Uma aula sobre barricas na Califórnia

29 junho 2012 | deixe seu comentário (0)

 

Por Marcelo Copello

 

Estive na Califórnia com o francês Francois Cordesse, enólogo chefe da vinícola Matanzas Creek, em Sonoma na Califórnia. François, especialista em barricas, nos dá uma verdadeira aula sobre carvalho, o grande tempero do vinho.

Veja:

 

 

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

 

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O espumante brasileiro

25 junho 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Com mais da metade dos prêmios amealhados pelo país lá fora, só faz aumentar o prestígio das borbulhas nacionais

O espumante brasileiro está girando o mundo, colhendo láureas em concursos internacionais, conquistando consumidores e instigando experts de várias nacionalidades. A pergunta que todos fazem é a mesma: o que leva o espumante nacional a ser tão bom? A resposta é uma conjunção de fatores históricos, naturais, sociais e mercadológicos.

 

História centenária

Não é de hoje a dedicação dos produtores brasileiros aos espumantes. Apesar de uma história bem mais antiga (a produção de vinhos no Brasil começou em 1532), foi em 1915, portanto há quase 100 anos, que espocaram as primeiras rolhas de espumantes brasileiros, com a fundação da vinícola Armando Peterlongo, a pioneira no setor.

 

Sabedora do potencial do terroir brasileiro para espumantes, a Möet Chandon construiu aqui uma vinícola em 1973, mesmo ano em que se estabeleceu na Califórnia e antes de inaugurar a sua sede na Austrália (em 1986).

 

O terroir da Serra Gaúcha

Como a região de Champagne, na França, a Serra do Rio Grande do Sul percebeu cedo que a adversidade do clima para tintos poderia, sob a ótica dos espumantes, se transformar em vantagem.

 

Principal região produtora de vinhos do país e berço do espumante brasileiro, a Serra Gaúcha localiza-se na latitude 29º Sul, com altitudes entre 400 e 800 metros. O clima é temperado sub-tropical, com verões amenos e úmidos, com chuvas de 1.700mm, temperatura média de 17ºC, umidade relativa do ar de 77%, com cerca de 2.200 horas de sol ao ano. Os solos são argilo-calcários ácidos, com boa drenagem, ricos em potássio e pobres em fósforo.

 

Tais dados mostram um terroir difícil para uvas tintas de ciclo longo, porém perfeitos para a elaboração de vinhos-base para espumantes, de baixo teor de álcool, alta acidez e ótimos aromas. Dentro da Serra Gaúcha foi regulamentada a Denominação de Origem “Vale dos Vinhedos”, que determina o uso das uvas Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Itálico. Além destas cepas outra que merece destaque é a Moscatel, cujos espumantes leves, frescos e perfumadíssimos já conquistaram público cativo.

 

Outras regiões

Não é só da Serra Gaúcha que provém os bons espumantes brasileiros, mas de todo o Rio Grande do Sul e de outros estados do país, como a vizinha Santa Catarina e Pernambuco, no Nordeste brasileiro. Este último um terroir muito peculiar, no paralelo 8º Sul, com duas colheitas ao ano. O Vale de São Francisco, debruçado sobre os territórios pernambucano e baiano, possui clima muito quente, tropical semi-árido, e nos espumantes a vocação é para a elaboração de moscatéis mais cremosos e exuberantes, de acidez moderada.

 

Santa Catarina, por sua vez, é quase o oposto disto, com altitudes que chegam a 1.400 metros e temperatura média de 12,7oC. A colheita é até 4 meses mais tarde que no Rio Grande do Sul e as uvas chegam à grande maturidade, mantendo alto nível de acidez. As uvas utilizadas, além de Chardonnay e Pinot Noir, incluem a Cabernet Sauvignon e a Merlot, originando espumantes fresquíssimos, de acidez crocante e ótima estrutura.

Método de tomada de espuma

O método de tomada de espuma mais usado é o charmat, com segunda fermentação em tanques de inox, podendo ser um “charmat curto” (com cerca de 3 meses de tempo com as borras) ou um “longo” (com cerca de 8 ou mais meses sur lie). O método tradicional (ou champenoise) também é bastante utilizado para os produtos de mais alta gama, com alguns produtores altamente especializados neste processo.

 

Mercado

De nada adiantaria o domínio técnico e a ajuda da natureza se a resposta não viesse do consumidor. O brasileiro adora o espumante nacional e o prestigia. Esta foi a categoria que mais cresceu em nosso mercado nos últimos anos, com um crescimento de quase 100% entre 2005 e 2010 (chegando a 12,5 milhões de litros comercializados). Vale destacar o desempenho dos moscatéis que cresceram quase 300% no mesmo período, chegando a 3 milhões de litros.

