Vinho e política

08 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

 

Acaba de ser anunciado que 12 mil garrafas da adega oficial do presidente da França irão a leilão no fim deste mês de maio.

auction

A adega do palácio Elysée foi construída em 1947, cresceu muito desde então e pela primeira vez será reduzida. Os exemplares que serão vendidos são principalmente vinhos de Bordeaux e Borgonha, com lances iniciais que vão de meros 15 euros, até  2.200 euros. A arrecadação vai para obras do governo.

 

O jornal americano New York Times comentou que são dois os possíveis motivos desta venda: primeiro a postura populista do atual presidente François Hollande, que talvez queira faturar em votos, e depois o déficit do governo francês, que precisa mostrar austeridade.

 

Marcelo Copello (mcopello@simplesmentevinho.com.br)

 

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Cheval e Masseto em boa compania

08 março 2013 | 4 comentários

Por Marcelo Copello

 

Em uma recente passagem pela Toscana participei de uma degustação super especial.

12 grandes Merlots foram avaliados por cerca de de 20 degustadores profissionais de vários países.

O evento foi promovido pela Azienda Logo Novo. Esta belíssima propriedade nos arredores de Motalcino, que pertence ao empresário ítalo-suíço Marco Keller, está lançando seu primeiro vinho, um Merlot da safra 2008.

Para marcar tal fato foram perfilados 12 Merlots de diferentes origens, todos da safra 2008, incluindo o Logo Novo, exposto ao lado de alguns nomes míticos como Cheval Blanc e Masseto.

Em sua maioria os vinhos eram caros e famosos, mas o resultado foi bastante irregular, com vinhos que adorei e outros que realmente não gostei. Abaixo minhas impressões. Os preços em euros na Itália foram informados pela produção do evento.

1-L´Apparita 2008, Castello di Ama. Toscana. 140 euros.

Bastante desequilibrado. Pode ser problema da garrafa.

2ª garrafa testada, um pouco melhor, mas ainda um vinho abaixo do padrão deste produtor. Aroma fechado, seco, notas lácteas, de mel, própolis, decaiu muito ao longo da prova. Uma grande decepção, esperamos que sejam apenas más garrafas, pois sou fã deste vinho. Sem nota.

 

2-Baffo Nero 2007, Rocca di Frassinello, Toscana, 120 euros.

Intenso, estilão moderno, fruta muito madura, madeira nova, geleia, notas balsâmicas, tudo muito bem amalgamado, em um bloco coeso. Paladar encorpado que confirma o nariz, volumoso, com taninos doces. Confesso que não é meu vinho, mas é excelente no estilo.

Nota: 92 pontos

 

3- Crosara 2008, Maculan, Veneto, 68 euros.

Um vinho muito rico e concentrado em seus aromas e sabores, embora não muito limpo (algumas notas de redução). Mostrou aromas de especiarias doces, cravo canela, alcaçuz, baunilha, geleias. Paladar encorpado, taninos finos e doces, com final seco e elegante, conjunto consistente, quase sólido.

Nota: 93 pontos

 

4-Lamaione 2008, Marchesi de’ Frescobaldi, Toscana, 41 euros.

Nariz doce, com muita fruta madura, geleia, madeira nova, tostados, coco, baunilha, violetas. Paladar de bom corpo,  taninos presentes e doces, redondo e macio. Outro vinho muito bom mas em um estilo que não me agrada muito.

Nota: 89 pontos

 

5-La Ricolma 2008, San Giusto a Rentennano, Toscana, 42 euros.

Pura passa no nariz, concentradíssimo, alcaçuz, geleias, madeira nova, notas picantes de  pimenta, couro novo, verniz, uma nota cítrica que normalmente é mais comum em vinhos brancos, muito rico e diferente no nariz. Paladar encorpado, profundo, uma montanha de taninos doces. Precisa de tempo de garrafa, diferente e com grande potencial. Foi uma das melhores surpresas da prova.

Nota: 94 pontos

 

6-Logo Novo 2008, Logo Novo, Toscana, 25 euros.

Delicioso no nariz, um mergulho em frutas negras, madeira nova, couro novo, algo vegetal, tabaco, musgo. Paladar encorpado, taninos presentes, finos e doces. Bela estréia para este produtor e também um bom custo-benefício.

Nota: 92 pontos

 

7-Masseto 2008,  Tenuta dell’Ornellaia, 1.300 euros (garrafa magnum).

Este foi o vinho que melhor evoluiu na taça ao longo da prova. No início decepcionou e ao final conquistou. Começou tímido e fechado (nenhum vinho foi decantado), abriu-se com elegantes notas vegetais de tabaco e musgo, menta, alcaçuz, frutas negras maduras, especiarias, tudo muito bem integrado. Paladar volumoso, mas sem exageros, muitos taninos finos. Conjunto com estrutura equilíbrio e finesse. Pronto, mas ainda deverá evoluir muito. Excepcional.

