Acostumado com decisões locais e diante de público pequeno, Botafogo campeão carioca de 2013

06 maio 2013 | deixe seu comentário (0)

A festa é do Botafogo, campeão da Taça Rio pela 7ª vez e do Carioca pela 20ª, com destaques para Seedorf, o primeiro holandês campeão carioca, e Oswaldo de Oliveira, que é do Rio, já treinou os quatro grandes daqui, tem títulos de todos os tipos no currículo mas nunca tinha conquistado o estadual na sua terra natal.

O título alvinegro é uma demonstração de força local nas últimas temporadas. E as arquibancadas do estádio de Volta Redonda, que não estavam lotadas, é uma demonstração da falta que o Maracanã faz ao futebol carioca. Vejamos:

Nas últimas oito temporadas o Botafogo foi finalista em sete delas (só ficou fora em 2011) e campeão em três (2006, 2010 e 2013). Nesse período foram quatro conquistas de Taça Guanabara (2006, 2009, 2010 e 2013) e cinco conquistas de Taça Rio (2007, 2008, 2010, 2012 e 2013). Falta agora dar o passo adiante e conseguir bons resultados no âmbito nacional.

Os 12.485 pagantes que presenciaram o título alvinegro significam o menor público em uma decisão desde a inauguração do Maracanã. Houve dois jogos de títulos com públicos menores, nas conquistas vascaínas em 1992 e 1998, mas nos dois casos o jogo do título não foi uma decisão. Veja a lista dos menores públicos em jogos decisivos de Cariocas:

Bangu 0×1 Vasco, 1998, Moça Bonita, 1.266 pagantes. (jogo de meio de campeonato)
Vasco 1×0 Bangu, 1992, São Januário, 11.255 pagantes. (jogo de meio de campeonato)
Botafogo 1×0 Fluminense, 2013, Raulino de Oliveira, 12.485 pagantes. (final do 2º turno, somente o Botafogo poderia ser campeão carioca)
Botafogo 1×0 Vasco, 1997, Maracanã, 16.854 pagantes. (2º jogo da final do campeonato, somente o Botafogo poderia ser campeão carioca)

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Decisões de Carioca – pequeno contra grande e campeão da Taça GB contra o resto

24 abril 2013 | deixe seu comentário (0)

Encerrada a fase de classificação do Carioca, o título está entre o Fluminense, campeão carioca e brasileiro do ano passado, e o Botafogo, campeão da Taça Guanabara desse ano, já que ninguém acredita em Volta Redonda nem em Resende.

O Botafogo, aparentemente, está com o título nas mãos, já que pode ser campeão conquistando a Taça Rio com dois empates, na semifinal contra o Resende e na final, provavelmente, contra o Fluminense, ou ainda ser campeão na decisão, provavelmente também, contra o Fluminense, quando jogará por dois empates nos dois jogos (mas uma vitória para cada time por igual diferença de gols leva a decisão para os pênaltis, bizarrice do regulamento já abordada no blog).

Todas essas probabilidades se baseiam, também, na história, vejamos.

1. Conquista de turno por times pequenos.

Contando todas as Taças Guanabara, Taças Rio e Terceiros Turnos, inclusive as Taças Guanabara disputadas à parte dos campeonatos, foram apenas 4 conquistas em 82 oportunidades: Americano campeão da Taça Guanabara e da Taça Rio, enfrentando times mistos e reservas dos quatro grandes no confuso Carioca de 2002 (tão confuso que foi campeão dos dois turnos mas não foi campeão carioca), Volta Redonda campeão da Taça Guanabara de 2005 em decisão contra o Americano e Madureira campeão da Taça Rio de 2006 em decisão contra o Americano.

Ou seja, nunca um pequeno foi campeão de turno enfrentando um grande na decisão. Portanto, ou Volta Redonda e Resende vencem as semifinais ou o pequeno que, eventualmente, vencer a semifinal precisará quebrar esse tabu para ser campeão do turno e ir à decisão do campeonato.

2. Desempenho do campeão da Taça Guanabara nas finais da Taça Rio.

A atual edição do Carioca é a 10ª no modelo de semifinal e final de cada turno. Nas nove anteriores os campeões da Taça Guanabara têm sabido aproveitar a vantagem de chegar à reta final do campeonato com duas chances de ser campeão ao contrário dos demais adversários que só têm uma.

Em 2004, 2006, 2007 e 2012 o campeão da Taça Guanabara (Flamengo, Botafogo, Flamengo e Fluminense) sequer se classificou para as finais da Taça Rio, mas foi campeão carioca contra o campeão da Taça Rio.

Em 2005 o campeão da Taça Guanabara, o Volta Redonda, perdeu a semifinal da Taça Rio para o Flamengo e a final do carioca para o Fluminense.

