Tecnologias verdes

Você já pode adotar uma série de práticas e tecnologias para tornar a sua casa mais sustentável. Saiba quais são elas

Há tempos a sustentabilidade virou palavra de ordem. Virou moda separar o lixo, optar por alimentos orgânicos, trocar o carro pela bicicleta, mas algumas práticas e hábitos continuam lá, estabelecidos dentro de casa. É justamente no ambiente doméstico que boa parte da energia e dos recursos são desperdiçados ? seja num banho quente mais longo, seja no abuso do ar condicionado ou em iluminações lindíssimas, conseguidas mediante o uso de lâmpadas nada econômicas. Olhe para a sua própria casa: que práticas e equipamentos você poderia modificar para torná-la ecologicamente correta? Além de escolher aparelhos domésticos contemplados com o selo Procel (o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica), por sua eficiência, uma série de medidas podem ser adotadas desde já para preservar o planeta – e o seu bolso. A seleção foi elaborada com a colaboração do professor Felipe Guanaes, do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima) da PUC-Rio, e da arquiteta Alexandra Lichtenberg, criadora do premiado Projeto Eco House ? em que ela implementou uma série de medidas e tecnologias para transformar seu próprio lar numa casa sustentável. Uma inspiração e tanto. Confira a lista abaixo.

Aquecimento solar de água

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Sabe-se que o chuveiro elétrico é um dos principais vilões da conta de luz, responsável por um elevado gasto de energia. Os sistemas a gás são menos custosos mas, ainda assim, trata-se de um recurso não renovável da natureza, sujeito a variação de preços. Para substituí-los sem abrir mão dos banhos quentes e poupar energia do planeta, a melhor opção hoje é optar pelo aquecimento solar de água. No site do Departamento Nacional de Aquecimento Solar (www.dasolabrava.org.br). Ali constam as principais informações para aderir à tecnologia, como indicações dos equipamentos etiquetados com o selo Procel de eficiência e a lista de profissionais qualificados para a instalação. ?É importante contratar um instalador competente porque a engenharia do aquecedor é básica, dominada aqui no Brasil, mas não é qualquer um que saiba executá-la da maneira correta?, alerta a arquiteta Alexandra Lichtenberg.

Reaproveitamento da água da chuva

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É possível coletar e armazenar a água da chuva para usos em que não seja necessária a água potável ? regar o jardim, lavar o quintal ou mesmo nas descargas dos vasos sanitários, por exemplo. ?Se estiver construindo sua casa ou pensando em reformar a tubulação, considere um projeto que contemple essa funcionalidade?, sugere o professor Felipe Guanaes, da PUC-Rio. A natureza e o seu bolso agradecem.

Aproveitar a luz do sol

Dica preciosa para quem está construindo: ainda na fase da planta, no momento de definir onde ficarão as janelas da casa, dê preferência às fachadas leste e sul, que recebem menos radiação e, portanto, sofrem menos com o aquecimento. Você conseguirá deixá-las abertas e utilizar a iluminação natural nestes ambientes por mais tempo. ?A luz do dia torna o espaço muito mais confortável e produtivo?, garante Alexandra.

Sombra nas janelas

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Uma medida simples pode evitar que a radiação solar direta atinja e superaqueça a casa: a instalação de toldos e brises, que protegem as janelas e são um recurso funcional para melhorar a climatização dos ambientes.

Descarga com caixa acoplada

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A descarga também é uma das principais responsáveis pelo desperdício de água nos domicílios. Uma maneira de minimizar as perdas é trocar o modelo tradicional pelas descargas de caixa acoplada. Com opção de 3 e 6 litros, ela apresenta dois botões diferentes que limitam a quantidade de água usada a cada descarga. Se optar pelo botão menor, menos água será despejada; se precisar de um fluxo maior, aperte o botão grande. A descarga comum, cujo encanamento é instalado na parede, vai despejar o fluxo enquanto o botão estiver sendo pressionado – um desperdício enorme de um recurso tão valioso.

Equipamentos economizadores de água

Existem ainda opções para evitar o desperdício de água em outros dispositivos. Digamos que você more no 2º andar de um prédio de dez andares. A água chegará ao chuveiro e às torneiras com uma pressão muito maior, saindo com muito mais força ? logo, em maior quantidade. Para interferir nessa dinâmica, basta instalar uma válvula de retenção na tubulação do chuveiro. ?É um procedimento simples que vai reduzir bastante o fluxo de água?, afirma Alexandra. No bico das torneiras, instale um aerador, uma pecinha que mistura a água com o ar e, com menor quantidade de água, dará a sensação de que o jato é maior.

Telhado mais fresco

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Se você mora embaixo da laje de cobertura, pode pintá-la com tinta branca, que ajuda a diminuir a transmissão de carga térmica para o ambiente interno. O branco reflete a luz, reduzindo o potencial do concreto para absorver calor. Uma outra alternativa verde ? no sentido literal ? tem sido cada vez mais adotada por cidadãos em busca de uma residência ecologicamente correta: o telhado verde, que consiste na plantação de espécies na laje/cobertura de uma construção. ?É uma boa opção para reduzir calor, mas precisa ser projetado por especialistas. A impermeabilização deve ser muito bem feita, assim como o caimento do telhado e a escolha das plantas?, avisa o professor Felipe Guanaes. A arquiteta Alexandra Lichtenberg destaca a necessidade de opção por plantas adaptadas ao clima local. ?Em geral, elas devem ter resistência ao calor e raízes curtas?, resume.

Iluminação de LED

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?Assim como as fluorescentes, as lâmpadas de LED são bem mais econômicas e ecologicamente corretas do que as incandescentes?, diz a Alexandra. Deste último tipo, as dicroicas, por exemplo, utilizadas na iluminação de quadros, paredes e pontos de luz em interiores, emitem 80% de calor contra 20% de luz. O resultado? Dá-lhe ar condicionado para aliviar o aquecimento produzido por ela. Hoje existem lâmpadas led com o mesmo efeito e que não emitem quase nada de calor. Aposte nelas.

Esquadrias de alumínio ou madeira

Apesar de práticas, as de PVC, que estão na moda, passam por um processo de fabricação tóxico para os operários. Quando queimado, o PVC não solta labaredas: ele derrete e solta uma fumaça preta, altamente tóxica e causadora de câncer. ?Na Europa o material já está sendo erradicado e na Escandinávia é proibido. Na Inglaterra já está em curso um estudo para buscar uma nova formulação do PVC pra eliminar esse efeito colateral?, conta Alexandra arquiteta Alexandra Lichtenberg.

Madeira

Optou pela madeira? Na hora de escolher a matéria prima, utilize apenas aquela certificada. Isso garante que ela não seja fruto da exploração ilegal na Amazônia. Qualquer pessoa que compre madeira ilegal está contribuindo para o desmatamento da maior floresta do mundo.

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