Brunello de merecida fama

28 novembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Fundada em 1971 por Giovanni Neri, a vinícola Casanova di Neri alcançou notoriedade mundial em 2006, quando seu Brunello di Montalcino Tenuta Nuova safra 2001 foi eleito “Wine of the Year” pela famigerada revista americana Wine Spectator. Não provei o Tenuta Nuova 2001, mas a julgar pelo que se passou em minha taça poucos dias atrás, Casanova di Neri merece o posto alcançado.

Almocei com Giacomo Neri, filho de Giovanni, que desde 1991 dirige a azienda e conversou comigo em frente à câmera. Veja nosso breve papo:

 

Abaixo minhas impressões sobre seus ótimos vinhos, importados pela Expand (www.expand.com.br):

Brunello di Montalcino Selezione 2004 (R$ 198). Amadurece 45 meses em grandes toneis usados de carvalho. Sua cor é granada clara, no nariz é bastante expressivo e elegante, com aromas encantadores de flores (lavanda), e muitas especiarias, como canela e noz moscada. Paladar de médio corpo, um pouco magro no meio de boca, com taninos finos e secos, boa acidez, vinho delicioso, que desce fácil, ótimo para acompanhar culinária italiana. Um vinho para a restauração. Nota: 90 pontos.

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Brunello di Montalcino Cerretalto 2003 (R$ 890). Amadurece 24 meses em barricas de carvalho. De cor granada escura, aroma intenso e complexo, com fruta passa, grafite, lavanda, canela. Paladar de bom corpo, sem exageros, taninos finos e secos, boa profundidade de sabores e aromas, muito bem equilibrado e absolutamente bem proporcionado. Um vinho para guarda. Nota: 96 pontos.

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Piertradonice 2005 (R$ 578). Elaborado 100% com cabernet sauvignon. Cor rubi escura com reflexos granada. No nariz mostra boa tipicidade da casta, com frutas negras maduras e toque de mentol, mas mostra também sua origem toscana em solo pedregoso, com mineral de grafite e toque salgado. Paladar concentrado, com taninos finos e doces, ainda um jovem e um pouco fechado, precisa ser decantado. Nota: 93 pontos.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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O que é um “vinho gastronômico”?

25 novembro 2011 | 3 comentários

Por Marcelo Copello

 

Por coincidência esta semana tive, em um mesmo dia, duas experiências opostas que me fizeram rever conceitos. Na segunda-feira passada almocei com Giacomo Neri, produtor dos excepcionais de Brunellos di Montalcino Casanova di Nero, que foram harmonizados com ótimas carnes no Giuseppe Grill. Em minhas anotações sobre os Brunellos vi um comentário que uso com freqüência, descrevendo este tinto italiano como um “vinho gastronômico”. Mas o que é um “vinho gastronômico”? Existe tal categoria? Logo, existem vinhos não gastronômicos?

O que é um vinho gastronômico?

Convencionou-se chamar de vinho gastronômico um vinho onde o equilíbrio “aspereza x maciez” pende ligeiramente para uma (agradável) aspereza. Estes seriam vinhos não muito alcoólicos, secos, com uma ponta a mais de taninos e/ou acidez, que lhes dá uma sensação de agradável aspereza enquanto degustados sozinhos, mas que se equilibrará com a comida, tornando o casamento perfeito.

O oposto são vinhos mais redondos, macios e alcoólicos (o álcool dá a sensação de maciez ao vinho, que se confunde com doçura). Vinhos muito macios são ótimos sozinhos (sem comida), mas podem ficar um pouco enjoativos e cansativos à mesa.

Revendo conceitos

No mesmo dia do almoço com Brunellos, jantei com a enóloga Maria Alejandra Vallejo, da Concha y Toro, que me apresentou o novo vinho ícone desta mega-empresa, o syrah Gravas Del Maipo, que casou-se muito bem com a moderna cozinha japonesa do Sushi Leblon. Pela minha antiga (e já rasgada) cartilha, o Gravas Del Maipo seria um vinho não gastronômico, pois tem 15% de álcool, taninos muito doces, é muito macio e encorpado. Este vinho possivelmente desafinaria com culinária ocidental, porém com as receitas agridoces ficou muito bem casado.

