Autuori, ex-Botafogo e ex-Flamengo, volta ao Rio para trabalhar no Vasco do seu coração

28 março 2013 | deixe seu comentário (0)

O carioca, e vascaíno, Paulo Autuori está de volta ao futebol de sua terra natal depois de 12 anos. Com muito mais tempo de carreira no exterior, Autuori teve seus maiores sucessos no fuetbol brasileiro treinando o Cruzeiro (campeão da Libertadores de 1997) e o São Paulo (campeão da Libertadores e do Mundial de 2005). Relembre as passagens anteiores de Autuori pelo futebol do Rio.

Botafogo (1995, 1998, 2001): Depois de anos de bom trabalho em Portugal, um ainda desconhecido Autuori chegou ao Botafogo em meados de 1995, para dirigir um time forte e experiente, que não conseguiu superar os rivais Fla e Flu no Estadual daquele ano e convivia com a sombra da rixa entre os grupos de Túlio e Gottardo. Autuori controlou as rixas internas, deu mais confiança e leveza ao time, aproveitou a chegada de Donizete e viu o time crescer durante a competição. Na finalíssima, contra o Santos no Pacaembu, os atacantes Túlio e Donizete, mesmo contundidos, participaram muito da marcação, numa demonstração de como aquele time estava decidido a ser campeão. O jogo ficou marcado pelos erros do juiz Marcio Resende de Freitas que validou dois gols ilegais (o jogo terminou 1×1) e anulou um gol legal do Santos. Mas não podemos desmerecer o título dos jogadores de Autuori, que tiveram algumas atuações empolgantes no 2º turno e se mostraram muito fortes nos jogos decisivos. Após o título Autuori foi para o Benfica e nem chegou a participar da Libertadores. Autuori voltou ao clube em 1998 e 2001, mas foram passagens curtas e sem destaque.

Botafogo 5×0 Atlético-MG, o grande momento do Botafogo de Autuori no Brasileiro de 1995

Flamengo (1997-1998): Em 1997 Autuori foi campeão da Libertadores pelo Cruzeiro mas saiu do clube, pois não aceitou a tentativa de interferencia dos cartolas, que quiseram obrigá-lo a escalar o time titular na decisão do torneio amistoso em comemoração ao Centenário da fundação de Belo Horizonte. Autuori não se curvou, escalou os reservas, que perderam para o rival local no dia 9 de agosto, enquanto os titulares enfrentaram o Sporting Cristal, no dia 6 de agosto em Lima e no dia 13 de agosto em Belo Horizonte, quando conquistaram a Libertadores. Autuori pediu o boné no Cruzeiro e assumiu o Flamengo no dia seguinte. Comandou um elenco limitadíssimo,que fez uma campanha muito digna no Brasileiro, até o segundo jogo contra o Vasco pelo quadrangular semifinal, quando o rubro-negro perdeu por 4×1 e foi eliminado. Como era típico da era Kleber Leite, vários medalhões chegaram à Gávea para a temporada seguinte. Romário, Rodrigo Fabri, Zé Roberto, Palhinha, entre outros. A temporada começou mas o time não engrenava no Rio-SP nem na Copa do Brasil, até perder para o Vitória por 5×0 em Salvador pelas oitavas de final da Copa do Brasil e para o Bangu por 2×1 em Moça Bonita na abertura do Carioca, jogos que motivaram a demissão de Autuori e, até hoje, tem quem garanta que não houve jogador a lamentar essa demissão.

Bangu 2×1 Flamengo, com direito a invasão de campo, último jogo de Autuori dirigindo o Flamengo.

Tags: Publicado em: Botafogo | Flamengo | Vasco

Menos um estádio no Rio de Janeiro

28 março 2013 | deixe seu comentário (0)

A interdição do Engenhão pegou (quase) todo mundo de surpresa e está causando indignação geral, por ser uma obra recente, caríssima e feita com dinheiro público, além de deixar o torcedor carioca duplamente “sem teto”, tendo em vista que o Maracanã foi fechado em agosto de 2010 e, ao que tudo indica, só vai estar disponível para jogos de clubes após a Copa do Mundo de 2014.

