Vinho & Chocolate

29 março 2012 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

 

Na história dos ditos casamentos entre bebidas e alimentos, o chocolate talvez seja a “megera domada” deste enredo. Assim como a Catarina, de Shakespeare, esta iguaria espanta os pretendentes ao matrimônio. Seu amargor, doçura, sabor e teor de gordura são tamanhos que comprometem a apreciação da maioria das bebidas que se apresentam para a núpcia.


E por que, então, insistir em uma combinação tão complicada? Porque, assim como nos relacionamentos pessoais, muitas vezes a paixão se sobrepõe à harmonia. E paixão não falta aos chocólatras. Este é nada menos que o doce mais apreciado do mundo, exercendo grande fascínio sobre seus aficionados. Anualmente são consumidos 4 milhões de toneladas em todo o mundo. Per capita, a Suíça está em primeiro lugar, com 10 quilos anuais. No Brasil, comemos 1,3 quilo ao ano, número tímido para o segundo produtor mundial de cacau (300 mil toneladas), atrás apenas da Costa do Marfim.

O chocolate tem mais de 5 mil anos de história. É originário da América, onde era preparado em forma líquida pelas civilizações pré-colombianas. Foi levado para a Europa pelo navegador espanhol Cortez em 1528 e tornou-se popular como bebida. O formato em barra, como é mais conhecido hoje, surgiu em 1847, na Inglaterra.

O aspecto mais sedutor desta jóia marrom é sua textura. A manteiga de cacau derrete exatamente à temperatura do corpo humano, o que confere a esta apetitosa comida uma sensação luxuriante quando em contato com a boca. Sem mencionar os efeitos de diversos de seus componentes, como a capacidade de estimular a produção de serotonina, neurotransmissor que provoca sensação de bem-estar.

Mas como reconhecer e degustar um bom chocolate? Morda um pedaço pequeno e deixe-o desmanchar lentamente na língua. Se for de qualidade, irá dissolver-se de modo uniforme. Seu tato ao derreter deve ser cremoso, liso como o cetim e macio como o veludo. Evite os pastosos, grudentos ou granulosos. A presença de arenosidade é indicação de que demasiado açúcar foi usado. Seu paladar deve ser equilibrado em sua doçura e amargor, e o final longo, agradável e sem deixar gosto de nenhum tipo de química. Aromas comuns em bons exemplares são: nozes, caramelo, terra, fumaça, chá, manteiga, baunilha (o mais típico) e especiarias, além de algumas frutas e flores. Falo do produto puro, sem contar com os possíveis sabores adicionados à ele.

Se Petrucchio domou a megera Catarina, muitas bebidas podem fazer o mesmo com o chocolate. Quando se trata desta união, o vinho é o enlace mais explosivo. Neste caso, não estamos falando apenas de harmonia, mas também da paixão dos consumidores por um e por outro. Como muitos relacionamentos tempestuosos, mesmo quando não duradouros, saciam nossas paixões.
Dos vinhos comumente recomendados, o Porto sempre brilha por seu teor alcoólico e doçura. Um Tawny velho é para um chocolate ao leite e um Vintage jovem para os mais amargos. O Sauternes harmoniza por sua textura densa, aromas e doçura; o Champagne, pela elevada acidez que o torna um curinga, combina com quase tudo. Uma boa surpresa pode ser um Jerez do tipo Pedro Ximenez, generoso vinho espanhol que não se intimida com o desafio. E, finalmente, o Banyuls, um fortificado doce do sul da França, potente, que para muitos é a melhor opção.

Vinhos secos costumam sofrer nesta relação. O chocolate faz que os encorpados figurem magros e desapareçam. A opção mais praticada é o Cabernet Sauvignon, por ter normalmente aromas de chocolate. Dê preferência aos jovens e frutados, pois os envelhecidos e barricados perdem todas as nuanças quando submetidos ao doce de cacau.