Poucos dias antes tive outra experiência da mesma natureza ao provar o Plavac Mali 2007, uma vinho da Croácia, da vinícola Korta Katarina, uma novidade trazida pela Decantar (R$ 255, www.decanter.com.br). Este tinto é um canhão, com 15,5% de álcool e cheio de personalidade, com aroma de geléias, passas, mineral terroso, ervas, cravo, com paladar volumoso lembrando um Amarone (minha nota foi: 92 pontos). Gostei do vinho mas confesso que não consegui beber a 2ª taça, e ao tentar harmonizar com comida italiana foi um desastre. A solução foi chocolate amargo, uma combinação maravilhosa!

Conclusão

Não existe “vinho gastronômico” ou “não gastronômico”. Todo vinho tem potencial para acompanhar bem comida, basta escolher o prato adequado.

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Marcia Peltier Entrevista Marcelo Copello

21 novembro 2011 | 8 comentários

por Marcelo Copello

Fui o convidado da noite no programa Marcia Peltier Entrevista que foi ao ar no dia 27 de setembro, na CNT. Marcia fez várias perguntas sobre vinhos, sua elaboração e o mundo que o cerca. Vejam na integra a entrevista:

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:

Parte 4:

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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Se eu fosse um pato…

16 novembro 2011 | deixe seu comentário (0)

Por Marcelo Copello

Continuo hoje no assunto do último post, o restaurante La Tour d´Argent, dono da adega mais famosa do mundo. Outra atração quase folclórica da casa é seu prato mais pedido, o pato. O Caneton Tour d’Argent, prato criado em 1890, custa 130 euros (cerca de R$ 300) e vem com um cartão com um número seqüencial, que mostra que o seu é o pato número “n”, dentre todos os que já foram pedidos na casa. Este número já passou faz tempo de 1 milhão. Não é a toa que o restaurante possui uma granja própria onde cria seus patos.

Vejam o vídeo que fiz mostrando o famoso pato sendo destrinchado (e perdoem o comentário infame de que “se eu fosse um pato iria querer ser comido no Tour d´Argent…”)

Em tempo, a recomendação do sommelier chefe da casa, David Ridgway, para harmonizar com o Caneton Tour d’Argent é um Borgonha tinto, mais precisamente um Chambertin de 15 a 20 anos de idade. Uma bela escolha!

Para quem (como eu) gosta de cozinhar, segue a receita da famosa ave, pelo chef Claude Troisgros. A receita está no http://www.claudetroisgros.com.br/receitas/pato_t.htm mas reproduzo aqui:

PATO TOUR D’ARGENT



INGREDIENTES:

  • 1 pato de 3,5kg

 
MODO DE PREPARO
Tirar as coxas do pato e cortar a carcaça no meio. Temperar com sal e pimenta. Puxar na frigideira bem quente para tostar a pele. Assar no forno na temperatura de 180 graus por 12 minutos. Continue regando o pato. Retire os peitos e reserve-os.

MOLHO
INGREDIENTES:

 

 

 

 

  • ossos do pato
  • ½ cebola picada
  • 1 talo de aipo picado
  • 2 dentes de alho
  • 1cenoura pequena picada
  • 1bouquet garni
  • 1 colher de tomate concentrado
  • 1cravo
  • 10 zimbros
  • 60ml de conhaque
  • 600ml de vinho madeira
  • roux
  • 2 colheres de geléia de framboesa
  • 2 colheres de creme de leite
  • sangue (facultativo)
  • sal
  • pimenta

 

 

 

 


MODO DE PREPARO
Cortar os ossos em pedaços. O segundo passo é caramelizar os ossos no azeite até ficarem bem tostados. Juntar a cebola, o alho, o aipo e a cenoura. Continue caramelizando. Juntar o bouquet garni, os cravos, os zimbros e o tomate concentrado. Deglacer com o conhaque. Cobrir com o vinho madeira e cozinhar durante uma hora. Peneirar pressando bem os ossos. Engrossar com roux. Juntar a geléia de framboesa e o creme de leite. Colocar o sangue. Verificar os temperos.

TOQUE FINAL
Puxar os magrets na frigideira para finalizar o cozimento. Fatiar e colocar no prato. Decorar com alecrim e zimbro. Uma dica é servir com purê de batata . Bom apetite!