Infelizmente estádio interditado não é novidade. O torcedor carioca talvez seja o que mais muda de casa no futebol mundial. O Vaso é a honrosa exceção, graças a São Januário. Mas rubro-negros, tricolores e alvinegros têm sofrido com os diversos fechamentos do Maracanã, a não modernização dos estádios que ficam nas sedes dos clubes (Gávea, Laranjeiras e Marechal Hermes) e a falta de continuidade de soluções adotadas de tempos em tempos, como as “arenas” montadas no Caio Martins e no estádio da Portuguesa da Ilha e a utilização do estádio do América em Mesquita.

Nos últimos anos, além do Maracanã, que está fechado há três anos, e do Engenhão, que andou sendo poupado para preservar o gramado e agora está interditado por conta de problemas na cobertura, o Flamengo tem jogado em Macaé e Volta Redonda, o Fluminense em Volta Redonda e São Januário e o Botafogo, que saiu menos do Engenhão que a dupla Fla-Flu, jogou algumas vezes em São Januário.

Com o veto da Polícia Militar de se jogar clássicos em São Januário com 50% do estádio para cada torcida, por conta de limitações nos acessos, quantidade de catracas e divisão das arquibancadas, o futebol carioca se muda para o razoavelmente moderno e confortável, porém pequeno, Estádio da Cidadania, e enquanto o torcedor se prepara para ir (ou não…) a Volta Redonda para assistir os clássicos e as finais com campeonato, pode relembrar,clicando aqui, os percalços dos palcos do futebol carioca, contados em post de agosto de 2011 sobre a falta de público nos jogos dos cariocas quando o Maracanã está indisponível.

Tags: Publicado em: Botafogo | Flamengo | Fluminense | Maracanã | Vasco

Relembre a despedida de Roberto Dinamite, há vinte anos

22 março 2013 | 2 comentários

Há 20 anos, em 24 de março de 1993, o Vasco e o futebol homenagearam Roberto Dinamite, que se despediu do futebol em um amistoso entre Vasco e La Coruña.

Além das homenagens ao “Garoto Dinamite” o jogo marcou a presença do amigo Zico jogando ao lado de Roberto pelo Vasco e uma rara visita de um (à época) grande clube europeu ao Brasil.

O Vasco havia sido campeão carioca invicto em 1992, com grande participação de Roberto. A invencibilidade foi mantida no começo da temporada seguinte até a festa de Roberto, quando o La Coruña venceu por 2×0. Mas nem a derrota diminuiu o ânimo dos quase trinta mil torcedores que foram ao Maracanã homenagear o ídolo.

Clique e veja como foi a festa de despedida de Roberto Dinamite.

Tags: Publicado em: Vasco

Nos 10 anos do último título Carioca um inventário das conquistas cruzmaltinas

21 março 2013 | 1 comentário

O Vasco completa nesse 23 de março 10 anos sem conquistar um título Carioca. É o maior jejum de títulos estaduais entre os grandes cariocas e o maior jejum de títulos estaduais do cruzmaltino desde os 12 anos entre os títulos de 1958 e 1970.

Os últimos dez anos têm sido difíceis para o Gigante da Colina. Rebaixamento, crise financeira, crise política, poucos títulos (Série B de 2009 e Copa do Brasil de 2011) e um papel de coadjuvante no cenário nacional.

Para quem se lembra das décadas anteriores o contraste chama atenção. Entre 1970, quando encerrou o jejum anterior, de doze anos sem títulos, e 2003, quando conquistou seu último Carioca, o Vasco passou por algumas grandes fases, conquistando muitos títulos, se posicionando como o gigante no cenário nacional, revelou ídolos e fez sua imensa torcida bem feliz.

Veja e compare os títulos conquistados em cada momento da história do clube:

Títulos importantes de 1916 a 1958 (42 anos, 14 títulos).
1 Torneio Sulamericano: 1948;
1 Torneios Rio-SP: 1958;
12 Cariocas: 1923, 1924, 1929, 1934, 1936, 1945, 1947, 1949, 1950, 1952, 1956, 1958.

Time do Vasco campeão carioca de 1958, que ficou conhecido como Super Super Campeonato em razão dos dois triangulares de desempate necessários para decidir o campeonato.

Títulos importantes de 1958 a 1970 (12 anos, 1 título).
1 Torneios Rio-SP: 1966.

