Marcelo Copello entrevista a Chef Ciça Roxo

05 novembro 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Em uma entrevista descontraída ao programa Vinho e Algo Mais, enquanto comandava a cozinha do restaurante Gula Gula, a Chef Ciça Roxo  nos mostra um paralelo entre vinho arte, além de uma especialíssima harmonização entre vinho e pescado. Confira na íntegra abaixo:

 

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Degustação em massa

26 julho 2012 | deixe seu comentário (0)

por Marcelo Copello

Profissionais do mundo do vinho degustam dezenas, até centenas, de vinhos em apenas algumas horas em eventos como a Vinitaly. Como eles fazem para  não sofrer com os efeitos do álcool ao longo de tantas provas? Vejam abaixo o vídeo que fiz a respeito deste assunto há alguns anos respondendo à esta questão.

 

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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David Lynch e Dom Pérignon

25 julho 2012 | deixe seu comentário (0)

por Marcelo Copello

Vinho e cinema unidos mais uma vez. A revista inglesa Decanter noticiou hoje que o cineasta inglês David Lynch criou novo design para uma edição limitada da Champagne Dom Pérignon 2003 e para o Champagne Dom Pérignon Rosé 2000. Para os fãns (como eu) de seus filmes  – Eraserhead, Homem Elefante, Veludo Azul, Coração Selvagem, Lost Highway, Mulholland Drive e da série de TV Twin Peaks - é uma boa desculpa (como se precisasse…) para se deliciar com as borbulhas deste clássico Champagne.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Vinho E Contexto

28 maio 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

 

“Por mais raro que seja, ou mais antigo

um vinho é deveras excelente:

Aquele que tu bebes calmamente

Com o teu mais velho e silencioso amigo”

Mário Quintana.

Vinho não se combina apenas com alimentos ou com música, como já dissertei a respeito, mas com um contexto ou uma ambience. As circunstâncias influem decisivamente em nossa apreciação de uma boa garrafa. Nosso estado de espírito, a companhia, a temperatura do ambiente, a música, a iluminação, a decoração, a vista, a estação do ano, o que foi bebido antes e o que esperamos consumir depois. A situação completará o significado da experiência sensorial. Por pura diversão, podemos delinear uma classificação dos vinhos neste sentido:

Alguns, assim como algumas peças musicais, têm uma função. Os prelúdios, ou as aberturas, preparam nossos ouvidos para o que virá a seguir. Podemos, então, chamar de vinhos de introdução aqueles cuja função é aguçar o paladar e “fazer a boca”. Já os vinhos de conversação, são para a confraternização dos companheiros, como nos poemas de Neruda: gregários, bebidos ao sabor de histórias e risadas. Os vinhos de pretexto dispensam a reputação, são mera distração, também conhecidos como vinhos de entretenimento, como a pipoca do cinéfilo. Seu primo é o vinho passatempo, que funciona como o baralho para um jogo de cartas. Não muito distante está o vinho de novela, que quase sempre nem é vinho, mas um líquido fake, como água e groselha.

Os vinhos de visita contém certa formalidade, o rótulo escolhido varia conforme o grau de cerimônia e apreço atribuídos ao visitante. O vinho refrescante é aquele que, assim como as narinas, se abrem ante seu frescor, e o paladar, ante sua acidez, faz o coração se abrir para a vida. Temos também o vinho para 13 à mesa, que, se for realmente bom, motivará outros 13 a cobiçar um lugar à esta, e logo serão 26.

Os vinhos de pessoa jurídica, com muitos dígitos no preço, são adequados para fechar grandes negócios. Um contraparente seu é o vinho de ostentação, para quem o “ter” é mais importante do que o “ser”. Do mesmo clã, temos os vinhos de sonho, aqueles cujo preço e raridade os afastam de nossa realidade e os aproximam de nossas fantasias.

Os vinhos importantes, próprio para pessoas importantes; e vinhos ainda mais importantes, para pessoas simples para quem qualquer vinho é uma dádiva. Muitos almejam provar o vinho para comemorar 100 anos, mas este pode ser o mesmo usado para comemorar cada minuto.

O vinho dos técnicos – agrônomos, enólogos e agricultores – para quem mais que fermentado de uva, é suor, labor diário, dedicação e sustento. Oposto do vinho apolíneodos degustadores profissionais, das fichas, notas, classificações, rankings e guias; parente do vinho dos práticos e objetivos que querem o “melhor” por seu dinheiro, e buscam este “melhor” nos guias. Existe ainda o vinho poético, embora a poesia não esteja nele e sim em quem o bebe e faz a sua apologia. Não esqueçamos do útil vinho de batalha, quando a quantidade impossibilita a qualidade, muito comum em vernissages, casamentos e noites de autógrafos. Também, porque não, o vinho do pileque, pois é preciso ser moderado em tudo, até na moderação, cometendo às vezes alguns excessos.

O vinho de boas vindas é irmão do vinho de despedida, do qual se pode guardar uma garrafa e transformá-la no vinho do reencontro. O vinho coringa é o que serve para todas as ocasiões, como o Champagne, ótimo para o café da manhã, começando o dia ou encerrando a noite. Alguns vinhos são abertos simplesmente para matar a sede. Outros são tão encorpados que matam a fome também. Os vinhos de aquecimento são muito úteis em locais de clima frio, para aquecer o corpo, a alma e, quem sabe, a cama.

