Carioca Nota 10: Dalva Bezerra Camanho

A aposentada Dalva Bezerra Camanho fiscaliza a atuação do poder público, em especial em Copacabana, bairro onde mora

Sempre que sai de seu amplo apartamento na Praça Eugênio Jardim, em Copacabana, a aposentada Dalva Bezerra Camanho, de 76 anos, leva na bolsa um caderninho. É nele que anota os problemas que encontra pela frente, como vazamentos de água e esgoto, lâmpadas queimadas, árvores sem poda e buracos nas calçadas e ruas. Uma vez em casa, é hora de acionar os órgãos competentes e insistir até a resolução da questão. “Não adianta apenas reclamar da ausência do poder público. O carioca tem de fazer sua parte, cobrando soluções”, argumenta ela. Nos primeiros seis meses de operação da Central de Atendimento ao Cidadão, serviço que reúne todas as pastas municipais e funciona desde 2011 pelo ☎ 1746, Dalva foi a campeã de solicitações. Dois anos depois, permanece como uma das usuárias mais ativas do sistema.

“Não adianta apenas reclamar. O carioca tem de fazer sua parte, cobrando soluções.”

As noções de cidadania, aprendidas, segundo ela, tanto na escola quanto no próprio ambiente familiar, quando era criança, fizeram de Dalva uma ativista ainda jovem. Na época, durante os anos 40, Copacabana era um bairro em ascensão, que convidava famílias inteiras a passeios noturnos despreocupados. “Hoje, ficou bem mais complicado. Daí meu empenho para vivermos plenamente a cidade que eu tanto amo.” Depois de ter sido diretora cultural da Associação de Moradores e Amigos de Copacabana (Amacopa), Dalva abdicou do cargo para ter uma atuação mais direta como cidadã. Ex-assistente da diretoria da Petrobras, ela coleciona uma influente rede de contatos de políticos e assessores administrativos da prefeitura e do governo do estado que lotam sua agenda telefônica — à qual recorre diante da falta de agilidade dos agentes públicos. “Em vez de uma semana, minhas demandas levam apenas algumas horas para ganhar atendimento”, diz. Tanto empenho garantiu a Dalva o reconhecimento entre os moradores, que a chamam de prefeitinha e de xerife. Ela não deixa de ter um pouco das duas coisas.

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