Conheça o estúdio Radiográfico, responsável por programas de algumas das melhores peças que passaram pelo Rio

  Para quem vai ao teatro com frequência, aqueles minutos dedicados à leitura do programa do espetáculo, pouco antes do terceiro sinal, são parte obrigatória do programa — eu quase me sinto órfão quando a peça não tem programa… Nos últimos anos, esse ritual tem sido mais prazeroso em várias montagens de sucesso no Rio graças […]

 

Para quem vai ao teatro com frequência, aqueles minutos dedicados à leitura do programa do espetáculo, pouco antes do terceiro sinal, são parte obrigatória do programa — eu quase me sinto órfão quando a peça não tem programa… Nos últimos anos, esse ritual tem sido mais prazeroso em várias montagens de sucesso no Rio graças ao trabalho do estúdio de design Radiográfico. Criada por Pedro Garavaglia e Olivia Ferreira, a empresa trabalha produzindo identidade visual, videografismos, peças gráficas, cenários, publicações, projeções e direção de arte. O envolvimento com o teatro começou logo no primeiro ano do estúdio, 2004, graças ao trabalho desenvolvido para Regurgitofagia, elogiado monólogo de Michel Melamed. Desde então, eles já fizeram os programas de várias peças excelentes, a exemplo de A Primeira Vista, com Drica Moraes e Mariana Lima, O Filho Eterno, premiado monólogo do Charles Fricks, Julia, adaptação da obra de Strindberg por Christiane Jatahy, e Philodendrus, de Cristina Moura (esta ainda em cartaz, no Teatro do Jockey — confira o cartaz acima e veja a crítica aqui).

O blog conversou com Garavaglia, que aproveitou para comentar brevemente como surgiram alguns dos cartazes e programas que o Radiográfico desenvolveu. A conversa segue abaixo e a galeria de imagens você vê clicando aqui.

Quando e como surgiu o Radiográfico?

Eu e Olivia já nos conhecíamos desde antes da faculdade de Desenho Industrial na PUC, e, durante o curso, fizemos vários trabalhos juntos. O início do Radiográfico foi oficialmente em 2004, com o lançamento do livro Rio Ateliê, um projeto meu e da Olivia, que surgiu anos antes, durante o curso de Desenho Industrial. A proposta era discutir o novo formato de ateliê, que não era mais, necessariamente, apenas um espaço físico, e sim um espaço mental que poderia estar num computador, no caderno de desenhos etc. Depois de passarmos um ano entrevistando e conhecendo a fundo o processo criativo de quase 100 artistas plásticos, percebemos que a parceria estava dando muito certo e resolvemos arriscar abrir o nosso próprio negócio. A Olivia havia trabalhado anteriormente como assistente de figurino, com a estilista Luiza Marcier, que estava abrindo, nessa época, sua loja À Colecionadora. Então criamos a marca e toda a comunicação visual da loja, embalagens, sacolas, letreiro… E logo depois fizemos o material gráfico do primeiro desfile da loja no Fashion Rio. Trabalhamos para a marca durante os anos seguintes e ganhamos dois prêmios na Bienal de Design da ADG em 2006 com esses trabalhos.

A ligação do Radiográfico com o meio teatral vem de quando? 

Essa relação começou com o trabalho junto ao artista Michel Melamed, que estava preparando o lançamento de sua primeira peça teatral, chamada Regurgitofagia (veja a imagem abaixo). O espetáculo foi um sucesso de público e crítica, e sua temporada foi prorrogada inúmeras vezes. A arte que criamos para a peça fez muito sucesso também e ficou durante muito tempo exposta nos clear channel da cidade. Isso acabou trazendo outros trabalhos na área. Em 2008, fomos convidados pelo festival riocenacontemporanea para desenvolver toda a comunicação visual daquele ano. Isso acabou nos abrindo outras portas dentro do teatro contemporâneo carioca, e começamos a trabalhar com a Cia dos Atores, Enrique Diaz, Christiane Jathay, Emílio de Mello e Cristina Moura, entre outros. Desde o começo, o resultado de um trabalho puxava o próximo.

Que especificidades existem na hora de criar a identidade visual de um espetáculo, que não há quando se trabalha com um produto comum?

A principal delas, e uma das nossas principais motivações de trabalhar com o teatro, é a liberdade que temos para criar. Isso possibilita a experimentação de novas ideias ao longo do processo e acaba funcionando como um laboratório, nos ajudando na construção da nossa própria linguagem visual. Outro ponto bem estimulante é o diálogo artístico e conceitual com os diretores, que é sempre muito rico.

O cenário de Philodendrus, atualmente em cartaz, também é de vocês. É a primeira investida do Radiográfico na cenografia? Há planos de investir mais nessa seara?

A Olivia, antes de fundar o Radiográfico, já havia trabalhado também como assistente do cenógrafo Colmar Diniz. Já havíamos trabalhado inclusive com cenografia de shows de música, alguns deles envolvendo vídeo-cenários, mas Philodendrus foi a nossa primeira investida em cenário para o teatro.  O convite partiu da diretora Cristina Moura, com a qual já havíamos feito as peças Otro e O Menino que Vendia Palavras. Vemos esse cenário como uma evolução natural do nosso trabalho como criadores. Adoramos a experiência e, com certeza, gostaríamos muito de fazer outros cenários de teatro. O mais interessante nesse foi a possibilidade de expandir as formas de expressão do nosso trabalho, de transitar nos limites entre design e arte. Buscamos cada vez mais esses novos desafios.

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