Vertical de Seña, 16 safras, 1995-2010

Por Marcelo Copello   Com toda pompa e circunstância foi inaugurado o centro biodinâmico do Seña, um dos vinhos ícones do Chile.

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Por Marcelo Copello

O Seña além de ser um dos maiores vinhos das Américas, foi a primeira  joint venture da indústria do vinho chilena, criado em 1995 por Eduardo Chadwick e Robert Mondavi.

Chadwick, a figura influente do vinho chileno hoje no mundo e Mondavi, falecido em 2008 aos 94 anos, o maior nome da história do vinho nos Estados Unidos.

O Seña ao longo dos anos

Tive a honra de provar, com Eduardo Chadwick TODAS as safras de Seña desde a primeira de 1995 até a recente 2010.

Degustar 16 safras, desde seu  nascimento, deste ícone é degustar a recente história e evolução do vinho chileno. Vale comentar o Seña mudou muito ao longo deste tempo, passando por diferentes cortes, vinhedos, enólogos e até vinícolas onde foi produzido. Em comum as diferentes safras do Seña trazem um conceito e uma grande vontade de seus criadores: elaborar um vinho chileno de classe mundial, sempre com a Cabernet Sauvignon como espinha dorsal, unida a um pouco de Carménère, que expressa a alma chilena.

O Sena 1995 foi elaborado com uma mistura de vinhos daquele ano já existentes. Entre 1996 e 2002 foram usadas uma seleção de uvas dos vinhedos do grupo, que compreende as Viñas Errázuriz, Arboleda, Caliterra e Chadwick. A partir de 2003 começaram a usar finalmente as uvas do vinhedo Seña, 42 hectares na parte oeste (mais próxima ao Pacífico e mais fria) do vale de Aconcagua. Neste mesmo ano assumiu como enolólo Francisco Baettig, que hoje chefia a equipe de todo o grupo. Em 2010 foi inaugurada a nova vinícola criada especialmente para elaboração dos vinhos ícones da casa e onde desde então é feito o Seña. O corte também mudou muito ao longo dos anos (veja quadro), com claras distinções entre 95-98 (mais Cabernet), 99-02 (cresce o Merlot), 03-06 (diminui o Cabernet) e 07-10 (cresce o Carmenérè).

 

A prova vertical

Aos que ainda duvidam da longevidade dos vinhos chilenos, aqui está a prova. Vinhos como o 1996 e o 1997 estão perfeitos aos 15-16 anos de idade, enquanto o 2000 e o 2001, aos 11-12 anos, estão em seu auge.

Seña 1995

Já bastante evoluído na cor e aroma, alaranjado, com notas couro, frutas secas e especiarias. Paladar macio, taninos finos e pontos, acidez baixa, já velhinho, mas com textura deliciosa e ainda prazeroso. Esta safra, que escreveu a história do Seña, é hoje um senhora que merece respeito e não nota.

Seña 1996

Granada alaranjado. Aroma expressivo e fresco com notas de eucalipto, terra molhada, tabaco, couro e muitas especiarias. Paladar macio e pronto, taninos finos e doces, já passou de seu auge, mas ainda está perfeitamente equilibrado, sem muita madeira, em estilo clássico.

Nota: 94

Seña 1997

Granada alaranjado. Aroma denso com notas de eucalipto, tostados, frutas passa, couro, cedro, especiarias, pimenta, chocolate amargo. Paladar concentrado, com taninos doces, ainda bem vivo, perfeito, neste momento o melhor da década de 90.

Nota: 95

Seña 1998

Granada alaranjado. Aroma expressivo, com mentol, frutas secas e especiarias. Paladar macio, bons taninos, cai um pouco no meio de boca, um vinho muito bem feito em ano difícil.

Nota: 88

Seña 1999

Granada alaranjado. Aroma com o típico toque balsâmico (menta, eucalipto), frutas maduras e madeira discreta. Paladar macio e pronto, taninos finos e doces, já maduro mas perfeitamente.

