Mães, filhas e o Facebook

12 janeiro 2012 | 20 comentários

Todo mundo sabe que quando chega a uma certa idade, o adolescente (ou a criança, já que a infância está cada vez mais encurtada) tem um sonho muito certo e definido em sua doce cabecinha: que os pais sejam invisíveis. Pelo menos em algumas situações, como buscar na escola, na festa e nos sociais da atribulada vida infantojuvenil.

Outro dia, fazendo uma matéria pra um jornal com mães de leitoras (devidamente acompanhadas das filhas), percebi que em tempos digitais a invisibilidade continua almejada, talvez até mais que no mundo real.

- Quantas vezes eu já te disse pra não falar comigo no Facebook, mãe? – perguntou a menina de 15 anos.
- Mas é muito abuso, mesmo! Era só o que faltava. Falo com você quantas vezes eu quiser, garota!
- Não pode! Já te expliquei mil vezes, no Face eu não tenho mãe! – argumentou a suuuperfofa.
- Ah, tem, sim! Tem mãe no Face, no Twitter, no Orkut e na vida.
- Ai, nem tenho mais Orkut, como você é desatualizada! – rebateu a filha, pouco antes de dirigir a mãe para a foto. – Esconde o braço na hora de fotografar, hein? Tá muito gordo.

Outra menina logo se meteu também:

- E você deixa o queixo paralelo ao chão, hein? Nada de sair com papo no jornal.
- Mas vocês são muito carinhosas, é muito amor, gente! – brinquei. – Pois eu acho, mães, que vocês não só podem como devem interagir com elas no mundo virtual.
- Não, Thalita! – chiou outra leitorinha. – Mãe é mico no Face.
- Mãe é mico, ponto – pontuou outra.
- E no Twitter? Mãe é a morte! Ela pede pra todos os famosos me mandarem beijo. E tem uns famosos que eu nem gosto! – completou a terceira adolescente.
- A minha mãe se acha engraçada na internet – condenou uma.
- Pior a minha que se acha AMIGA dos meus amigos – comentou a outra.
- Mas os seus amiguinhos me amam, o que eu posso fazer se eles me pedem em amizade?
- Ai, que horror! Eu não tenho amiguinhos e ninguém pede em amizade, que frase é essa?! – estrilou a filha.
- Todos os seus amiguinhos querem ser meus amigos, eu sou a tia simpatia da turminha, filha. Você quer o quê? Que eu recuse?
- Claro. Fica amiga só dos seus amigos.
- Ah, mas aí não tem graça. O bom é bisbilhotar o que vocês andam dizendo na internet – argumentou uma outra mãe.
- Mas a gente não é criança pra ser vigiada! – chiou a mais novinha do grupo.
- Voxê vai xer xempre a minha quianxa… – implicou a mãe, muito bem implicado.
- Ai, mãe, fala sério! – reclamou a quianxa.
- Pior é a minha mãe, que no Facebook e no Twitter é a @DivaSofia. Eu posso com isso? Diva Sofia?
- Mas eu sou uma diva. Diva da paciência, porque aturar filha adolescente não é mole, não.

E assim, entre farpas e risos, deu-se a foto, a entrevista e a certeza de que ser mãe é mesmo padecer no paraíso.

Tags: Publicado em: Comportamento | Histórias

Sucesso? Ai, se eu te pego!

05 janeiro 2012 | 59 comentários

Vem cá, por que tanto estardalhaço por conta do Michel Teló? Ele está fazendo sucesso com uma letra banal de refrão grudento e ritmo dançante. E daí? Isso por acaso é novidade no Brasil? Por favor, vamos segurar o Tchan, cada um no seu quadrado? Deixem o menino em paz! Ele tá feliz, fazendo o que gosta e, melhor!, ganhando a vida com isso. E vai fazer sua primeira turnê internacional! Viva ele!

O Tom Jobim costumava dizer que no Brasil sucesso é ofensa pessoal. Sucesso internacional, então… Depois de ler a carta que o Bruno Medina escreveu ao Teló e navegar por vários textos na internet (todos comentando o sucesso da música, alguns pesando a mão na agressividade), resolvi escrever também. Como disse meu amigo Sidney Garambone no Facebook, o brasileiro que fala mal do cara é o mesmo que paga fortunas para ver shows de bandas internacionais de talento duvidoso, com músicas muito piores do que “Ai, Se Eu te Pego”. Por que a gente pode consumir músicas grudentas de gringos e os gringos não podem fazer o mesmo com um produto nosso? Calma, gente… É só uma música!

