Como no tempo dos romanos

31 outubro 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Na antiguidade clássica de gregos e romanos os vinhos eram, em geral, fermentados, armazenados e transportados em ânforas de barro de vários tamanhos. Esta técnica há séculos foi praticamente abandonada em nome de recipientes e madeira, vidro, mais recentemente, aço inoxidável.

São raras as vinícolas que ainda utilizam ânforas de barro pra fermentar seus vinhos, como as portuguesas Joaquim José Gato e José de Sousa. Os vinhos deste último estão disponíveis no Brasil, trazidos pela Inovini(http://www.aurora.com.br/vinhos.aspx). Um das mais antigas vinícolas do Alentejo, a José de Sousa, localizada em Reguengos, foi comprada há poucos anos pela empresa José Maria da Fonseca, dos vinhos Periquita. O vinho topo de gama da casa, o José de Sousa Mayor, é parcialmente fermentado antigas em ânforas de barro, como nos tempos dos romanos.

Além do uso de talhas (como chamam as ânforas em Portugal), este vinho tem como diferencial um vinhedo de mais de 50 anos de uma casta antiga e pouco conhecida hoje, a Grand Noir, que domina o blend deste vinho com 63%, complementado por 22% de Aragones e 15% de Trincadeira. As uvas são pisadas a pé em lagares e o vinho amadurece 10 meses em barricas novas de carvalho francês.

Provei ano passado junto com seu enólogo, Domingos Soares Franco, o José de Souza Mayor 2007, estava excelente, ainda novo e com bastante madeira, com um toque de rusticidade e complexidade dado pela casta e, quem sabe, pelo contato com o barro. Pode ser comprado pela INOVINI (www.inovini.com.br) por R$230,00 Minha nota: 90 pontos.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Vinho ao luar

28 outubro 2011 | 1 comentário

Por Marcelo Copello

Os devotos de Baco mais fervorosos certamente já ouviram falar em biodinâmica. Este modo de fazer vinhos que beira o exoterismo tem muitos discípulos no mundo todo, segue regras estritas e recebe certificações internacionais. Entre as técnicas da biodinâmica está a substituição de agrotóxicos por misturas naturais a base de ervas enterradas em crânios de bois, por exemplo. A biodinâmica estuda e respeita o fluxo de energia entre terra, plantas e corpos celestes como sol e lua. A lista de produtores biodinâmicos é crescente, se espalha por vários continentes e é encabeçada por nomes importantes como Domaine de La Romanée-Conti, Domaine Leflaive e Nicolas Joly, todos disponíveis no Brasil.

Um exemplar, que não é biodinâmico, mas que usa técnicas análogas é o vinho Herdade dos Grous Moon Harvested (importado pela Épice, http://www.epice.com.br). Localizada no Baixo Alentejo, em Albernoa, a Herdade dos Grous, é outro dos novos projetos alentejanos que merecem holofotes. A moderna adega agrega tradicionais lagares (com temperatura controlada) com tecnologia recente, como movimento por gravidade e salas refrigeradas para fermentação em barricas. Quem dá as ordens aqui é o premiado enólogo Luis Duarte, sócio do empreendimento.

Duarte encomendou a uma empresa especializada uma tabela que mostra dia a dia os momentos de maior influência magnética da lua (que resulta em um maior fluxo de seiva na planta) e usa estes momentos para a colheita. Não há, no entanto, nenhuma relação com as fases da lua (cheia, crescente, nova e minguante). Segundo Duarte esta experiência demonstra um ligeiro (pequeno mesmo) aumento na qualidade do vinho.

De fato o Herdade dos Grous Moon Harvested 2008 que provei (elaborado 100% com uvas Alicante Bouschet colhidas no momento lunar ideal) é mais elegante do que se espera desta casta, que prima por vinhos potentes. Este mostrou muita cor, aromas de chocolate, madeira bem integrada (passa 12 meses em barricas francesas), toque de eucalipto, paladar com taninos volumosos, secos e finos, longo, em conjunto muito bem equilibrado.Pode ser encontrado no varejo por R$190,00. Minha nota: 91 pontos.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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