 

Reconhecimento internacional

Alguns números comprovam tudo o que foi dito acima. Entre 2002 e 2011, 1.966 rótulos brasileiros receberam medalhas em concursos internacionais. Destes nada menos que 51% (ou 1.003 medalhas) foram de espumantes, um desempenho digno de um (ou vários) brinde(s)!

 

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

 

Tags: | Publicado em: Brasil

Decanter Wine Show 2012

18 junho 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

 

Amigos de BACO preparem-se, no dia 25 começa a 4a edição do Decanter Wine Show 2012. Serão 70 produtores de 11 países do Velho Mundo aterrisando em 4 capitais.

Este ano a importadora Decaner começa a adotar um novo formato. Ao invês de uma feira grande a cada dois anos, fará anualmente uma feira menor, divida em Novo Mundo e Velho Mundo. Assim este ano veremos apenas vinhos europeus e ano que vem apenas vinhhos do resto do mundo.

A lista de presenças (alguns pela primeira vez no Brasil) é extensa e expressiva. O evento é impredível. Anote os detalhes:

Locais e datas:

25 de junho -Rio Janeiro- Rio Othon Palace- Av. Atlantica, 3264- Copacabana

26 de junho- São Paulo- Hotel Tivoli- Al. Santos, 1437

27 de junho- São Paulo- Al. Santos, 1437

28 de junho- Porto Alegre- Sheraton Hotel- Rua Olavo Barreto Vianna, 18- Moinhos

29 de junho – Belo Horizonte- Av. do Contorno, 8657

 

Horário: das 16h às 22h

Preço: R$ 250,00, com direito a uma taça + kit DWS + bônus (valor do ingresso poderá ser revertido em compras acima de mil reais, realizadas no dia do evento).

Como comprar: antecipadamente nas Enotecas Decanter: São Paulo Tel. (11) 3073-0500; Belo Horizonte Tel. (31) 3287-3618; Rio de Janeiro Tel. (21) 2286-8838, Porto Alegre (51)3222-1131.

 

Para ir aguando veja a lista completa dos produtores presentes:

FRANÇA
Domaine Antonin Guyon
Champagne De Sousa
Château de Tracy
Château La Gardine/Brunel
Delord
Domaine Du Salvard
Jean-Luc Colombo
Kriter/Sorevi
Domaine L´Oustal Blanc
Château Lagrézette
Paul Mas
Mahler Besse/Cheval Noir
Maison François Labet
Montirius
Domaine Paul Blanck
Vignobles Despagne/Ch. Bel Air Perponcher 

 

ITALIA
Araldica
Bedin
Boscarelli
Caprili
Cesani
Elena Walch
Franz Haas
Gulfi
Medici Ermete
Michele Castellani
Nicodemi
Pieropan
Pio Cesare
Racemi/Pervini
Rocca Delle Macìe
San Fabiano de Calcinaia
Villa Raiano
Villa Russiz 

 

PORTUGAL
Altas Quintas
Domingos Alves de Sousa
Anselmo Mendes
Falua – Conde de Vimioso
Dona Maria
Quinta da Plansel
Quinta dos Roques/Q. Maias
Warre´s
Cossart Gordon 

 

ESPANHA
Arzuaga Navarro
Araex: Bodegas Luis Cañas/Amaren
Araex: Dominio de Cair
SFW: Bodegas Muñoz/ Artero
SFW: Pago de Cirsus
Celler L´Encastell
Jose Pariente
Peique
Raventós i Blanc
Real Sitio de Ventosilla – PradoRey
Roqueta/Abadal
Palacio de Fefiñanes
Celler Vinos Piñol
Gil Luna 

 

ALEMANHA
Grans-Fassian
Dr. Heger
Reichsrat Von Buhl
Horst Sauer

Franz Künstler

 

 

AUSTRIA
Hiedler 

 

HUNGRIA
Attila Gere 

 

CROACIA
Korta Katarina 

 

ESLOVENIA

Simcic 

 

GRECIA
Domaine Sigalas 

 

BRASIL
Quinta da Neve
Vinícola Hermann

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

 

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Conheça os tipos de Jerez por quem entende

13 junho 2012 | 2 comentários

 

Por Marcelo Copello

 

Pessoal, hoje temos alguns videos didáticos para os amantes de Jerez. Estive na região e visitei uma de suas melhores vinícolas, a Bodegas Tradición, que faz vinhos de altíssima qualidade (representados no Brasil pela Viníssimo).

Nos videos a seguir o enólogo chefe desta bodega, José Maria Quirós, nos dá uma aula sobre os diversos tipos de Jerez: Palo Cortado, Oloroso, Amontillado e Pedro Ximenez. A Bodegas Tradicoón só faz jerez muito envelhecidos e por isso não elabora nenhum jerez do tipo Fino, que é mais fresco, normalmente servido como aperitivo

 

1-Palo Cortado


 

2-Oloroso


 

3-Amontillado

 

4-Pedro Ximenez

 

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

 

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Feijoada e vinho – como combinar?