Música que, aliás, eu não conhecia. Não, não conhecia. Um espanto, já que sou curiosa por natureza, jornalisticamente falando. Vi agora o clipe no You Tube. É simples, muito simples, e o cara tem um carisma absurdo (e carisma é parceiro do sucesso, andam de mãos dadas, certo?). Ele é magnético, tem uma boa voz e a música se resume a um refrão-chiclete. Ponto final. Sucesso é isso. E o bacana do sucesso é que ele não tem porquê, não tem fórmula.

Existem músicas melhores que deveriam fazer o mesmo sucesso estrondoso? Sim, certamente. Assim como muitas cantoras infinitamente melhores do que a Britney Spears também poderiam estar por aí, brilhando sem playback e enchendo o cofrinho de dinheiro. Mas aprendi cedo que a vida não é justa. E que a sorte conta muito; assim como a persistência.

Caetano, Chico, Beatles, Elvis… Todos geniais. E todos criticados em algum momento. Não estou comparando Michel Teló a eles, claro que não!, estou apenas dizendo que sucesso sempre vai gerar críticas. E que bom que a gente vive numa democracia, onde todo mundo que tem uma opinião formada sobre tudo pode mostrar essa opinião a quem quer que seja nas redes sociais e nos blogs. Mas crítica é crítica, agressividade é outra coisa. Não gosta da música? É só não ouvir, caramba!

Como dizia o filósofo, a inveja é o maior dos elogios.

Tags: Publicado em: Comportamento

O que é importante

21 dezembro 2011 | 15 comentários

- Ih, complicou! – disse Carlos, consternado.
- O quê?
- O São Paulo não quer liberar o Dagoberto pro Inter no início do ano.
- Ã?
- O Inter pode ficar sem o Dabogerto no começo da temporada, amor!
- Quem é Dagoberto?
- Um jogador do São Paulo! Você ouviu alguma coisa que eu disse?
- Claro que não. Que importância tem para a humanidade o Inter não liberar o Adalberto pro São Paulo?
- Uma importância muito maior do que o que você me contou ontem, sobre a separação da Verônica.
- Verena.
- Pois é. Que diferença faz na minha vida eu saber que a Verônica…
- Verena…
- Se separou e já está com outro?
- Porque o outro é melhor amigo do ex dela!
- E daí?
- E daí que eu achei que você fosse gostar de saber dessa fofoca, mas você nem se lembra da Verena! Que absurdo!
- Por que eu deveria me lembrar da Verena? Você trabalhou com ela em 2001!
- Mas a gente foi jantar uma vez com ela e o marido!
- Em 2001!
Ele bufou.
- Você não presta atenção em nada do que eu digo, né, Carlos?
- Não dá, amor! Você fala muito! Se eu prestar atenção em tudo o que você fala eu não faço outra coisa da vida!
Que fofo… Quinze anos atrás ele pelo menos FINGIA que escutava. Humpf!
- Amor, o Fluminense não vai mais estrear na Libertadores contra o Boca, sabia?
- Olha só…
- Isso é importante, concorda?
- Só se você concordar que a Joana tá muito sovacuda pra usar o vestido de alcinha que ela usou na festa da Cristina semana passada.
- Eu não sei o que é sovacuda.
- Ai, Carlos, uma pessoa de sovaco gordo, ué!
- E você acha que eu saio por aí reparando no sovaco das pessoas? Mas mulher é um bicho esquisito, mesmo, viu?
- É, vocês homens é que são supernormais.

Deu pra perceber que o clima aqui em casa está natalino até dizer chega, com paz, harmonia e hou-hou-hou pra lá e pra cá.
Brincadeiras à parte, o que eu desejo aos leitores deste blog é um lindo Natal e um ano novo cheio de realizações e diálogos. Porque, afinal de contas, é conversando que a gente se entende, né não? ;-)

Tags: Publicado em: Comportamento | Histórias

Roupa nova

13 dezembro 2011 | 19 comentários

- Acho que você é meio doida, meu amor – Carlos disse, fofamente.

- Por quê?

- Esses desfiles que você faz. Acho coisa de maluco. Você nem vai sair.

Os desfiles… Não, não sou estilista nas horas vagas, não sei sequer pregar um botão. Não, não brinco de modelete de vez em quando. Os desfiles fazem parte de um ritual que se repete desde meus tempos de pirralha a cada vez que compro uma roupa (ou um sapato, ou um brinco, ou uma bolsa). Sim, eu gosto de desfilar pela casa com a peça nova e vários acessórios diferentes a cada “entrada” na… vá lá… passarela. Quando eu era novinha, apresentava o desfile para a família, que achava tudo uma graça. Agora é pro marido, mesmo.

