Gravas Del Maipo

02 dezembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Acaba de chegar ao Brasil o novo vinho ícone da Concha y Toro, o Gravas Del Maipo. Elaborado por Enrique Tirado (enólogo “pai” de outro ícone da casa, o Dom Melchor), o Gravas Del Maipo é um syrah em estilo assumidamente novo mundo, alcoólico, madeirado e macio.

Seu vinhedo de origem fica em Quinta de Maipo, na margem sul do rio Maipo. Os solos, como a maior parte dos vinhedos do Chile, é aluvial de origem vulcânica com boa retenção, mas neste caso, cerca de um metro abaixo da superfície há uma camada de cascalho, ou GRAVAS, que confere diferenciados aromas minerais ao caldo. Projetos como este têm nascido nos últimos anos no Chile buscando expressar autênticos terroirs chilenos e posicionar os vinhos de alta gama do país ao nível dos melhores do mundo.

Gravas Del Maipo 2007

Provei o Gravas Del Maipo da safra de 2007 (sua 1ª colheita – 2008 chega ao Brasil em breve). Só 300 caixas foram feitas do 2007, que é composto por 88% syrah do vinhedo de Quinta de Maipo (da Denominação de Origem Buin, no vale de Maipo) e 12% Cabernet Sauvignon do vinhedo Pirque Viejo (da D.O. Pirque, também no vale de Maipo). Com 18 meses de amadurecimento em barricas francesas 80% novas, este tinto é muito escuro com cor violácea, aromas muito expressivos de perfil adocicado, muita madeira, baunilha, especiarias doces e picantes, geléias, paladar denso e encorpado, taninos muito finos e doces, toque de mentol e mineral de grafite que aparece depois de bastante tempo na taça. Recomendo decantar ao menos uma hora antes de servir. Minha nota: 92 pontos.

Este é um ótimo vinho, mas em um estilo difícil de combinar com nossa culinária do dia a dia (brasileira, italiana, francesa etc), pois é quase de um vinho de sobremesa, com 15% de álcool, acidez moderada e equilíbrio pendendo para a maciez. Provado, contudo, com pratos agridoces da culinária japonesa do Sushi Leblon ficou ótimo! No caso o vinho foi testado com dois pratos, um atum semi-cru com molho doce de shoyo e um salmão glaçado com foie grãs. Arrisco dizer que o Gravas também ficaria muito bom escoltando uma barra de chocolate amargo. É bom lembrar que quando o assunto é harmonização o gosto pessoal tem um peso muito forte.

Recomendo a todos a leitura de meu post de semana passada, sobre “Vinhos Gastronômicos”

Voltando ao Gravas, trata-se de um belo vinho, mas de preço agressivo, R$ 700,00.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Ri-bera x Ri-oja quem “ri” por último

06 julho 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

A Espanha é um dos países que mais cresce no mercado brasileiro. Em 2010 as importações de vinhos da terra de Cervantes subiram 41,57% em relação ao ano anterior. Este resultado expressivo é fruto do trabalho de promoção do Instituto Español de Comercio Exterior (ICEX), que vem organizando importantes degustações em algumas capitais.

No último dia 7 de junho foi a vez do Rio de Janeiro hospedar (no restaurante Porcão Rios) uma prova espanhola, que eu apresentei. O tema foi “Ribera del Duero contra Rioja”, as duas regiões mais importante e tradicionais rivais quando o assunto é tintos espanhóis.

 

Panorâmica do evento, no Porcão Rios

 

Escolhi 8 grandes vinhos, 4 de cada região e os apresentei as cegas para cerca de 30 convidados (entre amadores e profissionais). O resultado foi:

1º lugar-Pago La Garduña 2004, Abadia Retuerta, Sardon de Duero

2º-Baron de Chirel 2005, Marqués de Riscal, Rioja

Demais vinhos provados

- Prado Rey Gran Reserva 2004, Real Sitio de Ventosilla, Ribera Del Duero

- Rioda I 2005, Bodegas Roda, Rioja

- Colección Vivanco Graciano 2006, Dinastia Vivanco, Rioja

- Gaudium 2004, Marqués de Cáceres, Rioja

- “F” de Fuentespina, Ribera Del Duero

- Año de Gracia 2004, Lynus Viñedos y Bodegas, Ribera del Duero

 

O campeão, Pago La Garduña

 

Em uma prova difícil como esta (todos tintos encorpados de alta qualidade) eu esperava um resultado mais disperso/disputado, mas aconteceu justamente o contrário. As preferências concentraram-se em dois vinhos, com larga margem do primeiro colocado para o segundo e do segundo para os demais. Claramente o gosto dos votantes pendeu para dois opostos, de um lado vinho mais moderno, o Pago Garduña 2004 (importado pela Penísula, www.peninsulavinhos.com.br, R$ 1.032,00), em estilo internacional, muito encorpado, frutado, com madeira nova, um Syrah entre tantos Tempranillos. Do outro lado (como 2º colocado) o vinho em estilo mais marcadamente tradicional espanhol da noite, o Baron de Chirel 2005, da Marqués de Riscal (importado pela Interfood, www.interfood.com.br, R$ 372,90), um corte de Tempranillo com longo estágio em madeira usada americana, um clássico.

Quando se trata de vinhos, por vezes o que determina uma escolha não é o estilo e sim a qualidade. Acima de “gosto moderno” ou “gosto tradicional” está o BOM GOSTO.

 

Prova de vinhos do ICEX

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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