conta. Aos poucos, Júlia ganhou a confiança dos moradores, o número de voluntários aumentou e, no fim de 2011, ela conseguiu estruturar a Rede Postinho de Saúde.

“Acredito que, se cada um der um pouco, esse pouco vira muito. Eu não vou mudar o mundo, mas posso ajudar algumas pessoas a viver com mais dignidade”

No ano seguinte, diante das péssimas condições do imóvel onde a equipe dava plantão, o projeto foi suspenso. Uma reportagem sobre o encerramento das atividades, porém, garantiu sua continuidade. “Um médico, de São Paulo, viu, veio nos visitar e pagou toda a reforma. Ele acabou se juntando ao grupo e, até hoje, vem a cada quinze dias ajudar.” Atualmente, a Rede Postinho de Saúde recebe mulheres a partir de 13 anos, conta com 35 voluntários e presta cerca de 300 atendimentos por mês. A atual lista de especialidades é grande: assistência médica, psicoterapia, fisioterapia, nutrição e terapias alternativas, como reike, acupuntura e florais. Tudo sem patrocínio. “Contamos com doações e fazemos eventos para arrecadar fundos”, afirma a psicóloga, que tem o apoio da atriz Letícia Spiller como madrinha do projeto. “Acredito que, se cada um der um pouco, esse pouco vira muito. Eu não vou mudar o mundo, mas posso ajudar algumas pessoas a viver com mais dignidade”, diz Júlia, que pela iniciativa recebeu os prêmios Dom, do Grupo Fleury, em 2013, e Fundo de Mulheres, da Brazil Foundation, em 2016.

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