Cheval e Masseto em boa compania

08 março 2013 | 4 comentários

Por Marcelo Copello

 

Em uma recente passagem pela Toscana participei de uma degustação super especial.

12 grandes Merlots foram avaliados por cerca de de 20 degustadores profissionais de vários países.

O evento foi promovido pela Azienda Logo Novo. Esta belíssima propriedade nos arredores de Motalcino, que pertence ao empresário ítalo-suíço Marco Keller, está lançando seu primeiro vinho, um Merlot da safra 2008.

Para marcar tal fato foram perfilados 12 Merlots de diferentes origens, todos da safra 2008, incluindo o Logo Novo, exposto ao lado de alguns nomes míticos como Cheval Blanc e Masseto.

Em sua maioria os vinhos eram caros e famosos, mas o resultado foi bastante irregular, com vinhos que adorei e outros que realmente não gostei. Abaixo minhas impressões. Os preços em euros na Itália foram informados pela produção do evento.

1-L´Apparita 2008, Castello di Ama. Toscana. 140 euros.

Bastante desequilibrado. Pode ser problema da garrafa.

2ª garrafa testada, um pouco melhor, mas ainda um vinho abaixo do padrão deste produtor. Aroma fechado, seco, notas lácteas, de mel, própolis, decaiu muito ao longo da prova. Uma grande decepção, esperamos que sejam apenas más garrafas, pois sou fã deste vinho. Sem nota.

 

2-Baffo Nero 2007, Rocca di Frassinello, Toscana, 120 euros.

Intenso, estilão moderno, fruta muito madura, madeira nova, geleia, notas balsâmicas, tudo muito bem amalgamado, em um bloco coeso. Paladar encorpado que confirma o nariz, volumoso, com taninos doces. Confesso que não é meu vinho, mas é excelente no estilo.

Nota: 92 pontos

 

3- Crosara 2008, Maculan, Veneto, 68 euros.

Um vinho muito rico e concentrado em seus aromas e sabores, embora não muito limpo (algumas notas de redução). Mostrou aromas de especiarias doces, cravo canela, alcaçuz, baunilha, geleias. Paladar encorpado, taninos finos e doces, com final seco e elegante, conjunto consistente, quase sólido.

Nota: 93 pontos

 

4-Lamaione 2008, Marchesi de’ Frescobaldi, Toscana, 41 euros.

Nariz doce, com muita fruta madura, geleia, madeira nova, tostados, coco, baunilha, violetas. Paladar de bom corpo,  taninos presentes e doces, redondo e macio. Outro vinho muito bom mas em um estilo que não me agrada muito.

Nota: 89 pontos

 

5-La Ricolma 2008, San Giusto a Rentennano, Toscana, 42 euros.

Pura passa no nariz, concentradíssimo, alcaçuz, geleias, madeira nova, notas picantes de  pimenta, couro novo, verniz, uma nota cítrica que normalmente é mais comum em vinhos brancos, muito rico e diferente no nariz. Paladar encorpado, profundo, uma montanha de taninos doces. Precisa de tempo de garrafa, diferente e com grande potencial. Foi uma das melhores surpresas da prova.

Nota: 94 pontos

 

6-Logo Novo 2008, Logo Novo, Toscana, 25 euros.

Delicioso no nariz, um mergulho em frutas negras, madeira nova, couro novo, algo vegetal, tabaco, musgo. Paladar encorpado, taninos presentes, finos e doces. Bela estréia para este produtor e também um bom custo-benefício.

Nota: 92 pontos

 

7-Masseto 2008,  Tenuta dell’Ornellaia, 1.300 euros (garrafa magnum).

Este foi o vinho que melhor evoluiu na taça ao longo da prova. No início decepcionou e ao final conquistou. Começou tímido e fechado (nenhum vinho foi decantado), abriu-se com elegantes notas vegetais de tabaco e musgo, menta, alcaçuz, frutas negras maduras, especiarias, tudo muito bem integrado. Paladar volumoso, mas sem exageros, muitos taninos finos. Conjunto com estrutura equilíbrio e finesse. Pronto, mas ainda deverá evoluir muito. Excepcional.

Nota: 96 pontos

 

8-Messorio 2008, Le Macchiole, Toscana, 160 euros.

Fechadíssimo, nariz de frutas negras quase queimadas, muitas tostados, especiarias doces, alcaçuz, mentol. Paladar volumoso, imponente, impressiona, mas é mais força que elegância. Nota: 92 pontos

 

9-Redigaffi 2008, Tua Rita, Toscana, 180 euros.

Este é um produtor que admiro muito, mas esta safra do Redigaffi para mim passou um pouco do ponto. O resultado é um belo vinho, mas em um estilo que não me agrada muito. Nariz intenso e expressivo, notas de caldo de cana, notas lácteas, muita madeira nova, azeitona preta, balsâmicos. Paladar de bom corpo, taninos doces, acidez regular. Outro vinho muito bom, que agradará a muitos, mas em um estilo que não é o meu.

Nota: 90 pontos

 

10-Cheval Blanc 2008, Bordeaux-França, 540 euros.

Antes de mais nada este não é um Merlot 100% e leva cerca de 50% de Cabernet Franc. Este deveria ser hors concours neste certame, pois além de ser um dos maiores vinhos do mundo, ele só se estará em seu melhor daqui a vários anos. É um infanticídio abrir esta garrafa agora. Mas já que estava aberta, provamos com prazer. Como esperado estava bastante fechado, mas já mostrando qualidades de grande vinho: finesse, estrutura, equilíbrio, integração, complexidade, tipicidade e um tremendo potencial de guarda, com uma excepcional acidez natural. Mesmo em uma safra considerada apenas boa, é covardia para os demais vinhos da prova.

