Zico, Romário e Geovani, os jogadores mais caros dos anos 80

17 agosto 2012 | deixe seu comentário (0)

Recentemente o São Paulo fechou a venda de Lucas para o Paris Saint Germain por 45 milhões de euros, no maior negócio já envolvendo um clube brasileiro. Desde os anos 90 que São Paulo e Cruzeiro têm se destacado como os clubes que conseguem os maiores valores nas negociações de seus jogadores. Mas houve um tempo que esse papel era exercido por clubes cariocas. O Blog relembra as três vendas de jogadores que bateram o recorde de preço ao longo dos anos 80.

Em 1983, depois de anos resistindo à propostas do Milan, Flamengo e Zico fecharam a transferência do Galinho para o futebol italiano, mas para o pequeno Udinese, que pagou U$ 4 milhões para ter um craque internacional no comando de uma equipe de alto nível que estava sendo montada. Um jornalista local resumiu o sentimento dizendo que “Para nós, friulanos, Zico tem o mesmo significado de um motor da Ferrari colocado dentro de um fusca. Sentimo-nos os únicos no mundo a possuir um carro tão maravilhoso e absurdo”. Depois de uma primeira temporada animadora, faltaram peças na engrenagem, o segundo ano não foi tão bom e Zico voltou ao Flamengo em 1985, um ano antes do término do contrato com o time italiano. Mas a passagem foi marcante, a ponto de na primeira temporada mesas redondas terem sido integralmente dedicadas às cobranças de falta de Zico.

Matéria da Revista Veja em 1983 sobre a venda de Zico para a Udinese

Em 1988 o recorde foi batido com a venda de Romário do Vasco para o PSV Eindhoven da Holanda, por U$ 6 milhões. O Baixinho chegou a um clube campeão europeu, no país da seleção campeã europeia e terra dos craques da moda naquele momento, o trio holandês do Milan (Gullit, Van Basten e Rijkaard). Mesmo assim deu importante contribuição ao desenvolvimento do futebol holandês e do PSV, marcando inúmeros golaços e conquistando títulos locais nos cinco anos em que lá esteve até 1993, quando se transferiu para o Barcelona e viveu a melhor temporada de sua carreira.

Matéria da Revista Placar em 1988 sobre a despedida de Romário do Vasco

Mas nem todo craque objeto de negociação recorde se manteve no topo. Em 1989 outro jogador criado em São Januário foi protagonista de negociação recorde. O Vasco vendeu Geovani para o Bologna da Itália por U$ 8 milhões. Mas o meia cerebral não se adaptou ao futebol italiano, o Bologna não era nenhum esquadrão, o investimento não deu retorno e Geovani foi vendido ao obscuro Kalsruche da Alemanha na temporada seguinte. Depois de mais uma temporada frustrante, o jogador voltou a São Januário, ainda a tempo de participar com algum protagonismo do forte time do começo dos anos 90, mas a carreira dele nunca mais teve o mesmo destaque.

Vale lembrar que os valores citados não foram atualizados e que os números relativos a transferências de jogadores vêm crescendo de forma geométrica nas últimas décadas, tanto que os valores necessários para contratar Zico ou Romário nos aos 80 hoje em dia mal daria para contratar um jogador mediano.

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Iziane e Romário, alguma coisa em comum

30 julho 2012 | deixe seu comentário (0)

Nos recém iniciados Jogos Olímpicos de Londres há uma equipe brasileira que está competindo desfalcada. A seleção feminina de basquete conta com apenas onze atletas ao invés de doze, por conta do corte de Iziane, punida por ter levado o namorado para dormir algumas vezes no seu quarto no hotel onde a seleção estava concentrada.

É o tipo de punição que não chega a ser incomum no mundo dos esportes. Um dos episódios mais célebres desse tipo aconteceu no Flamengo, em 1999. Na última rodada do Brasileiro daquele ano, na noite de quarta-feira 10 de novembro, o rubro-negro perdeu por 3×1 para o Juventude em Caxias do Sul e ficou de fora da fase de mata-mata do campeonato.