A família dos vinhos de assunto é grande. Temos o vinho de reminiscências que nos fazem lembrar histórias, ou até inventá-las. Há os que soltam nossas línguas e os que as enrolam. Sem falar nos vinhos de conversa fiada e vinhos que são o assunto da conversa. Destes, o antepassado mais ilustre é o vinho de meditação, que pede silêncio e concentração. Obras de arte líquida, uma epifania quase religiosa, para se beber de joelhos. Nesta categoria se encaixa a maioria dos vinhos de sobremesa, que nos chegam no final de uma refeição quando estamos em paz com nosso estômago e com nós mesmo, com uma sensação de completude e plenitude. Momento propício para pensar na vida em perspectiva, com religiosidade para os religiosos ou contemplação filosófica para os agnósticos.

O vinho pretensioso é o da paixão, pois toda paixão é pretensiosa, é revolucionária, muda nossa maneira de ver o mundo e faz com que o mudemos. Uma variante é o vinho da sedução, que hipnotiza os amantes, temperando o encanto, umedecendo o fascínio e aquecendo os espíritos.

Fascinante é o vinho da harmonização, combinado a cada prato da refeição. Os verdadeiros enófilos sabem, no entanto, que vinho se combina com o ar que respiramos. Tintos harmonizam com carne, a de que somos feitos. Brancos são para acompanhar os frutos do mar, com a brisa e o som das ondas, e, sobretudo, as sereias.

O único vinho que não conheço é o da tristeza e o da solidão, pois este azeda rapidamente, sendo conhecido, então, como vinagre. Acima de todos o vinho alegre, pois sem alegria, nem a vida nem o vinho valem a pena.


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Para os clássicos o tempo não passa

28 agosto 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

O que O Pasquim tem a ver com o La Romanée-Conti? Nada mais dissonante do que unir o hebdomadário político-humorístico dos anos 70 à nobreza do grande Borgonha, mas eu explico. Recentemente resolvi colocar em dia a leitura e comecei pela antologia de O Pasquim, em dois volumes, com mais de 700 páginas (Ed. Desiderata, 2006).

A nostalgia desta época que eu não vivi me levou à leitura da obra prima de um dos colaboradores do tablóide, “A mão esquerda” de Fausto Wolff (Ed. Leitura, 4ª edição, 2007). Sobre o gigante de Santo Ângelo tenho uma história pessoal. Conheci-o em um aeroporto em 2004, conversamos antes do embarque no mesmo vôo. Enquanto ele se servia direto do gargalo de uma garrafa de whisky que trazia no bornal, me convidava para fazer uma coluna de vinho no recém relançado O Pasquim. Durante o vôo ele se levantou e anunciou para todos que iria cantar e assim o fez por longo tempo…

De Wolff emendei em uma recém lançada biografia de um colega seu, “Paulo Francis – Polemista Profissional”, de Paulo Eduardo Nogueira (Ed. Imprensa Oficial, 2010). Logo nas primeiras páginas li que Francis em sua última noite assistiu ao clássico de Alfred Hitchcock, Notoriuous (de 1946), e se deliciou com imagens do Rio antigo. Larguei o (fraco) livro na hora e fui direto ao filme. Ah, que saudade do Rio dos anos 1940! Em tese eu já existia (de forma desconstruída), pois meus pais nasceram em 1939.

O filme nos mostra uma vista aérea do Rio, com o corcovado e o redentor em destaque. Ao longo da película podemos ver o outeiro da Glória ao fundo, a praia do Flamengo antes do aterro, o Theatro Municipal, a Avenida Atlântica com poucos e baixos prédios, o hipódromo da Gávea e a Cinelândia (onde o par romântico que protagoniza este suspense, Cary Grant e Ingrid Bergman, se encontravam secretamente).

O maior astro do filme, contudo, foi para mim uma garrafa de um bom Borgonha. O Pommard 1934, de François Penot, aparece em destaque uma das cenas de maior tensão do enredo. Grant infiltra-se na recheada e trancada adega do vilão nazista durante uma festa para tentar descobrir o que os bandidos ocultam ali. Ao esbarrar na tal garrafa ela se quebra. Para surpresa geral o que se esparrama no chão não é vinho e sim o que depois descobrem ser minério de Urânio.

O herói repõe o lugar vago na estante com uma outra garrafa do mesmo vinho, mas se esquece de verificar a safra. No lugar do bom ano de 1934 fica um inferior 1940, o que vem a ser descoberto e quase custa a vida da heroína. A safra de 1934 é considerada de qualidade muito boa, embora não excepcional. Alguns raros exemplares ainda vivem com saúde aos 77 anos de idade.

Quem estiver interessado em conferir, a casa de leilões Christie´s de Nova York está anunciando 6 garrafas de La Romanée-Conti 1934 por 56,4 mil dólares. Este lote faz parte de uma coleção particular nos EUA. Vale a pena uma olhada no site (www.christies.com) e na coleção, que começa na lua com alguns lotes de Dom Pérignon 1921 e sobe para outras galáxias.

Lembro que até 1945 o vinhedo La Romanée-Conti era em “pé franco” (sem enxertia contra a praga phylloxera), o que valoriza ainda esta safra histórica. Segundo o site o vinho foi testado e está perfeito: “de cor âmbar, como um porto Tawny, nariz fragrante, fresco e com especiarias, corpo suculento, sedoso, doce, com toques de caramelo, final seco, cativante”.

Convenhamos que é uma pechincha! Cerca de R$ 15 mil por garrafa é menos do que se paga no Brasil por uma garrafa do mesmo vinho, de safra recente. Vamos fazer uma vaquinha?

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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