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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A adega mais famosa do mundo

11 novembro 2011 | 3 comentários

Por Marcelo Copello

O que têm em comum Pelé, Ronaldo Fenômeno, Theodore Roosevelt, Hirohito, Elizabeth II, Winston Churchill, John Kennedy, Mikhail Gorbachev, Charles Chaplin, Grace Kelly, Henrique IV de França, Cardeal de Richelieu, Hermann Göring, Jean Cocteau e o ratinho Ratatouille?

Estes são apenas alguns dos personagens, reais ou de ficção, que marcaram presença no La Tour d’Argent (A Torre de Prata) restaurante fundado em Paris em 1582.

Este restaurante, que ocupa um prédio no endereço 15 Quai Tournelle, com uma bela vista do rio Sena e da catedral Notre Dame, guarda a adega mais famosa do mundo, com mais de 400 mil garrafas, muitas delas raríssimas.

Estive no Tour d´Argent, e visitei a famosa cave em companhia do sommelier chefe da casa, David Ridgway, que lá começou em 1981.

Vejam os videos que fiz no escuro da adega com David e desde já perdoem a, compreensível, escuridão.

 

PARTE-1:

 

Neste primeiro vídeo David diz que enquanto muitos falam que a China é o novo Eldorado, ele tem certeza que o Brasil tem mais bebedores de vinho. Para minha surpresa ele também nos conta que ao contrário de Pelé, o craque Ronaldo Fenômeno tem muita afinidade com vinho.

 

PARTE-2:

 

Nesta 2ª parte David me mostra algumas das 26 salas (uma para cada letra do alfabeto) da adega, com um total de 1.400 metros quadrados.

 

PARTE-3:

 

Chegamos ao museu das garrafas mais velhas, datadas a partir de 1788 (de antes da Revolução Francesa!). David me contou que já provou vários vinhos brasileiros, e acha que estão melhorando muito.

 

CURIOSIDADES:

- Apesar de ocupar por completo os andares do prédio, com adega, estoque, museu, escritório, cozinha etc, o salão ocupa apenas um andar e tem mesas para apenas 100 felizardos.

- Mesmo com espaço restrito são vendidas cerca de 12 mil garrafas vinho ao ano, uma média bem alta, de mais de meia garrafa por cliente.

- Fazendo as contas, a adega de 400 mil garrafas é um estoque para 20 anos.

- Há sempre um Porto Vintage decantado, para caso algum cliente peça. No momento estão usando os da safra 1975. Bem razoável…

- Quanto aos Champagnes eles hoje costumam servir os excepcionais e já maduros 1996, uma safra histórica. Muitos clientes, no entanto, preferem champagnes mais novos

- A logística do pedido do vinho sensacional. O pedido vem do restaurante em um papelzinho que desce até à cave no andar debaixo por um tubo. No exato momento em que chega o papelzinho um funcionário parte em disparada através das 26 salas da adega até localizar a garrafa. O tempo médio para o cliente receber o vinho em sua mesa é de apenas 4 minutos.

- Até poucos anos atrás a adega tinha 500 mil garrafas, mas os donos resolveram diminuir em função dos “tempos modernos”. Em 2009 quando tinham ainda tinham 450 mil garrafas fizeram um leilão de algumas poucas garrafas e arrecadaram cerca de 1 milhão de euros.

- O vinho mais barato da carta custa 50 euros e é um branco do Loire.

- A garrafa mais cara do acervo está avaliada em 30 mil euros e é um Cognac de 1788

- Uma garrafa do famoso tinto de Bordeaux, o Petrus 1982, sai por 12 mil euros, enquanto o ícone da Borgonha, o Romanée-Conti 1990, está mais salgado, 20 mil euros.

 

Vista do das mesas do restaurante para o rio Sena e a catedral Notre Dame

 

Uma foto de Ronaldo Fenômeno enfeita uma das paredes do restaurante

 

O rei do futebol também deixou seu autógrafo lá.

 

David Ridgway e eu à entrada do museu de garrafas raras.

 

Château Haut Batailley 1985, de 3 litros

 

Detalhes de uma das 26 salas da adega.

 

Garrafas do século XIX

 

Detalhe da carta de vinhos: preços do Romanée-Conti, de  7.355 a 20.365 euros

 

David Ridgway em ação

 

Museu do La Tour d´Argent. O  rei Henrique IV teria visto pela primeira vez um garfo aqui.

 

 

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Marcelo Copello (mcopello@bacomultimidia.com.br)

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