Carioca Nota 10: George Cardoso

O matemático George Cardoso criou e mantém um curso pré-vestibular voltado para jovens carentes

O matemático George Cardoso costuma dizer que nasceu com vocação para o magistério. Tanto que, desde sua formatura, na antiga Universidade do Brasil (a atual UFRJ), em 1965, ele descartou a possibilidade de enveredar pela carreira acadêmica. Em mais de quarenta anos de profissão, lecionou em escolas públicas e privadas da cidade até se tornar diretor pedagógico do Centro Educacional da Lagoa (CEL). Nessa longa trajetória, acalentou com especial carinho um projeto paralelo: um curso pré-vestibular comunitário para jovens carentes. “A ideia surgiu há treze anos durante uma missa de domingo. Imaginava como poderia ajudar os outros e pensei: tudo que sei é dar aula, então vai ser isso que vou fazer”, recorda o professor, de 71 anos. Em pouco tempo, conseguiu reunir professores voluntários para lecionar as outras disciplinas (incluindo sua filha mais velha e o genro) e fazer a engrenagem se mover. Desde a primeira turma, aproximadamente 1 000 alunos já passaram pelo curso, que hoje é ministrado no Centro Educacional Pequena Cruzada, na Lagoa.

“Eu queria ajudar os outros, mas só sabia dar aulas. Durante uma missa veio a ideia: é justamente isso que vou fazer”

Com trinta estudantes na turma atual, o cursinho de Cardoso acumula histórias de superação. Uma em especial comove o professor. Há oito anos, um rapaz que sonhava ser médico começou a assistir às aulas para tentar conseguir uma vaga em uma universidade pública, pois não tinha recursos para cursar uma faculdade particular. No primeiro vestibular, foi reprovado. Desanimado, pensou em abandonar o esforço. “Tivemos uma conversa demorada, e eu lhe disse que, se aquele era o seu sonho, ele não poderia desistir. Do contrário, certamente se tornaria um adulto frustrado”, lembra Cardoso. Apesar de outra tentativa malsucedida, ele não recuou, estudou ainda mais e, na terceira vez, foi aprovado na Uerj. Há poucos meses, novamente numa missa de domingo, professor e aluno se reencontraram. “Ele me deu a notícia de que se formou em janeiro e agora está fazendo residência”, conta, emocionado.

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