Carta de Vinhos: Garcia & Rodrigues

25 julho 2011 | 3 comentários

Por Marcelo Copello

Esta semana dei uma passada rápida por um clássico da gastronomia carioca, o Garcia & Rodrigues do Leblon (www.garciaerodrigues.com.br) e fiz um check-up da carta de vinhos.

Lá a qualidade do serviço é garantida pelo Sommelier João Pedro Lamonica, que me alertou que a carta está em transição, devido a mudança de donos na casa.

A carta no momento está deficiente de variedade, mas ainda oferece coisas boas. O restaurante é chique e não é barato, mas é possível beber vinho sem deixar um órgão vital como pagamento. Para quem não quer gastar muito, o que eu recomendaria da carta? Aí vai:

 

Para começar, com o couvert ou com a entrada

- Aperitivo em taça Jerez Fino Hidalgo R$ 22,00

Um clássico espanhol, bastante seco, leve, para sopas ou cremes como um gazpacho, ou para frutos do mar

- Rosé em taça – Château Virgile 2009, Costières de Nimes-França R$ 15,00

Elegante e delicado, para pratos mais leves.

.

Para continuar, conforme o prato e o espírito:

- Espumante – Chandon Rosé R$ 65,00

Festivo, macio e gastronômico

- Branco – Protos Verdejo 2009, Ribera del Duero-Espanha R$ 74,00

Fresco e encorpado, untuoso e frutado, com estrutura para um bom prato de peixe,

- Tinto – Duorum Colheita 2008, Douro-Pontugal R$ 78,00

A melhor compra da carta, um belo tinto do Douro, gastronômico, com taninos e acidez, para qualquer carne do menu.

.

Para encerrar

Vinho de Sobremesa em taça – Monbazillac Château Grand Marselet 2005 – R$ 22,00

Elaborado com Sémillon 70%, Sauvignon Blanc 10% e Muscadelle 20%, para sobremesas mais doces, tortas, crème brûlée ou sorvetes.  Emula um Sauternes, sem fazer feio na taça nem na conta.

.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

.

Tags: | | | | | | | | | | | | | | Publicado em: Carta de vinho

Pesquera e pérolas

20 julho 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Tive na semana passada um encontro histórico com um autêntico vinhateiro: Alejandro Fernández, fundador da mítica bodega que leva seu nome, mas que é mais conhecida como PESQUERA. Em sua passagem pelo Brasil Fernández, de 78 anos, me deu a honra de uma prova de seus vinhos e um bate papo.

Um dos grandes ícones da Espanha, o Pesquera vem encantando a mais de três décadas os enófilos amantes da pureza e do estilo clássico dos tintos da terra de Cervantes.

Alejandro Fernández

 

Produzir grandes vinhos é antes de tudo produzir grandes uvas. Isso todos nós sabemos, mas às vezes esquecemos. Ao conversar com produtores o rumo da prosa nos leva a falar de tudo (mercado, exportações, enologia, barricas etc), mas por vezes deixamos de lado as duas coisas mais importantes: a essência (a matéria prima) e o objetivo (a saúde e o prazer).

Pois a conversa com Alejandro Fernández não poderia ter sido mais simples e essencial, quase naïf. Ele falou o tempo todo de suas uvas, da importância de ser natural e lembrou que o vinho é prazer e bom para o amor (momento em que levou um cutucão de sua filha Olga).

No vídeo abaixo ele fala que ser clássico é simplesmente ser natural e que, apesar de ter recebido 98 pontos de Robert Parker, não liga para pontos e seu objetivo é que qualquer trabalhados possa provar um Pesquera em uma festa em casa.

Uma das pérolas da conversa foi: “vinho doce com sobremesa não tem contraste, é como comer pão com pão”, dito ao sugerir combinar seu especialíssimo tinto “Pesquera Millenium 2002” (não disponível no Brasil), com um doce.

Outro momento raro da conversa foi quando relatou uma visita ao Château Lafite, bordalês que é um dos maiores vinhos do mundo. Na ocasião foi servido o Pesquera 1986, que foi sistematicamente batendo um a um a todos os Lafites servidos pelos anfitriões, até que um raro e caro Château Lafite 1961 foi aberto e arrasou. Segundo Alejandro este Lafite 61 foi melhor vinho de sai vida.