Era a quarta eliminação na 1ª fase do campeonato desde 1995, quando Romário chegou ao clube. A única edição em que o Flamengo ficou entre os oito primeiros e participou das finais foi em 1997, quando o Baixinho estava no Valência da Espanha.

À série de frustrações somou-se a noitada de Romário. Ou de todo o grupo. O fato é que o Baixinho foi fotografado ao lado da rainha da tradicional Festa da Uva em uma boate no começo da madrugada, logo após o jogo. Mas diz a lenda que Romário voltou ao hotel e participou (e promoveu) uma festa entre diversos jogadores e algumas garotas de programa. Consta que os jogadores alegaram à época que passaram a noite jogando cartas no quarto do goleiro Clemer. Antes da repercussão da foto nos jornais de todo o Brasil a crise explodiu no café da manhã do dia seguinte, quando o supervisor do clube à época, José Eduardo Chimello, ficou revoltado ao encontrar Romário com duas das garotas de programa. Chimello, que chegou a declarar que passou a noite chorando pela eliminação enquanto os jogadores comemoravem, determinou que o Baixinho deveria ser desligado da delegação e, ele Chimello, voltou ao Rio o mais rápido possível para discutir o caso com o presidente Edmundo Santos Silva.

O elenco do Flamengo permaneceu no Sul por mais alguns dias, pois a eliminação jogou o time para a fase de repescagem por uma vaga na Libertadores, e a estreia seria contra o Inter no Beira-Rio três dias depois. A crise perdurou por todos esses dias e, no sábado, 13 de novembro, enquanto o time se preparava para o jogo de Porto Alegre, Romário voltava ao Rio para nunca mais jogar pelo clube da Gávea.

A célebre foto que deu origem à crise que terminou no divórcio entre Flamengo e Romário.

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Outro Romário e outros xarás

28 junho 2012 | deixe seu comentário (0)

Gol de Marquinhos! Gol de Carlos Alberto! Gol de Leandro! Gol de Washington!
São situações corriqueiras no futebol, afinal quantos Marquinhos, Carlos Albertos, Leandros ou Washingtons já não pisaram os gramados?
Mas alguns nomes são únicos. Senão para sempre, pelo menos até surgir um xará. Ontem surgiu um segundo Romário, ao melhor estilo do original, com frieza e totozinho. O blog aproveita o gancho e lembra outros xarás.
Coincidências:

Há xará tipo homenagem, como Obina. Obina é um nome comum na Nigéria. Havia um Obina nas divisões de base do Vitória, o que motivou que o centroavante Manoel, parecido com o nigeriano, recebesse o apelido. O nigeriano ficou pelo caminho, Obina foi celebrado como melhor que Eto´o, mas quem jogou Copa do Mundo mesmo foi outro Obina, também Nigeriano, que disputou a Copa de 2010 na África do Sul.

Há xará tipo homenagem não aceita também. Marcelinho saiu da Flamengo para ser ídolo do Corinthians com a alcunha de carioca. Abriu diversas escolinhas e de uma delas saiu o garoto que carregou o apelido do ídolo do futebol dono da escolinha em que começou. Depois de estrear no São Paulo e chamar atenção pela qualidade, Marcelinho pediu para deixarem o apelido de lado e passarem a chamá-lo pelo nome, Lucas.

Há xarás curiosos. Quantos Renatos não somos capazes de lembrar como jogadores profissionais? Mas só um deles não era Renato na certidão de nascimento. Laércio Canil, revelado pelo América nos anos 80, com passagens por Flamengo e Botafogo, era parecido com um tio chamado Renato, ganhou o apelido na família e manteve no futebol. Quando passou pelo Flamengo virou Renato Carioca, para não ser confundido com o Gaúcho.

Há o xará herança; Amoroso foi um grande atacante do Fluminense nos anos 60. Um sobrinho dele tambem foi um grande atacante nos aos 90. O artilheiro do Brasileiro de 1994 pelo Guarani, campeão carioca pelo Flamengo em 1996, herdou do tio não só o talento, mas também o nome. E agora vemos surgir no Santos um atacante chamado Dimba, sobrinho e xará do ex-centroavante de Botafogo e Flamengo, que foi artilheiro do Brasileiro jogando pelo Gama.

