Se 2012 foi ano do centenário do Fla-Flu, 2013 é ano do centenário de outro clássico carioca, Flamengo x Botafogo.
Desde finais do século XIX os jovens dos bairros vizinhos se enfrentavam em disputas esportivas. A rivalidade entre os times de futebol do Clube de Regatas do Flamengo e Botafogo Futebol Clube repetiria a rivalidade existente entre os remadores do Flamengo, clube que havia recém criado o departamento de futebol, e do Grupo de Regatas Botafogo, posteriormente renomeado como Clube de Regatas Botafogo, que viria a se fundir com o time de futebol em 1942, dando origem ao Botafogo de Futebol e Regatas.
O primeiro confronto futebolístico foi em 13 de maio de 1913, em General Severiano, com vitória dos mandantes alvinegros por 1×0, gol de Mimi. Desde então, dependendo da estatística, são 354 ou 345 jogos, com 126 ou 123 vitórias do Flamengo, 118 ou 116 empates e 110 ou 106 vitórias do Botafogo.
Relembre agora situações de 10 jogadores que passaram pelos dois lados da rivalidade.
(amanhã confira a lista do Blog de 10 jogos que marcaram a história desse primeiro século de rivalidade.)
Zagallo: único jogador a conquistar uma Copa do Mundo como representante do Flamengo (1958) e outra como representante do Botafogo (1962). Um dos maiores personagens do futebol brasileiro, muito identificado com a Seleção e com os dois rivais, locais onde conquistou muitos títulos como jogador e treinador. Começou nas divisões de base do América, mas começou sua carreira profissional na Gávea, onde fez parte do time tricampeão carioca de 1953, 1954 e 1955. Depois do título mundial de 1958 se transferiu para o rival, passando a integrar um esquadrão, com Didi, Garrincha e Nilton Santos e conquistando o bicampeonato de 1961 e 1962.
Garrincha: o maior ídolo da história do Botafogo perambulou por vários clubes no fim da carreira, entre elas o Flamengo, de novembro de 1968 a abril de 1969, só 20 jogos e 4 gols, nenhum jogo contra o ex clube, euforia na chegada e melancolia na saída.
Gérson: revelado na Gávea, foi escalado para marcar Garrincha na decisão do Carioca de 1962. Levou um baile, perdeu prestígio e acabou, pouco tempo depois, se transferindo para General Severiano, onde foi bicampeão carioca em 1967 e 1968.
PC Caju: entre os 15 jogadores que passaram pelos quatro grandes do Rio nenhum teve tanto destaque quanto o canhoto Paulo Cézar. Formado no Botafogo, onde jogava quando fez parte da seleção tricampeã em 1970. O Flamengo foi o segundo clube de sua carreira, de onde saiu para o Olympique de Marseille após a Copa de 1974. Campeão carioca em 1967 e 1968 pelo alvinegro e em 1972 e 1974 pelo rubro-negro.
Vítor: a maior revelação surgida na Gávea logo após os primeiros grandes títulos da geração de ouro do final dos anos 70 e início dos 80, chegou a ameaçar a titularidade de Andrade e ser convocado pela Seleção, mas não teve o destaque que parecia que teria. A melhor fase de sua carreira foi quando fez parte do time que tirou o Botafogo da fila em 1989, e seu gol mais famoso foi o terceiro do empate de 3×3 contra o Flamengo, em jogo que o Botafogo chegou a estar perdendo por 3×1.
Gonçalves: nesse mesmo 3×3 de 1989 a reação alvinegra começou com um gol contra do rubro-negro Gonçalves no final do segundo tempo. Assim como aconteceu com Gérson, guardadas as devidas proporções, ficou marcado, perdeu prestígio e acabou indo para o rival, onde se destacou, conquistou títulos e chegou à Seleção.
Renato Gaúcho: o gaúcho mais carioca do Brasil foi a grande aposta de Emil Pinheiro para reforçar o Botafogo, que já era bicampeão carioca de 1989 e 1990, para tentar o título brasileiro. Renato fez muitos gols, foi e voltou do Grêmio em um empréstimo relâmpago, era figurinha carimbada na Seleção de Parreira, mas faltava alguma coisa para ser ídolo. A decisão do Brasileiro de 1992 contra o ex-clube parecia ser uma grande oportunidade. Mas levou um drible desconcertante de Júnior, viu seu time levar um chocolate de 3×0 e ainda teve o mau gosto de promover um churrasco o amigo (e centroavante do rival) Gaúcho, com presença da imprensa nos dias seguintes do massacre. A torcida não perdoou, pediu a cabeça de Renato e foi atendida. Dias depois Renato viu, pela TV, seu time empatar com o Flamengo em 2×2, confirmando a perda do título brasileiro.
Beto: foi o primeiro jogador das divisões de base do Botafogo a conseguir destaque depois de décadas de ostracismo, fazendo parte do time campeão brasileiro de 1995. Convocado pela Seleção, foi o autor do gol do título pré-olímpico de 1996, na Argentina, contra a Argentina. Tanto destaque levou Beto para o Napoli, onde não deu certo. Voltou ao Brail, passou pelo Gremio, mas foi no Flamengo onde voltou a jogar bom futebol. Foi tricampeão carioca em 1999, 2000 e 2001, com uma breve saída para o São Paulo em 2000. Depois de sair do Flamengo passou por inúmeros clubes, entre eles os outros grandes do Rio, mas nunca chegou a ter o mesmo destaque. Destaque mesmo para seu apelido, Beto Cachaça.
Iranildo: assim como Beto, se destacou no Botafogo campeão brasileiro de 1995. Mas pertencia ao Madureira e, antes que o Botafogo percebesse, já tinha sido vendido ao rival da Gávea. Jovem, magro, baixinho, sempre foi visto como uma aposta para o futuro que, como reserva de luxo, dava suas colaborações dando belos passes para gols de Romário na campanha do título carioca de 1996. Mas o futuro, a força física e os centímetros a mais nunca chegaram, Iranildo passou a ser cada vez mais discreto, rodou por vários clubes, inclusive com retornos ao Flamengo e ao Botafogo. Mas teve seu momento no clássico, marcando um dos gols da vitória por 2×0 do Flamengo sobre o Botafogo na reta final do Brasileiro de 2002, em jogo curiosamente disputado no feriado de finados, resultado decisivo para salvar o Flamengo do rebaixamento e rebaixar o Botafogo.
Reinaldo: centroavante de boa técnica revelado pelo Flamengo no fim dos anos 90, participou, nem sempre como titular, da conquista do tricampeonato de 1999, 2000 e 2001. Como tantos jogadores revelados na base rubro-negra, teve mais destaque ao sair da Gávea. Saída polêmica, diga-se de passagem. Foi, com Adriano, trocado por Vampeta com o Inter de Milão. Mas foi imediatamente repassado ao Paris Saint Geramain, que o emprestou ao São Paulo. Rodou pelo mundo e parou no Botafogo em 2009. Formou uma dupla de ataque de destaque com Maicosuel. E foi personagem de uma situação bizarra que prova que, de fato, há coisas que só acontecem ao Botafogo. No primeiro jogo da decisão do Carioca daquele ano sentiu uma contusão muscular no mesmo lance que seu companheiro de ataque. Sem seus dois principais jogadores o alvinegro cedeu o empate naquele jogo, empatou novamente no segundo jogo e perdeu o título, o terceiro seguido para o rival, na disputa de pênaltis.