Títulos importantes de 1970 a 2003 (33 anos, 17 títulos).
1 Libertadores: 1998;
1 Mercosul: 2000;
4 Brasileiros: 1974, 1989, 1997, 2000;
1 Torneio Rio-SP:1999;
10 Cariocas: 1970, 1977, 1982, 1987, 1988, 1992, 1993, 1994, 1998 e 2003.

Time do Vasco campeão da Libertadores de 1998, principal conquista da história do clube.

Títulos importantes de 2003 a 2013 (10 anos, 2 títulos).
1 Série B: 2009;
1 Copa do Brasil: 2011.

Tags: | | | | | | Publicado em: Vasco

Estádios vazios e estádios cheios na história do Campeonato Carioca

20 março 2013 | 1 comentário

Se tem uma coisa chamando atenção no atual Carioca é a falta de público. Crescente desimportância dos estaduais para o torcedor brasileiro em geral e uma combinação de saudades do Maracanã com rejeição ao Engenhão para o torcedor carioca especificamente somados a fatores históricos como desconforto e violência nos estádios, alto preço dos ingressos, concorrência da televisão e horários ingratos estão deixando os estádios cariocas praticamente vazios.

Historicamente a presença de público no Brasil é muito variável. Depende, não só da avaliação em cada época dos fatores acima (time, estádio, horário, TV) como também, após tomada a decisão de ir ao estádio de um processo em que o torcedor para escolhe os jogos que vai e os que não vai, em função, além dos critérios já citados, outros como competição, adversário, quantidade de jogos no mês, entre outros.

Na expectativa de que os clubes se dediquem a favorecer a presença dos torcedores nos estádios e de que os torcedores de fato compareçam o Blog lembra dois momentos contrastantes em termos de presença de público na história do estadual mais charmoso do Brasil.

Carioca 1988.

Foi o primeiro Carioca com transmissão regular pela TV, com a inclusão de novo horário, o de 18h30 aos sábados. O Brasil vivia um momento de pessimismo sócio-econômico, hiperinflação, aumento da violência urbana. O futebol passava por um momento de desânimo com aumento do êxodo de jogadores para a Europa e o lamento pela proximidade da aposentadoria da geração de craques do começo da década. Tudo isso mais os novos horários e a novidade de ter os jogos ao vivo na TV deixaram o torcedor em casa. Para completar o torcedor carioca não gostou do excesso de jogos representado pelo terceiro turno (que já havia ocorrido em 1987, mas sem ter sido alvo de rejeição). O auge do pouco público se deu na 1ª rodada do terceiro turno, quando 9.753 torcedores pagaram para ver Fla 0×0 Flu e 11.811 para ver Vasco 1×0 Americano. O Campeonato foi decidido por três jogos entre Flamengo e Vasco e a soma do público dos três jogos não era suficiente para encher o Maracanã: Vasco 3×1 Flamengo, decisão do 3º turno, com 20.690 torcedores; Vasco 2×1 Flamengo, 1º jogo da decisão, com 24.790 torcedores e Vasco 1×0 Flamengo, 2º jogo da decisão, com 31.816 torcedores.

Carioca 1999.

Diversos fatos ocorridos em meados dos anos 90 desanimaram os torcedores de uma forma geral: viradas de mesa no Brasileiro, mudanças de tabela, desorganização do calendário, W.O. nos Cariocas de 1997 e 1998. Em 1999 o jornal Extra, para promover seu lançamento, tornou-se patrocinador e apoiador do Campeonato Carioca, em parceria com Federação, clubes e SUDERJ. Os ingressos eram vendidos a preços populares em bancas de jornal. O Vasco era campeão sulamericano e o Flamengo tinha Romário. Fluminense e Botafogo não viviam momentos muito animadores, mas seus torcedores também encheram os estádios, num efeito dominó em que o preço baixo atraía torcida, o estádio cheio valorizava os jogos, que passaram a ser ainda mais procurados e os jogos ainda mais valorizados, num ciclo virtuoso que encheu estádios em situações diversas, como as seguintes: Flamengo 5×3 Fluminense, amistoso de abertura da temporada, com 93.415 torcedores; Vasco 3×0 Fluminense, 1º clássico do campeonato, com 126.619 torcedores; Flamengo 3×0 Itaperuna, 1º jogo do Flamengo no Maracanã no campeonato, com 40.264 torcedores. A média de público do Carioca de 1999 foi de impressionantes 26.885 torcedores por jogo.

Tags: Publicado em: Campeonato Carioca