E, claro, há o xará coincidência. O jogador menos prestigiado do Flamengo campeão carioca e brasileiro em 1991 e 1992 era o lateral-esquerdo Piá. Quinze anos depois havia um Piá, também canhoto, meia habilidoso e polêmico, que jogou por diversos clubes paulistas, sem ser ídolo em nenhum deles. Curiosamente nenhum dos dois é gaúcho, terra onde Piá significa garotinho ou moleque.

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Quando um craque é banido do clube com a temporada em andamento

15 março 2012 | 1 comentário

Inspirado pelo episódio Adriano-Corinthians, o blog lembra um caso de banimento de uma estrela de cada grande carioca e como foi o futuro imediato do clube e da estrela banida.

Renato Gaúcho, Botafogo 1992: Após o 1º jogo da decisão do Brasileiro em que seu time perdeu para o Flamengo por 3×0 recebeu o amigo e centroavante do rival Gaúcho em sua casa para um churrasco. O clima descontraído revoltou a torcida e Renato foi banido antes mesmo da finalíssima. O placar elástico do 1º jogo praticamente decidiu o título, confirmado após o empate em 2×2 quando Vivinho substituiu Renato. Após a perda desse título o mecenas Emil Pinheiro abandonou o clube e todos os grandes craques foram vendidos. Quando começou o Estadual de 1992 os grandes nomes do time eram Pìngo, único titular remanescente, e Vivinho, o substituto de Renato. Muito pouco para manter o nível dos tempos de Emil, quando o clube foi bicampeão carioca e vice brasileiro entre 1989 e 1992. Renato brilhou pelo Cruzeiro no segundo semestre de 1992, conquistando Supercopa e Mineiro. Em 1993 voltou ao Rio para jogar pelo Flamengo, mas não repetiu o sucesso de BH, inspirando, diz a lenda, Júnior a cunhar a célebre frase de que o atacante dava duas alegrias ao Flamengo, quando chegava e quando saía.

Romário, Flamengo 1999: após participar da festa da uva depois da derrota para o Juventude de Caxias na ultima rodada de 1999, quando o Fla perdeu e foi eliminado. Sem Romário o Flamengo perdeu para o Inter-RS logo na primeira rodada do mata-mata da seletiva para Libertadores, mas acabou campeão da Mercosul, tendo jogado as semifinais e finais sem o Baixinho. Curiosamente nos dois jogos decisivos o Fla marcou 7 gols (venceu por 4×3 no Maracanã e empatou em 3×3 no Parque Antártica), mas o centroavante Leandro Machado não fez nenhum. Romário voltou ao Vasco para o Mundial da FIFA de 2000. Apesar do mal começo, perdendo o Mundial para o Corinthians e o Carioca para o Flamengo, teve um segundo semestre brilhante, com títulos da Mercosul e do Brasileiro e golaços em quantidade.

Emerson, Fluminense 2011: O tricolor saiu da fila de 26 anos sem título brasileiro com a conquista de 2010 e Emerson foi o autor do gol do título. O time não começou 2011 tão bem, teve dificuldades para engrenar na Libertadores e chegou à última rodada da 1ª fase praticamente eliminado. E o Sheik, dentro do ônibus do clube, a caminho do estádio para o jogo da última rodada da 1ª fase contra o Argentinos Juniors, cantou, a plenos pulmões, o funk “Bonde do Mengão Sem Freio”, trilha sonora da contratação de Ronaldinho Gaúcho pelo rival. O episódio revoltou a diretoria e Emerson foi banido do clube naquele momento. O Flu venceu o jogo por 4×2 de forma dramática e conseguiu uma classificação improvável, mas foi eliminado de forma melancólica pelo Libertad do Paraguai logo nas oitavas de final. Depois disso o tricolor fez um mal começo de Brasileiro, se recuperou na reta final e garantiu retorno à Libertadores desse ano. Com Fred e Rafael Moura marcando gols adoidado, ninguém sentiu falta de Emerson. Mas o Sheik foi para o Corinthians, foi campeão Brasileiro de novo e certamente não sentiu falta de estar no Fluminense.

