Menos um estádio no Rio de Janeiro

28 março 2013 | deixe seu comentário (0)

A interdição do Engenhão pegou (quase) todo mundo de surpresa e está causando indignação geral, por ser uma obra recente, caríssima e feita com dinheiro público, além de deixar o torcedor carioca duplamente “sem teto”, tendo em vista que o Maracanã foi fechado em agosto de 2010 e, ao que tudo indica, só vai estar disponível para jogos de clubes após a Copa do Mundo de 2014.

Infelizmente estádio interditado não é novidade. O torcedor carioca talvez seja o que mais muda de casa no futebol mundial. O Vaso é a honrosa exceção, graças a São Januário. Mas rubro-negros, tricolores e alvinegros têm sofrido com os diversos fechamentos do Maracanã, a não modernização dos estádios que ficam nas sedes dos clubes (Gávea, Laranjeiras e Marechal Hermes) e a falta de continuidade de soluções adotadas de tempos em tempos, como as “arenas” montadas no Caio Martins e no estádio da Portuguesa da Ilha e a utilização do estádio do América em Mesquita.

Nos últimos anos, além do Maracanã, que está fechado há três anos, e do Engenhão, que andou sendo poupado para preservar o gramado e agora está interditado por conta de problemas na cobertura, o Flamengo tem jogado em Macaé e Volta Redonda, o Fluminense em Volta Redonda e São Januário e o Botafogo, que saiu menos do Engenhão que a dupla Fla-Flu, jogou algumas vezes em São Januário.

Com o veto da Polícia Militar de se jogar clássicos em São Januário com 50% do estádio para cada torcida, por conta de limitações nos acessos, quantidade de catracas e divisão das arquibancadas, o futebol carioca se muda para o razoavelmente moderno e confortável, porém pequeno, Estádio da Cidadania, e enquanto o torcedor se prepara para ir (ou não…) a Volta Redonda para assistir os clássicos e as finais com campeonato, pode relembrar,clicando aqui, os percalços dos palcos do futebol carioca, contados em post de agosto de 2011 sobre a falta de público nos jogos dos cariocas quando o Maracanã está indisponível.

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Há 20 anos a última reinauguração do Maracanã sem mudanças na cara do estádio

04 fevereiro 2013 | deixe seu comentário (0)

O Castelão foi reinaugurado na semana passada e o Mineirão neste domingo, o que só aumenta a vontade do carioca de ter o Maracanã de volta. Mas esperar pela reinauguração do Maracanã não é novidade. Por exemplo, há 20 anos o Maracanã foi reinaugurado depois de mais de seis meses fechado por conta da queda do alambrado na final do Brasileiro de 1992.

O acidente da decisão entre Flamengo e Botafogo foi seguida de um Carioca inteiro sem Maracanã. Por isso, um simples amistoso em fevereiro de 1993 levou mais de 40 mil pessoas ao estádio, muito mais por saudades do estádio do que por curiosidade para conhecer a equipe que o rubro-negro montou para a temporada 93 e apresentou à torcida naquele amistoso.

Aquela interdição foi para obras de manutenção e estrutura, logo o Maraca foi reinaugurado com a mesma cara que tinha antes de fechar, que era a mesma desde 1950.

Lembre como foi o amistoso entre Flamengo e Cruzeiro, que reinaugurou o Maracanã em 1993.

Mas nos vinte anos que se seguiram diversas modificações foram modificando a cara do estádio. Da pintura das cadeiras azuis em naquele mesmo ano, 1993, à demolição e reconstrução para a Copa de 2014, passando pela instalação das cadeiras para o Mundial de 2000 e pela reforma para o Pan de 2007, que rebaixou o campo e colocou cadeiras na geral. Mas aí são outras histórias.

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E o Tigres deu uma de Chile de Aravena

13 dezembro 2012 | deixe seu comentário (0)

Quem assistia à decisão da Copa Sulamericana entre São Paulo e Tigres, além de ficar estarrecido e indignado com o abandono do Tigres, deve ter lembrado do confronto entre Brasil e Chile, em 198, pelas Eliminatórias para a Copa de 1990, quando a Seleção Chilena abandonou o campo após um sinalizador cair perto do goleiro Rojas. A Blog relembra a sequencia de episódios que culminou no abandono chileno.

Quando o sorteio dos grupos das Eliminatórias colocou Brasil e Chile, além da Venezuela, no mesmo grupo, os chilenos não ficaram tão desanimados assim, pois dois anos antes, na Copa América de 1987 na Argentina, venceram a Seleção Brasileira por 4×0.

Vídeo:
Gols da vitória chilena por 4×0 em 1987.

O técnico Jorge Aravena comandava a guerra de nervos, com declarações polêmicas e preparando seu time para uma guerra. No jogo do turno, as provocações atingiram o nível do bizarro e precoce simultaneamente, com Romário levando uma mordida no peito antes de o jogo começar. Houve muito pouco futebol e os gols do empate em 1×1 também foram bizarros.

