Adega submarina

24 outubro 2011 | 7 comentários

Por Marcelo Copello

É comum e benéfico que um vinho não seja vendido logo após seu engarrafamento. Um período de envelhecimento na garrafa é positivo para que o líquido se integre e se eduque antes de chegar ao mercado. As condições ideais para este descanso são ausência de luz, temperaturas baixas e constantes e umidade controlada. Seguindo estas regras as adegas são tradicionalmente localizadas embaixo da terra, por isso são também chamadas de “cave” (caverna em francês).

Para alguns produtores o fundo do mar pode funcionar como uma excelente adega. A renomada casa de Champagne Roederer (dona da marca Cristal), por exemplo, está fazendo experiências na baía de Saint-Malo, no noroeste da França. Algumas garrafas do Champagne Roederer Brut Premier estão repousando por um ano debaixo d´agua salgada como experiência.

Na mesma baía, que abriga o famoso mosteiro Mont Saint-Michel, outro produtor também submergiu seus vinhos. A Cave de l’Abbaye Saint-Jean deixou por 5 anos, entre 2002 e 2007, 600 de tintos e brancos. Yannick Heude, proprietário dos vinhos garante que o envelhecimento foi diferente, mais lento e suave.

Também na França, no Jura, região próxima a Suíça, o produtor Henri Maire segue a  mesma linha, mas com água doce. O lago de Vouglans está sendo usado como berço para ninar garrafas que só serão provadas daqui a 20 anos.

Um destes vinhos submarinos esta ao nosso alcance. A vinícola chilena Viña Casanueva, representada no Brasil pela importadora Sabrage(http://www.sabrage.com.br/), produz desde 2003 o vinho Cavas Submarinas.  Às garrafas do vinho produzido no vale de Itata são mergulhadas na praia de Zapallar. Neste caso o marketing vai além do uso do mar com adega, pois a empresa oferece um pacote turístico que inclui mergulho em busca das garrafas e refeição com os vinhos “pescados” pelos turistas.

Vejam o vídeo de divulgação da adega, mergulhem de cabeça na adega, literalmente:

Provei esta semana o Cavas Submarinas Reserva Marinha Pinot Noir-Carmenere 2007, elaborado com 85% Pinot Noir e 15% Carmenère, que permanece 6 meses no mar. O vinho tem médio corpo, com 13,8% de álcool, aromas típicos da Pinot Noir, com de frutas vermelhas (morango, framboesa) e notas florais e minerais, é fresco e elegante, com madeira discreta e, o açúcar residual (de 7,7 gramas por litro) aparece um pouco mas não compromete o equilíbrio geral. Pode ser encontrado para a compra no varejo por R$ 99,95.

Antes que me perguntem, adianto que o vinho não remete a nada do mar, nem possui especial redondez dada pelas marés. A meu ver o mar serve apenas como uma boa adega, não melhor que uma tranqüila cave subterrânea e o período de seis meses é pouco para que se note mais nitidamente no líquido os benefícios do envelhecimento. Este é, contudo, um bom vinho, para o qual minha nota foi 86 pontos.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Tags: | | Publicado em: Chile
Comentários
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  • Alba campos

    Onde posso comprar o vinho cavas submarinas aqui na Barra da Tijuca?..

  • marcelo

    Caro Carlos obrigado por seu comentário. A magia dos tesouros do fundo do mar existiram desde sempre, só que agora resta mística chegou ao marketing dos vinhos! Abraços, Marcelo Copello.

  • Carlos Teles

    Marcelo Em meados dos anos 1970, uma empresa famíliar americana, que procurava tesouros no fundo do mar do Caribe, encontrou um galeão espanhol, afundado com certeza há mais de cem anos, com uma carga de vinhos que estavam ainda vivos, prontos para o consumo. O navio estava quase que totalmente coberto pela areia. Quem sabe daí tenha surgido a ideia das cavas submersas. Li esse artigo faz muito tempo, portanto,não me perguntem a fonte, porque não sei. Carlos Teles

  • marcelo

    Obrigado Evelyn, provarei o Chardonnay na 1a oportunidade! Marcelo Copello.

  • marcelo

    Caro Fernando, acabo de ver fotos da Ametista, que recebi por email, e fiquei curioso de provar o vinho e visitar o local. Aguardem... Abraços, Marcelo Copello.

  • Evelyn

    Olá Marcelo; Há quase um ano tive a oportunidade de conhecer essa vinícola na ABRAVINIS... Achei muito interessante todo esse conceito... Já provei esse vinho e gostei dele, mas o Chardonnay é mais bacana! Vale a pena experimentar, viu? Fiz uma matéria sobre ele lá no meu blog, o "Taças e Rolhas". Se vc quiser ver minhas impressões, os links estão aí embaixo! Beijos Evelyn Fligeri http://tacaserolhas.blogspot.com/2011/01/chardonnay-chileno.html http://tacaserolhas.blogspot.com/2010/11/visita-abravinis_25.html

  • Franciele Bortoncello de Oliveira

    Muito interessante esse sistema de envelhecimento. Mas não é necessário cruzar o Atlântico para conhecer sistemas inovadores de envelhecimento, é só ir ao Sul do Brasil. Em Ametista do Sul, no norte gaúcho há uma nova vinícola que está trabalhando o envelhecimento de seus vinhos em caves subterrâneas de pedras preciosas, são 320m de vinhos de qualidade e pedras ametista que embelezam e energizam o local. Eu já conheci, e recomendo, vale muito a pena. Fica a dica! E um brinde aos vinhos brasileiros