Carlos Alberto, Vasco 2011: A última temporada foi a melhor do Vasco neste século, com o título da Copa do Brasil e a boa campanha no Brasileiro. Mas, curiosamente, foi o pior início de temporada de todos os tempos, com três derrotas para pequenos nos três primeiros jogos. Após a terceira derrota, por 3×1 para o Boavista, o presidente Roberto Dinamite foi ao vestiário cobrar explicações. Carlos Alberto não gostou, a cobrança virou bate-boca e o meia, então capitão do time e herói da campanha de retorno à primeira divisão em 2009, nunca mais jogou pelo clube, apesar de ainda ter contrato com o clube. O meia foi emprestado ao Grêmio, onde deveria ficar até o fim do ano, mas ficou menos de 3 meses. Foi emprestado ao Bahia, onde disputou o Brasileiro, mas ficou mais no banco e no departamento médico do que em campo. Foi negociado com Palmeiras no começo de 2012, mas acabou não indo por problemas nos exames médicos. Já o Vasco só melhorou desde que dispensou o meia. Finalista da Taça Rio, campeão da Copa do Brasil, semifinalista da Sulamericana, vice-campeão Brasileiro e disputando a Libertadores em 2012

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Cinco ou seis gols no mesmo jogo não é para qualquer um

08 março 2012 | 2 comentários

Mais uma vez Messi maravilhou o mundo, dessa vez ao fazer cinco gols nos 7×1 aplicados pelo Barça contra o Leverkusen pelas oitavas-de-final da Champions League. Cinco gols no mesmo jogo é coisa tão rara que precisamos remexer o baú para achar feitos semelhante de jogadores de clubes cariocas. Veja o que encontramos no fundo do baú:

Vasco 5×2 Corinthians, 1980: Em 1980 Roberto Dinamite foi jogar no Barcelona. Chegou no meio da temporada, estreou com gols, mas perdeu prestígio com a troca de técnico. Jogou pouco e se tornou dispensável. O Flamengo se mexeu para trazer o jogador. Mas a possibilidade de ver seu ídolo vestindo a camisa do rival fez o Vasco correr para recontratar Dinamite. E a volta tão pouco tempo depois de sair não poderia ter sido melhor. Brasileiro de 1980, Maracanã lotado, goleada contra o Corinthians e apresentação de gala do grande ídolo, que fez todos cinco gols vascaínos na vitória de 5×2.
Veja os gols de Dinamite

Flamengo 6×2 Olaria, 1996: No primeiro semestre de 1996 um dos assuntos dominantes no futebol brasileiro era a seleção que seria montada para tentar o primeiro ouro olímpico do futebol. E Romário, herói do tetra em 1994, fazia campanha pela própria presença no time. Como cabo eleitoral da própria candidatura, Romário desandou a fazer gols. O ápice foi numa tarde de domingo, na Rua Bariri, pela Taça Guanabara de 1996, quando fez cinco gols na vitória de 6×2 do Flamengo sobre o Olaria. Romário levou o Flamengo a conquistar Taça Guanabara, Taça Rio e Carioca. Tudo invicto. Mas Zagallo preferiu Bebeto, Aldair e Rivaldo como os três jogadores acima dos 23 anos e o Brasil voltou só com o bronze.
Veja os gols de Romário

Vasco 6×0 União São João: Se fazer cinco gols no mesmo jogo merece aplausos, o que dirá fazer seis! Não à toa que apenas uma fez na história do Brasileiro um jogador alcançou tal feito. Edmundo, em 1997, fez todos os gols da goleada imposta ao União São João. Melhor ainda que os seis gols ajudaram Edmundo a bater o recorde de gols no mesmo Brasileiro e, para coroar os recordes individuais, o Vasco conquistou o Brasileiro daquele ano.
Veja os gols de Edmundo

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