Nota: 96 pontos

 

8-Messorio 2008, Le Macchiole, Toscana, 160 euros.

Fechadíssimo, nariz de frutas negras quase queimadas, muitas tostados, especiarias doces, alcaçuz, mentol. Paladar volumoso, imponente, impressiona, mas é mais força que elegância. Nota: 92 pontos

 

9-Redigaffi 2008, Tua Rita, Toscana, 180 euros.

Este é um produtor que admiro muito, mas esta safra do Redigaffi para mim passou um pouco do ponto. O resultado é um belo vinho, mas em um estilo que não me agrada muito. Nariz intenso e expressivo, notas de caldo de cana, notas lácteas, muita madeira nova, azeitona preta, balsâmicos. Paladar de bom corpo, taninos doces, acidez regular. Outro vinho muito bom, que agradará a muitos, mas em um estilo que não é o meu.

Nota: 90 pontos

 

10-Cheval Blanc 2008, Bordeaux-França, 540 euros.

Antes de mais nada este não é um Merlot 100% e leva cerca de 50% de Cabernet Franc. Este deveria ser hors concours neste certame, pois além de ser um dos maiores vinhos do mundo, ele só se estará em seu melhor daqui a vários anos. É um infanticídio abrir esta garrafa agora. Mas já que estava aberta, provamos com prazer. Como esperado estava bastante fechado, mas já mostrando qualidades de grande vinho: finesse, estrutura, equilíbrio, integração, complexidade, tipicidade e um tremendo potencial de guarda, com uma excepcional acidez natural. Mesmo em uma safra considerada apenas boa, é covardia para os demais vinhos da prova.

Nota: 96 pontos

 

11-Oakville Merlot 2008, Nickel & Nickel Harris, Califórnia, 110 euros

Aroma de fruta fresca com notas verdes. Paladar de médio corpo, taninos doces, acidez moderada, notas de amargores no fim de boca. Um vinho simples, sem maiores qualidades.

Nota: 83 pontos

 

12-Pahlmeyer  Merlot  2008, Califórnia, 110 euros

Este é para o gosto americano, no mau sentido. Aroma de rapadura, melaço, caldo de cana, geleia, cocada preta. Paladar confirma o nariz, bom corpo, taninos sedosos, com alguma açúcar residual, acidez moderada, cai no meio de boca. Não gostei.

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Mergulho em Bordeaux

05 março 2012 | 1 comentário

Por Marcelo Copello

O Brasil recebe esta semana pela primeira vez uma visita oficial da “Union des Grands Crus de Bordeaux”. Para os fiéis de Baco seria como receber uma comitiva do Vaticano.

Cerca de 80 produtores de grandes châteaux de Bordeaux aterrissam em São Paulo e Rio de Janeiro para o lançamento oficial da safra 2009 – uma das melhores da década. Os eventos oficiais são restritos a profissionais, mas com tantos apóstolos de Baco presentes na cidade muitos eventos paralelos acontecem. Eu mesmo tenho a agenda da semana cheia com cafés da manhã, almoços, tardes e jantares com vários produtores.

Felizmente o consumidor não ficará de fora, pois algumas importadoras farão eventos paralelos abertos ao público.

SÃO PAULO

Em São Paulo a Grande Cru promove o “Grand Tasting 2012 – Edição Especial Bordeaux Grand Cru Classé 2009”, evento no qual oferecerá cerca de 50 vinhos.

Data: 06 de Março de 2012 (Terça-Feira)

Horário: 19h00 às 22h00

Valor: R$ 350,00 | Ingresso Geral

Casa da Fazenda do Morumbi

Av. Morumbi, 5594

louise_marketing@grandcru.com.br

(11) 3062-6388

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RIO DE JANEIRO

No Rio a importadora Wine Stock promove o “I Encontro de Grands Chateaux de Bordeaux”, no Iate Clube, com 10 produtores Grand Cru da região.

Dia: 9 de março de 2012

Hora: das 16h às 20h

Local: Iate Clube do Rio de Janeiro –

Salão Marlin Azul (Av Pasteur, 333 – Urca).

Valor: R$ 250,00 por pessoa

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Pontos de venda:

  • Wine Stock (Site): http://www.winestock.com.br/1egcb
  • WineMaximum – Representante no RJ: Telefone (21) 2527-1196
  • Bergut Castelo: Av. Erasmo Braga Nº 299, Lj.B – Castelo – (21) 2220-1887

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Com estrelas na taça

02 março 2012 | deixe seu comentário (0)

por Marcelo Copello

Esta é do fundo do “baú de Baco”. Não é segredo que eu gosto de Champagne, mas muitos talvez não saibam que entrevistei o enólogo do Dom Pérignon para meu então programa de TV. Benoit Gouez esteve no Brasil há alguns anos e conversamos à beira da piscina do Copacabana Palace. Veja a entrevista e leia um pouco sobre Dom Pérignon, o monge e o Champagne.