Atualmente Alejandro Fernández possui 4 vinícolas, a original Pesquera (em Ribera del Duero), Condado de Haza (também em Ribera del Duero), Dehesa la Granja (em Castilla y León) e El Vínculo (em La Mancha). Os vinhos provados (todos importados pela Mistral – www.mistral.com.br), foram:

Dehesa La Granja 2004, Região: Castilla y León, Preço: US$52,90

Condado de Haza 2007, Região: Ribera del Duero, Preço: US$64,90

Pesquera Crianza 2008, Região: Ribera del Duero, Preço: US$75,50

Pesquera Reserva 2007, Região: Ribera del Duero, Preço: US$109,90

El Vínculo Paraje La Golosa Gran Reserva 2002, Região: La Mancha, Preço: US$109,50

Pesquera Janus Gran Reserva 2003, Região: Ribera del Duero, Preço: US$364,50

Destaco o Dehesa La Granja 2004, como uma ótima compra, de boa relação custo-benefício, e o El Vínculo, como uma excepcional surpresa, que bateu sue irmão mais famoso, o Pesquera Reserva 2007, na mesma faixa de preço.

.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

.

Tags: | | | | | | | Publicado em: Espanha

Ri-bera x Ri-oja quem “ri” por último

06 julho 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

A Espanha é um dos países que mais cresce no mercado brasileiro. Em 2010 as importações de vinhos da terra de Cervantes subiram 41,57% em relação ao ano anterior. Este resultado expressivo é fruto do trabalho de promoção do Instituto Español de Comercio Exterior (ICEX), que vem organizando importantes degustações em algumas capitais.

No último dia 7 de junho foi a vez do Rio de Janeiro hospedar (no restaurante Porcão Rios) uma prova espanhola, que eu apresentei. O tema foi “Ribera del Duero contra Rioja”, as duas regiões mais importante e tradicionais rivais quando o assunto é tintos espanhóis.

 

Panorâmica do evento, no Porcão Rios

 

Escolhi 8 grandes vinhos, 4 de cada região e os apresentei as cegas para cerca de 30 convidados (entre amadores e profissionais). O resultado foi:

1º lugar-Pago La Garduña 2004, Abadia Retuerta, Sardon de Duero

2º-Baron de Chirel 2005, Marqués de Riscal, Rioja

Demais vinhos provados

- Prado Rey Gran Reserva 2004, Real Sitio de Ventosilla, Ribera Del Duero

- Rioda I 2005, Bodegas Roda, Rioja

- Colección Vivanco Graciano 2006, Dinastia Vivanco, Rioja

- Gaudium 2004, Marqués de Cáceres, Rioja

- “F” de Fuentespina, Ribera Del Duero

- Año de Gracia 2004, Lynus Viñedos y Bodegas, Ribera del Duero

 

O campeão, Pago La Garduña

 

Em uma prova difícil como esta (todos tintos encorpados de alta qualidade) eu esperava um resultado mais disperso/disputado, mas aconteceu justamente o contrário. As preferências concentraram-se em dois vinhos, com larga margem do primeiro colocado para o segundo e do segundo para os demais. Claramente o gosto dos votantes pendeu para dois opostos, de um lado vinho mais moderno, o Pago Garduña 2004 (importado pela Penísula, www.peninsulavinhos.com.br, R$ 1.032,00), em estilo internacional, muito encorpado, frutado, com madeira nova, um Syrah entre tantos Tempranillos. Do outro lado (como 2º colocado) o vinho em estilo mais marcadamente tradicional espanhol da noite, o Baron de Chirel 2005, da Marqués de Riscal (importado pela Interfood, www.interfood.com.br, R$ 372,90), um corte de Tempranillo com longo estágio em madeira usada americana, um clássico.

Quando se trata de vinhos, por vezes o que determina uma escolha não é o estilo e sim a qualidade. Acima de “gosto moderno” ou “gosto tradicional” está o BOM GOSTO.

 

Prova de vinhos do ICEX

.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

.

Tags: | | | | | | | | | Publicado em: Concursos | Espanha | Eventos