Elo perdido do rock

Livro resgata histórias de bandas hoje desconhecidas que, nos anos 60 e 70, dominaram os palcos cariocas

Imagine a cena. Com a nobre intenção de catequizar a juventude, dois padres da Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, decidem promover uma cerimônia de orações e música. No dia 11 de julho de 1966, a casa de Deus ficou pequena demais para os fãs do grupo The Brazilian Bitles: cerca de 3?000 pessoas se espalharam pelas ruas, provocando o caos no trânsito. Esse é um dos muitos episódios saborosos, e pouco conhecidos, reunidos em Histórias Secretas do Rock Brasileiro (Grupo 5W, 352 págs., R$ 59,90), de Nelio Rodrigues. O livro, que ganha lançamento na quinta (22), na Livraria Blooks, em Botafogo, cobre um período áureo, porém fugaz, entre a primeira metade dos anos 60 e o começo dos 70. No rastro dos Beatles, mas também de Stones, Who, Doors, Yardbirds e por aí vai, garotos se agruparam em bandas que tomaram a cidade. Seu repertório foi ouvido em programas de TV, além de bailes no Monte Líbano e no Caiçaras, ambos no Leblon, no Bangu Atlético Clube, no Olaria e no Grajaú Tênis, entre muitos outros endereços. Atrações desse circuito, The Brazilian Monkeys e Os Selvagens revezaram-se sobre a marquise da loja Ponto Frio, em Copacabana, numa promoção realizada em julho de 1967 – com mais consequências desastrosas para o tráfego local. Depois da fase dos covers que incendiavam os bailes, alguns conjuntos seguiram caminho próprio, a exemplo dos psicodélicos Módulo 1000 e A Bolha (ex-The Bubble), mas foram perdendo fôlego. Repelido à esquerda (a favor da MPB, contra o colonialismo ianque) e à direita (cabeludos cheirando a incenso eram tão ameaçadores quanto um retrato do Che), o rock nacional recuou, antes de voltar com tudo nos anos 80. Mas essa é outra história.

Divulgação

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