Nota: 96 pontos

 

11-Oakville Merlot 2008, Nickel & Nickel Harris, Califórnia, 110 euros

Aroma de fruta fresca com notas verdes. Paladar de médio corpo, taninos doces, acidez moderada, notas de amargores no fim de boca. Um vinho simples, sem maiores qualidades.

Nota: 83 pontos

 

12-Pahlmeyer  Merlot  2008, Califórnia, 110 euros

Este é para o gosto americano, no mau sentido. Aroma de rapadura, melaço, caldo de cana, geleia, cocada preta. Paladar confirma o nariz, bom corpo, taninos sedosos, com alguma açúcar residual, acidez moderada, cai no meio de boca. Não gostei.

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Especialista americano aprova vinhos brasileiros

13 novembro 2012 | 3 comentários

Por Marcelo Copello

Como escrevi no post passado, Frank Martell é diretor da Heritage Auctions, uma das maiores casas de leilões e vinhos raros do mundo, baseada em Dalas-EUA. Ele estave no Brasil para estudar nosso mercado.. Aproveitei, claro, para fazê-lo provar algo nosso. Usei duas garrafas de clássicos brasileiros que por acaso tinha em minha adega. Vejamos o que ele achou.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Brasil atrai especialista em vinhos raros

07 novembro 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Frank Martell é diretor da Heritage Auctions, uma das maiores casas de leilões e vinhos raros do mundo, baseada em Dalas-EUA, mas também com escritórios em Nova York, Beverly Hills, São Francisco, Paris e Genebra. Frank esteve no Brasil para conhecer nosso mercado (temos muitos compradores assíduos em leilões mundo afora) e para, sorte minha, provarmos algumas raridades, como o Petrus 1970 e o Massandra 1929.

 

Ele acompanhou de perto (e foi uma dos responsáveis) pela explosão do mercado de vinhos em Hong Kong. Os impostos lá eram 80%, depois baixados a 40% e depois a ZERO. O resultado foi muito positivo. Um exemplo para ser analisado no Brasil, baixar impostos para aumentar o consumo. 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Leilões de vinho em alta

24 outubro 2012 | 1 comentário

Por Marcelo Copello

A compra de vinhos em leilões é uma prática cada vez mais comum para os amantes do vinho que gostam de colecionar rótulos especiais, além de saborear vinhos muito raros ou até de valor simbólico ou histórico.

No mais recente leilão internacional de vinhos da Christie’s em outubro, foram arrecadados um total de U$1.5 milhões. Com 96% dos lotes vendidos por volume e 94% por valor, afirma a casa de leilões.

Chateau Lafite-Rothschild 1982

As arremates de valores mais altos foram as de lotes de vinhos franceses, 11 garrafas do bordalês Chateau Lafite-Rothschild 1982, que foi para um cliente asiático por U$33,880 e quatro garradas do La Romanée-Conti 1969, da  Borgonha, vendido por U$29,040 por, segundo a empresa. Cada vez mais o vinho se firma como um ótimo investimento, além de uma bebida de saúde, cultura e prazer.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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22 pessoas foram salvas do naufrágio de uma “sala de degustação de vinhos flutuante”

22 outubro 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Aproximadamente duas dúzias de pessoas que aproveitavam uma despedida de solteiro na considerada a única “sala de degustação de vinhos flutuante” da baía de São Francisco estão bem após o barco ter atingido um banco de areia próximo à ilha de Alcatraz e começado à afundar na sexta à noite do último dia 12, dizem os policiais.

Alguns dos vinte e dois tripulantes salvos.

O barco de 45 pés Neptune atingiu o banco em torno de 8:42 da tarde e começou à fazer água depois do impacto ter deixado um rasgo na lateral da nau, disse o guarda costas Josh Dykman.

O Capitão do barco tentou levar o barco danificado para um pier próximo, mas o estado foi piorando e começou a afundar à 300 pés do pier, disse Dykman.

Três barcos da guarda costeira levaram todos os 22 passageiros e tripulantes da embarcação para o pier. A polícia e os bombeiros também responderam ao chamado, não houveram feridos.

“Nós estávamos no barco por uns 20 minutos mais ou menos”, disse Matthew Rice, convidade de honra da festa. “Estávamos indo olhar Alcatrazm quando de repente foi como uma explosão, um grande abalo e a próxima coisa que lembramos era da guarda chegando para nos retirar”.

O Neptune é um barco motor de 1985 operado pela San Francisco Bay Boat Cruises LLC, que oferece “viagens especializadas” na baía de São Francisco, de acordo com o website da companhia.

O barco está certificado à carregar 42 passageiros segundo a companhia.

“Foi apenas um evento infortuno”, disse Melissa McDowell, que operava o cruzeiro como um negócio de família, junto à seu marido e sua filha adulta.

Todos os três membros da família estavam à bordo na ocasião, e ajudaram os passageiros a deixarem o barco, disse McDowell.

“Cada um de nossos passageiros era incrível”, ela disse. “Eles seguiram as instruções e estavam bem humorados na situação”

A causa do incidente está sob investigação. O barco danificado foi rebocado para a Sausalito Boat Works onde será reparado. Não houve relatos de poluição, disse Dyrkman.

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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