Todas as grandes casas de Champagne produzem seu cuvée de prestige, seu rótulo top, que, como o nome sugere, sustentam o prestígio das grandes marcas. É o caso do La Grande Dame da Veuve Clicquot, ou do Cristal da Louis Roederer, por exemplo, e do mais famoso deles, o Dom Pérignon, da Möet & Chandon. Vinhos como estes, raros e caros, são o que há de melhor na região de Champagne. Não são feitos todos os anos e usam apenas as melhores uvas dos melhores vinhedos.

O religioso, figura central da rica mitologia do Champagne, viveu de 1638 a 1715. Seus feitos foram de tal forma romanceados, que é difícil separar a realidade da ficção. Sua famosa frase, dita ao provar pela primeira vez seu invento, “venham rápido! Estou bebendo estrelas!”, é incompatível com outra lenda, a de que o monge em questão era abstêmio. Verdade ou não, a frase é tão irresistível quanto o as bolhas numa taça de Champagne.

Até o século XVII, os vinhos da região eram inexpressivos. Os brancos tinham tons amarelados e os tintos, acinzentados. As uvas não amadureciam o suficiente e a bebida estragava rapidamente nas garrafas. Parecia ser impossível concorrer com a vizinha Borgonha.

Dom Pérignon, da abadia de Hautvillers, teria estudado os vinhedos locais, a maceração das uvas, a clarificação dos vinhos, a conservação e o fato de algumas garrafas estourarem nas adegas, um fenômeno até então incompreensível. Tais explosões eram provocadas pela pressão de seu gás. As bolhas surgiam devido às baixas temperaturas invernais na região, que, freqüentemente, interrompiam o processo de fermentação antes de sua conclusão. As leveduras ficavam em estado latente até a primavera, quando o vinho, já engarrafados, fermentava novamente estourando a maioria das garrafas.

O monge teria passado a usar adegas profundas para estocar o vinho. Pretendia evitar que a pressão atmosférica produzisse estouros. E teria passado a engarrafar o líquido em noites de lua cheia, pelo mesmo motivo. Todos estes cuidados não evitavam que de 20% a 90% das garrafas explodissem. Chegava-se a usar máscaras de ferro para percorrer a adega.

Dom Pérignon fez de tudo para evitar a formação das bolhas, que eram consideradas um defeito na época. Como os brancos tinham uma tendência maior a espumar, ele resolveu usar apenas as uvas tintas (Pinot Noir), mas sem as cascas, já que estas não tinham cor suficiente. Teria sido então um dos primeiros a fazer vinhos brancos a partir de uvas tintas.

Entre as curiosidades em torno da bebida é possível encontrar em alguns museus colherinhas do tamanho das de chá, com cabo em espiral usadas na época, para mexer o Champagne nas taças de modo a tirar suas bolhas antes de bebê-lo. A espuma, além de indesejada, era imprevisível. Nem todas as garrafas eram espumantes. Como não se sabia a causa do fenômeno, não era possível nem evitá-lo nem reproduzi-lo. Ao longo do século XVIII, após a morte do famoso monge, o gosto dos consumidores foi mudando e a espuma, aos poucos, passou a ser exigida.

O Champagne, como conhecemos hoje, seu estilo e sua fama, foram moldados no século XIX. Desde 1823 a abadia de Hautvillers é patrimônio da Möet & Chandon, que lá instalou a Maison Dom Pérignon e em 1937 lançou o Champagne Dom Pérignon, seu cuvée de prestige.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Bordeaux Chinês

24 fevereiro 2012 | deixe seu comentário (0)

A revista inglesa Decanter acaba de divulgar a primeira tradução oficial da lista dos Grand Crus do Médoc (Bordeaux) em chinês. Vejam abaixo. O meticuloso trabalho, que durou um ano, foi elaborado pela casa leiloeira  Christie’s, em conjunto com os châteaus do Médoc. O objetivo é tornar estes vinhos mais acessíveis aos chineses (só se for no nome, pois os preços destas obras de arte não são nada, e cada vez menos, acessíveis…). A Christie’s anunciou que fará o mesmo trabalho de tradução para os vinhos doces de Sauternes, também em Bordeaux. Quem sabe um dia todos nós teremos versões de nossos nomes em chinês…

PS: Nós normalmente não traduzimos nomes, chamamos o Château Margaux de Château Margaux mesmo. No máximo poderíamos mudar a grafia para “Chatô Margô”, por exemplo. O chinês, contudo, traduz mesmo, para dar um significado ao nome e lá isso ajuda MUITO a vender os produtos. Eu tenho curiosidade de saber o significado de cada um destes novos nomes dos Chateaux…

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