A dupla paixão que envolve este casamento suscitou até a criação de bebidas com mistura especial na fórmula. É o caso da linha de caldas de chocolate com vinho da vinícola californiana Beaulieu Vineyeards, que oferece uma receita com Porto e outra com Cabernet Sauvignon. Mais além foi o igualmente californiano Deco Port Chocolate, um fortificado tipo Porto, envelhecido em carvalho que recebe na elaboração chocolate em estado natural.

Outras bebidas também se prestam muito bem a este conúbio. Licores de frutas, como Cointreau ou Grand Marnier; destilados, como os bourbon, cognac e armagnac; ou um simples chá preto podem ser ótimas opções. Entre as novas combinações, a de whisky Johnnie Walker Gold Label, um blended super premium, servido gelado, também enfrenta com galhardia a intensidade de um bombom, por exemplo. Por fim, a bebida que talvez proporcione o casório mais harmonioso: o café, por ser a única que consegue superar o chocolate em amargor, evidenciando, assim, outras qualidades do alimento. Além disso, a temperatura da moca fumegante aquece o palato e facilita o derretimento do doce. É de dar água na boca.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

 

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O Rio tem um novo CAMPEÃO

25 março 2012 | 4 comentários

Por Marcelo Copello

Realizou-se no últmo sábado dia 24 na sede da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS) do Rio de Janeiro o VIII Concurso Regional de Sommeliers do Rio de Janeiro. O certame definiu o campeão carioca de 2012, que representará o estado no concurco nacional, no meio do ano (ainda com data e local a definir – provavelmente no Rio). A etapa seguinte, o concurso panamericano, acontece este ano no Brasil, em Bento Gonçalves entre 21 e 26 e outubro.

Prova é composta de várias etapas. A 1a, escrita, é eliminatória, 36 se inscreveram e os 5 melhores nesta etetapa classificaram-se para a etapa final. Os 5 finalistas foram:

  1. Elvis Baltar de Oliveira (Alameda Restaurante)
  2. Rodrigo Borges dos Santos Moura (Salitre)
  3. Ramon Rodrigo Justino (Garcia & Rodrigues Barra)
  4. Thiago Roberto Augusto dos Santos
  5. Julio Cesar Oliveira (Adegão Português Barra)

 

A etapa final é composta de uma degustação às cegas (onde o candidato precisa descrever o vinho), depois uma prova de serviço (onde há uma simulação de restaurante, com um casal de clientes pedindo pratos, soclicitando harmonizações e fazendo perguntas) e uma prova onde o candidato precisa identificar erros em uma carta de vinhos.

O resultado foi muito parelho. Todos os candidatos foram muito bem nas provas,mantendo uma das melhores médias da história da ABS. No final, por margem apertada o campeão foi o Ramon, com Rodrigo em 2o lugar e Tiago em terceiro. Momentos após  o anúncio do resultado o novo Campeão Carioca de Sommeliers, Ramon Rodrigo Justino, deu um depoimento emocionado a este Blog.

Assista:

 

O aumento do consumo de vinhos no Brasil pssa pela melhoria da qualidade do serviço de vinhos nos restaurantes. Neste sentido o trabalho da ABS ao longo das últimas décadas tem sido inestimável. Parabéns a ABS, aos candidatos e pricipalmente ao novo campeão!

Julio  César, Rodrigo, Ramon, Elvis e Tiago

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Marcelo Copello (mcopello@mardevinho.com.br)

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Comunicado do Ibravin

23 março 2012 | deixe seu comentário (0)

O Ibravin acaba de mandar um comunicado à impresa sobre o pedido de salvaguardas. Para ver clique em: EM DEFESA DO VINHO BRASILEIRO

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Geisse se manifesta contra a salvaguarda

23 março 2012 | deixe seu comentário (0)

Acado de receber este comunicado oficial de Vinícola Geisse

“Somos absolutamente contrarios a qualquer ferramenta que possa prejudicar o consumidor bem como a evolução do consumo de vinhos de qualidade no Brasil, que sem sombra de dúvida teve uma grande evolução nos últimos anos graças aos esforços realizados tanto pelos produtores brasileiros quanto pelos importadores que trabalham diariamente auxiliando na evolução dos consumidores de vinhos. Temos que agradecer que hoje no Brasil podemos encontrar uma diversidade enorme de estilos e regiões para apreciar e desenvolver nosso paladar, aprendendo a diferenciar o que cada região pode entregar de melhor com suas características e principalmente sua tipicidade.

