Desabamentos na rua Treze de Maio

01 fevereiro 2012 | deixe seu comentário (0)

A maior tragédia da história da construção civil no Rio de Janeiro, somente comparável ao desabamento do viaduto Paulo de Frontin na década de 70 e a ruína do edifício Palace II na Barra da Tijuca em 1998. De modo repentino, um edifício de 20 andares localizado no centro da cidade do Rio de Janeiro, próximo a monumentos históricos como o Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional e a Câmara dos Vereadores, vem abaixo, arrastando consigo outros dois prédios vizinhos e causando a morte de dezenas de pessoas, algumas ainda desaparecidas debaixo dos escombros.

Entre as possíveis causas do desabamento cogita-se da existência de obras irregulares em dois pavimentos do edifício, a acomodação do solo às águas pluviais e até mesmo a ocorrência de uma explosão com gás. Os trabalhos periciais, necessários à elucidação das causas do acidente, ainda não puderam se iniciar, em razão do trabalho que vem sendo realizado pelos órgãos de defesa civil em busca das vítimas do acidente.

Caso confirmada a suspeita de que obras irregulares tenham sido a causa do desmoronamento, a tragédia irá expor a situação de absoluta irresponsabilidade e falta de profissionalismo de alguns profissionais da área de construção civil (engenheiros, arquitetos, mestres de obra, operários e prestadores de serviços correlatos), os quais, ávidos pela contratação de seus serviços e pelos lucros correspondentes, se acostumaram a empregar práticas condenáveis para baratear os custos das obras, sem atender aos padrões de qualidade e segurança adequados.

Quem já teve a necessidade de realizar uma simples reforma certamente se deparou com problemas de toda ordem: mão de obra desqualificada, falta de supervisão por parte dos engenheiros responsáveis, projetos mal elaborados, materiais de péssima qualidade, serviços executados sem a técnica recomendada, falta de informações adequadas aos consumidores, prazos ultrapassados para a conclusão das obras, orçamentos estourados e outros tantos problemas conhecidos.

Instalou-se no ramo da construção civil a cultura da omissão, do jeitinho e do jogo de empurra. As obras são iniciadas sem a obtenção das licenças necessárias e sem atender aos padrões técnicos e de segurança exigíveis. Quando ocorre algum problema, os diversos profissionais que atuam em conjunto iniciam um esforço para responsabilizar uns aos outros ou então tentam resolver o problema com as famosas “gambiarras”, medidas paliativas que só solucionam as falhas de modo momentâneo.

Por outro lado, como a fiscalização municipal não tem condições de monitorar as obras que são feitas no interior dos edifícios, as obras irregulares só são interrompidas quando algum vizinho insatisfeito ou o síndico resolve denunciar o caso à Prefeitura. Algumas vezes, obras de vulto no interior dos pavimentos são feitas sem que ninguém saiba. Somente ouve-se o barulho da quebradeira, e cômodos inteiros são remodelados, paredes demolidas, vigas e pilares destruídos para dar maior amplitude aos espaços etc.

Ainda é prematuro dizer que estas tenham sido as causas do desabamento dos edifícios da rua Treze de Maio, mas seja qual for o motivo, edifícios são construções feitas para durar ao longo dos anos. Evidente que todo prédio precisa de manutenção periódica para verificação de eventuais sinais de desgaste das estruturas. Não fosse assim, os grandes monumentos da arquitetura mundial já teriam sucumbido. Mas é pouco provável que uma construção venha a ruir repentinamente, como ocorreu na rua Treze de Maio, sem a ocorrência de intervenções na estrutura do prédio.

A tragédia, lamentavelmente, já estava anunciada e outros prédios, marquises, lajes podem vir abaixo caso não se mude a cultura inescrupulosa que atualmente permeia os serviços de construção civil.

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