- Ué, suas ex não faziam desfile de roupa nova?

- Não! Nunca! – respondeu meu marido, demonstrando com a fisionomia e a entonação que ele realmente acredita que eu tenho um parafuso a menos.

Expliquei que eu preciso experimentar a roupa nova para ver as possíveis combinações com o que já tenho, olhar no espelho e — aí começa o problema — pedir sua opinião a cada look. O Carlos já entendeu o que uma mulher sempre quer ouvir, não importa a roupa:

- Tá linda. E magra — diz sempre, após uma rápida (muito rápida mesmo) olhadinha.

Ok, palmas pra ele, mas, vamos e venhamos, não é só isso que eu quero ouvir. É isso e mais um pouco. Irrita essa coisa de homens serem displicentes com o que é tão importante para nós, mulheres. Tudo bem, às vezes eu resolvo fazer o desfile (que o meu marido chama de “experimentação”) durante um jogo de futebol (pecado mortal) ou bem na hora de uma mesa redonda (pecado mortal número dois).

Fiquei encasquetada e num chope com casais amigos resolvi apurar. E descobri que não, eu não sou a única louca que faz desfile para o marido sempre que compra uma roupa nova.

- Eu tenho três homens em casa, um marido e dois filhos, e nenhum deles serve pra nada! Não conseguem dar uma opinião relevante, só dizem que eu estou ótima – resmungou Val.

- Eu digo que minha mulher está sempre linda, claro, só reclamo quando o decote está muito avantajado e pergunto aonde ela acha que vai levando aqueles peitos todos – brincou Waltinho.

- Outro dia experimentei um macacão verde e azul-marinho pro meu marido e ele opinou – disse Bella, chocando todas as presentes . – Teve a ousadia de dizer que que verde não combina com azul-marinho. Verde suuuper combina com azul-marinho, não era essa a questão. Eu só queria saber se eu estava linda. E magra!

Portanto, mulheres, conformem-se, é assim mesmo. E se alguém que está lendo este post tem um marido/ namorado capaz de dar opiniões sinceras quando o assunto é a roupa nova que você acabou de comprar… parabéns!

E que inveja!

Tags: Publicado em: Uncategorized

Entendendo os meninos desde cedo (ou não)

28 novembro 2011 | 16 comentários

Parece que as crianças de hoje vêm com um chip diferente. Às vezes me pego tentando decifrar o porquê disso e acho que a resposta está nos estímulos desse mundo digital, na convivência com celulares, video games, mouses e iPads desde o berço, na quantidade absurda de informação disponível… Tudo isso está deixando os pirralhos do século XXI muito diferentes dos pirralhos de uma ou duas décadas atrás.

Mas que as meninas compreendem desde cedo a essência da alma masculina, isso era novidade pra mim.

A sempre fofa, criativa e dançante comemoração do Fred depois de um gol do Fluminense fez minha sobrinha de 10 anos (flamenguista, diga-se de passagem. Ok, ninguém é perfeito) comentar: “Que dança mais boba! Parece até um menino. Homem é bobo, né?”.

Pensei comigo: “Como é que uma menina de 10 anos já sabe isso, meu Deus?”. A mesma sobrinha vive reclamando que o primo de 11 tem mentalidade de cinco anos de idade. Morro de rir. Ela já interessada em conversas mais sérias, ele só querendo saber de jogar bola e de implicar com ela. É a velha história: homem é bobo, mulher é chata. Desde sempre.

Por outro lado, a outra sobrinha, do alto de seus oito anos, me disse que estava apaixonada por um tal de Leo e me pediu um conselho.

- Você acha que eu falo pra ele que gosto dele?

- Fala, claro. Se você não falar ele nunca vai saber. Vai ver ele gosta de você também, mas por medo de tomar um fora pode acabar nunca se aproximando. Vivi, fofa, aprende uma coisa e leva isso pra sua vida: meninos são lentos! Sempre – ensinei, categórica, cheia de orgulho por poder ajudar.

- Tia Thalita, você tá louca? Meninos não são nada lentos! Eles são muito, muito rápidos! Ganham todas as corridas na aula de educação física, chegam muito na frente das meninas. O Leo, então, é o mais rápido de todos. Eu nunca vou conseguir alcançar ele…

É… As crianças estão precoces, sim. Mas nem tanto.

Ufa!

Tags: Publicado em: Uncategorized