Vídeo:
Relembre como foi o empate em Santiago.

As duas seleções venceram todos os confrontos com a Venezuela e voltaram a se encontrar na última rodada, no Maracanã. A Seleção Brasileira jogava pelo empate para ir à Copa, mas era o Chile que jogava na retranca. No começo do segundo tempo Careca abriu o placar. Pouco depois, o goleiro Rojas, com a cumplicidade de todo o time, aproveitou a queda de um sinalizador ao seu lado para simular que tivesse sido atingido (chegou a cortar o próprio supercílio), o que justificaria o abandono do jogo pelos chilenos, com a dramática cena de Rojas carregado pelos companheiros como um mártir.

Vídeo:
Matéria da TV chilena, tempos depois do ocorrido, reconhecendo e criticando a farsa.

Após o jogo houve violentos protestos na Embaixada Brasileira em Santiago e um desembarque da delegação chilena tão dramática quanto a saída de campo. Mas a farsa não agradou. A FIFA deu a vitória, e consequentemente a vaga na Copa, ao Brasil e puniu severamente a Federação Chilena e alguns jogadores e baniu Rojas do futebol. Passados 23 anos parece que o Tigres ainda acha uma boa ideia inventar uma violência da qual teria sido vitima, abandonar um jogo que está perdendo e esperar a reviravolta nos tribunais. E nem a cena dramática do mártir carregado eles tiveram. Lamentável.

Tigres foi tão covarde quanto o Chile de Aravena, mas sem o “charme” do mártir carregado

ATUALIZAÇÃO:
Ao que consta o Tigres desceu para o vestiário depredando o que encontrava pela frente, provocando reação dos seguranças do São Paulo, que foram proteger o patrimônio do clube, o que acabou gerando uma briga generalizada, que só foi interrrompida com a chegada da polícia. Essa versão apenas fortalece a ideia de que o Tigres não queria jogar bola.

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O Maracanã de Niemeyer

06 dezembro 2012 | 9 comentários

O Brasil perdeu um de seus maiores personagens, com a morte do arquiteto Oscar Niemeyer. Autor de inúmeros projetos de todos os tipos em diversos lugares do mundo, construídos nos últimos 80 anos, nem sempre Niemeyer apresentou a melhor solução, como por exemplo no concurso de projetos para o estádio de futebol a ser construído para a Copa do Mundo de 1950.

Niemeyer declarou inúmeras vezes que o projeto vencedor, da equipe formada por Waldir Ramos, Raphael Galvão, Miguel Feldman, Oscar Valdetaro, Orlando Azevedo, Pedro Paulo Bernardes Bastos e Antônio Dias Carneiro, era, na opinião dele, um primor.

Nem o belo traço de Niemeyer superava o fantástico projeto original do Maracanã, demolido para a Copa 2014.

Veja, por exemplo, o que disse Niemeyer a Geneton Moraes Neto, em entrevista concedida nos anos 90.

“[...] Geneton: O senhor – que gosta de futebol – participou do concurso para escolha do projeto para a construção do estádio do Maracanã. Como seria o Maracanã de Oscar Niemeyer?

Niemeyer: O meu estádio seria pior. Naquele tempo,a ideia que tínhamos de arquitetura em relação a estádio de futebol era fazer uma única arquibancada do lado em que o sol não batesse na cara do espectador. Depois,ao começar a frequentar estádios,vi como era importante existir arquibancada também do outro lado. O sujeito vê o campo, vê o jogo, mas precisa ver também a alegria do estádio! Então, um estádio circular, como o Maracanã, é a solução melhor [...]”

Niemeyer, que pode-se dizer, entendia de projeto, considerava que o anel do Maracanã era “a solução melhor”. Os responsáveis pela reconstrução do estádio não concordam, tanto que o formato deixará de ser esse.

O Blog reverencia a mentalidade e o coração de Niemeyer e o ótimo projeto original do Maracanã.

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19 de Julho – Dia Nacional do Futebol

19 julho 2012 | deixe seu comentário (0)

No Dia Nacional do Futebol, uma homenagem do blog ao nosso maior templo.
Infelizmente fora de utilização.

Foto de 1949 da obra de construção do então Estádio Municipal, planejado para ser o principal palco da Copa do Mundo de 1950, a 1ª do pós-guerra.

Carimbado como o Maior do Mundo desde antes da inauguração, o Maracanã foi construído em menos de três anos, mas nos primeiros jogos da Copa era visível que a obra não estava pronta.

Foto atual, da destruição que está sendo feita em nome da “modernização” e das “exigências da FIFA”.

Depois de finalizadas as obras para a Copa do Mundo de 2014 o Maracanã ficará assim. Não será mais redondo, não terá mais dois andares, não terá mais cobertura de concreto em balanço. Terá o mesmo endereço. Talvez o mesmo nome. Espera-se que exerça o mesmo fascínio. Há quem duvide.

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