08 junho 2012 | 2 comentários

Por Marcelo Copello

 

O tema “harmonização” – a escolha do vinho adequado para cada prato – está muito em voga no Brasil. Busca-se aqui descobrir qual vinho seria ideal para os pratos típicos, já que não temos tradição em vinho e estas receitas historicamente não eram consumidas com vinho. O caso mais estudado é a feijoada, cartão portal da culinária verde e amarela. A feijoada tem suas origens na relação entre o senhor de engenho, muitas vezes um colonizador português, e os escravos africanos. Enquanto as melhores partes do porco iam para a casa grande, a senzala comia as o que era desprezado (pé, orelha etc). Somou-se a isso o feijão preto de origem americana, e as influencias de pratos portugueses da Estremadura, das Beiras e de Trás-os-Montes e Alto Douro, que misturam feijão (não o preto) à lingüiças, orelha e pé de porco, além de outros pratos europeus como o cassoulet (França), o cozido madrileño (Espanha) e a “casserola” milanesa (Itália). Hoje a feijoada é um cozido de feijão preto e carnes (carne seca, lombo, costela, pé, orelha, rabo, paio, lingüiça e língua de boi), temperado com pimenta vermelha, cebola, alho, azeite, louro e geralmente servida com arroz branco, fatias de laranja, couve, farofa e molho de pimenta.

 

O LOCAL E OS CONVIDADOS

Harmonização é uma ciência eminentemente prática. Reuni portanto um grupo de abnegados amantes do vinho que emprestaram seus palatos a esta experiência em um restaurante de nome bastante sugestivo. A “Casa da Feijoada” (Rua Prudente de Moraes 10, Ipanema, Rio de Janeiro), que oferece um único prato e faz fila à porta com pessoas (muitos turistas) que buscam provar a verdadeira feijoada.

 

À nossa “mesa-laboratório” sentaram-se: Embaixador António Almeida Lima – Consul Geral de Portugal no Rio de Janeiro, Solange Amado – empresária, Lauro Carvalho – enófilo, Marcelo Velloso –  empresário, e Leonardo Braga – proprietário da Casa da Feijoada.

A ESCOLHA DOS VINHOS

Escolher um vinho para acompanhar a feijoada não é tarefa banal. O prato oferece alto nível de sabor, aroma, sal e gordura, um toque de amargor do feijão preto e a picância da pimenta, em maior ou menos grau, pois esta é acrescentada a gosto na hora de comer. Escolhi uma ampla gama de vinhos portugueses:

  • Um espumante branco brut muito vivaz - Vértice Super Reserva 2000, Douro.
  • Um espumante tinto bastante usado para acompanhar o leitão da Bairrada – Raposeira Tinto 2003, Douro.
  • Um refrescante branco – Alvarinho Muros Antigos 2006, Anselmo Mendes, Minho.
  • Um tinto alentejano, moderno, macio e com madeira nova – Casa de Sabicos Reserva 2004.
  • Um tinto da Bairrada, mais tradicional, fermentado em lagares e com estágio em madeira usada - Casa de Saima Bairrada Garrafeira 2001.

 

A PRÁTICA

Como sempre faço em eventos de harmonização sugiro que todos os vinhos sejam provados antes da chegada do pratos, para mostrar como realmente o perfil do líquido muda diante da comida. Puro todos os vinhos agradaram bastante, a exceção do Raposeira, pois a união da acidez borbulhante do espumante com taninos causou estranheza.

 

A feijoada, como manda o figurino veio fumegante. Todos então comeram provando todos os vinhos e deram duas opiniões, em um agradável debate sobre a “performance” de cada caldo. O Alvarinho foi unanimemente descartado, apesar de excelente, pois sumiu diante da maior estrutura do prato. O Vértice foi muito elogiado e foi um bom companheiro para a feijoada, embora sem sinergia com o prato. O Casa de Sabicos, outro vinho muito bom, teve seu perfil madeirado e de “doçura” nos taninos e álcool exacerbado pelo prato, o que a poucos agradou, sendo elogiado apenas por Solange, uma amante dos tintos aveludados. O Bairrada encantou por sua elegância e complexidade, mas esperava-se mais taninos desde filho da Baga. Faltou-lhe impacto no paladar para enfrentar a força da carne gordurosa e, com o feijão sobrou um pouco de amargor no fim de boca. O campeão, quem diria, foi o Raposeira tinto, que puro desagradou, mas que cresceu com o prato, e mais ainda com a pimenta. Como lembrou o Sr. Embaixador António Almeida Lima, “todo casamento precisa de modéstia” e o vinho que antes mostrou-se o mais humilde era ao final o mais prendado, como uma “gata borralheira”.

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

Tags: | Publicado em: Harmonizações