Sempre nos posicionamos contrários a qualquer barreira protecionista, afinal, o vinho é um dos produtos mais globalizados que existe e o apreciador quer poder tomar a maior diversidade de rótulos possível e aos melhores preços possíveis, e essa deve ser a verdadeira luta de nós produtores brasileiros! melhorar nossa posição, não procurando meios para dificultar a entrada ou de tornar os vinhos importados mais caros ao consumidor, e sim, através de uma justa redução na pesada carga tributária imposta aos produtores brasileiros, pois afinal estamos falando de alimento e cultura!

Somente conseguiremos aumentar o bolo do consumo de vinhos e espumantes de qualidade no Brasil através de um trabalho conjunto somando as forças dos importadores e dos produtores brasileiros de qualidade em prol do aumento do consumo de vinhos no Brasil. Esta evolução tanto do consumidor como dos produtores nos auxiliarão para um melhor direcionamento e amadurecimento do setor, através do investimento em produtos que tenham melhor aceitação, com características singulares que conquistem o consumidor pela sua inquestionável qualidade e estilo tanto no mercado brasileiro como mundial.

O vinho sempre foi sinônimo de união, acredito que é somente questão de tempo até todos se darem conta de que estamos absolutamente no mesmo lado, e unindo forças teremos um excelente caminho para o bom desenvolvimento da cultura do vinho no Brasil.”

…………………………………Assinado VINICOLA GEISSE

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Um nome de peso contra o aumento de impostos

23 março 2012 | 1 comentário

Por Marcelo Copello

A vinícola Salton, uma das maiores do país, enviou hoje um comunicado a imprensa no qual informa que não mais apoiará o pedido de salvaguarda para o vinho brasileiro.

“A Vinícola Salton esclarece que são as entidades representativas do setor, Ibravin, Uvibra, Fecovinho e Sindivinho que estão à frente do movimento para salvaguardas dos vinhos nacionais. A Salton, compreendendo que estas medidas podem restringir o livre arbítrio de seus consumidores, encaminhou ao Ibravin um documento informando que não apoiará a causa. Reforçamos ainda que a Salton, uma empresa centenária e brasileira, se preocupa muito com seus clientes e consumidores e que busca constantemente o melhoramento de seus processos e produtos, por meio de investimentos em novas tecnologias e programas de qualidade, para concorrer, de forma justa, com produtos nacionais e importados.”

Esta é uma boa notícia, pois estou torcendo para esta guerra acabar, e reafirmo meus desejos:

- Que os impostos não subam e se possível até baixem – sei que é utópico, mas todos ganhariam.

- Que haja uma isonomia de ICMS em todos os estados nacionais para importados e vinhos nacionais (em alguns estados como SC e ES o vinho importado é menos taxado que o nacional).

- Que o vinho seja reconhecido pelo governo como alimento(*). Vinho é saúde, cultura e alimento para corpo e alma, se consumido com responsabilidade.

- E já que é para falar em desejos acrescento mais um: que toda a cadeia, produtores, importadores, lojistas e, principalmente, restaurantes, baixem suas margens em nome de um lucro de escala, que é o que o Brasil precisa.

Quem sabe não conseguimos transformar esta ameaça, o pedido de salvaguardas, em uma oportunidade de rever todo o sistema, de modo estes desejos sejam alcançados e que que todos ganhem?

(*)Uma solicitação antiga do setor é enquadrar o vinho como alimento e não como bebida alcoólia e supérfluo, o que reduziria automaticamente seus impostos e taxações.
É assim, como alimento, que o vinho é tratado em muitos países.

O brasileiro hoje consome apenas 2,2 litros de vinho per capita, enquanto em alguns países da Europa este volume pode chegar a 50 litros. Se produtores, importadores e governo trabalharem juntos e para o longo prazo, este consumo tem potencial para crescer muito e todos ganham, nacionais, importados, governo e sobretudo os CONSUMIDORES.

 

Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

 

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