Nota: 89

Seña 2000

Granada alaranjado. Aroma intenso, com especiarias doces, alcaçuz, baunilha, couro, chocolate, eucalipto, bem mais jovial que o 99. Paladar de médio corpo, taninos prontos mas firmes, equilíbrio perfeito, boa complexidade mostrando profundidade. Um Seña muito elegante em seu auge.

Nota: 93

Seña 2001

Cor na transição rubi-granada. Aroma complexo, muitas especiarias, balsâmicos, couro, madeiras, amora, tabaco, cedro. Paladar com taninos mais doces, equilibrado e longo. Faz um par interessante com o 2000, ambos no mesmo estilo e em seu auge, o 2001 é mais concentrado enquanto o 2000 mais elegante.

Nota: 95

Seña 2002

Rubi-granada. Aroma denso e mentolado,  frutado, com notas de chocolate, baunilha, alcaçuz.  Paladar com taninos taninos vivos e macios, acidez moderada. Um Seña mais discreto em sua estrutura e equilíbrio, sem perder seu estilo e qualidade.

Nota: 88

Seña 2003

Rubi violáceo. Aroma concentrado denso e bem integrado, com balsâmicos, fruta muito madura, geleia de morango, alcaçuz, baunilha, madeira bem dosada, em perfeita integração. Paladar encorpado, taninos finíssimos e doces, esplêndido equilíbrio, longo e delicioso. 2003 representou uma mudança de estilo e um salto em relação ao 2002.

Nota: 93

Seña 2004

Rubi violáceo na transição escuro mas não muito. Aroma um pouco menos fresco e mais quente que 03, igualmente compacto, mostrando couro, amoras, especiarias, chocolate, menta, ameixa, cassis, tabaco. Paladar com taninos doces bem vivos. Um belo Seña, mas à sombra do 2003 e 2005.

Nota: 91

Seña 2005

Rubi violáceo na transição escuro mas não muito. Aroma elegante e complexo, denso, com notas de couro, tabaco, frutas negras, canela, chocolate. Paladar magnificamente equilibrado, taninos finos presentes, profundo, e complexo. Um dos melhores Señas de todos os tempos, chama a atenção pela riqueza de aromas/sabores, finesse e perfeito equilíbrio.

Nota: 96

Seña 2006

Rubi escuro violáceo. Aroma muito expressivo, com muitas frutas negras maduras, menta, bastante madeira. Paladar encorpado, taninos presentes, finos e doces, potente e ainda jovem. Um grande Seña muito expressivo e encorpado, que agrega fruta madura e frescor.

Nota: 94

Seña 2007

Rubi escuro violáceo. Aroma de bom ataque, com muitas frutas negras muito maduras, alcaçuz, madeira evidente, baunilha, finos tostados, muitas especiarias, notas terrosas (lembrou um Grenache do Rhône). Paladar concentrado, mais compacto que os antetores, taninos volumosos, boa acidez. Um grande Seña, talvez o mais potente e expressivo de todos.

Nota: 95

Seña 2008

Rubi escuro violáceo. Aroma fechado, denso, frutas negras limpas, bem definidas, muita madeira, muitas especiarias. Paladar concentrado, bom volume de taninos finos e doces. Um dos melhores Señas de sua história, profundo, complexo e muito bem proporcionado.

Nota: 96

Seña 2009

Rubi escuro violáceo. Aroma intenso e elegante, com frutas negras bem delineadas e emolduradas por madeira de qualidade e notas minerais. Paladar concentrado, com taninos mais sérios e secos que o padrão Seña, com boa acidez, muito longo. Um Seña com potência e finesse.

Nota: 92

Seña 2010

Roxo, jovem. Aroma potente, ainda se integrando, mas já mostrando sua alta classe, com  pureza e densidade de fruta, madeira bem integrada e complexidade. Paladar concentrado e  aveludado, com taninos doces e finíssimos. Tem a marca dos grandes vinhos, que desde jovens já mostram sua classe, com concentração leveza e equilíbrio. Será um grande Seña por muitos anos.

Nota: 96

Leia também: Espumantes Berlucchi, vertical histórica 1988-2008

 Veja mais em http://www.marcelocopello.com

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