Em 2008 o campeão da Taça Guanabara, o Flamengo, perdeu a semifinal da Taça Rio para o Botafogo mas venceu a final do carioca contra o mesmo Botafogo.

Em 2009 o campeão da Taça Guanabara, o Botafogo, perdeu a final da Taça Rio e a final do carioca para o Flamengo.

Em 2010 e 2011 o campeão da Taça Guanabara (Botafogo e Flamengo) também ganhou a Taça Rio e foi campeão carioca sem necessidade de decisão.

Resumindo: o campeão da Taça Guanabara, nas nove edições disputadas no atual modelo, só não foi campeão carioca em 2005, quando era um pequeno, e em 2009, quando o Botafogo conseguiu perder duas decisões seguidas contra o Flamengo.

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Estádios vazios e estádios cheios na história do Campeonato Carioca

20 março 2013 | 1 comentário

Se tem uma coisa chamando atenção no atual Carioca é a falta de público. Crescente desimportância dos estaduais para o torcedor brasileiro em geral e uma combinação de saudades do Maracanã com rejeição ao Engenhão para o torcedor carioca especificamente somados a fatores históricos como desconforto e violência nos estádios, alto preço dos ingressos, concorrência da televisão e horários ingratos estão deixando os estádios cariocas praticamente vazios.

Historicamente a presença de público no Brasil é muito variável. Depende, não só da avaliação em cada época dos fatores acima (time, estádio, horário, TV) como também, após tomada a decisão de ir ao estádio de um processo em que o torcedor para escolhe os jogos que vai e os que não vai, em função, além dos critérios já citados, outros como competição, adversário, quantidade de jogos no mês, entre outros.

Na expectativa de que os clubes se dediquem a favorecer a presença dos torcedores nos estádios e de que os torcedores de fato compareçam o Blog lembra dois momentos contrastantes em termos de presença de público na história do estadual mais charmoso do Brasil.

Carioca 1988.

Foi o primeiro Carioca com transmissão regular pela TV, com a inclusão de novo horário, o de 18h30 aos sábados. O Brasil vivia um momento de pessimismo sócio-econômico, hiperinflação, aumento da violência urbana. O futebol passava por um momento de desânimo com aumento do êxodo de jogadores para a Europa e o lamento pela proximidade da aposentadoria da geração de craques do começo da década. Tudo isso mais os novos horários e a novidade de ter os jogos ao vivo na TV deixaram o torcedor em casa. Para completar o torcedor carioca não gostou do excesso de jogos representado pelo terceiro turno (que já havia ocorrido em 1987, mas sem ter sido alvo de rejeição). O auge do pouco público se deu na 1ª rodada do terceiro turno, quando 9.753 torcedores pagaram para ver Fla 0×0 Flu e 11.811 para ver Vasco 1×0 Americano. O Campeonato foi decidido por três jogos entre Flamengo e Vasco e a soma do público dos três jogos não era suficiente para encher o Maracanã: Vasco 3×1 Flamengo, decisão do 3º turno, com 20.690 torcedores; Vasco 2×1 Flamengo, 1º jogo da decisão, com 24.790 torcedores e Vasco 1×0 Flamengo, 2º jogo da decisão, com 31.816 torcedores.

Carioca 1999.

Diversos fatos ocorridos em meados dos anos 90 desanimaram os torcedores de uma forma geral: viradas de mesa no Brasileiro, mudanças de tabela, desorganização do calendário, W.O. nos Cariocas de 1997 e 1998. Em 1999 o jornal Extra, para promover seu lançamento, tornou-se patrocinador e apoiador do Campeonato Carioca, em parceria com Federação, clubes e SUDERJ. Os ingressos eram vendidos a preços populares em bancas de jornal. O Vasco era campeão sulamericano e o Flamengo tinha Romário. Fluminense e Botafogo não viviam momentos muito animadores, mas seus torcedores também encheram os estádios, num efeito dominó em que o preço baixo atraía torcida, o estádio cheio valorizava os jogos, que passaram a ser ainda mais procurados e os jogos ainda mais valorizados, num ciclo virtuoso que encheu estádios em situações diversas, como as seguintes: Flamengo 5×3 Fluminense, amistoso de abertura da temporada, com 93.415 torcedores; Vasco 3×0 Fluminense, 1º clássico do campeonato, com 126.619 torcedores; Flamengo 3×0 Itaperuna, 1º jogo do Flamengo no Maracanã no campeonato, com 40.264 torcedores. A média de público do Carioca de 1999 foi de impressionantes 26.885 torcedores por jogo.

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Conheça um detalhe bizarro do regulamento do Carioca desse ano

15 março 2013 | 4 comentários

Com a definição da Taça Guanabara e o início da Taça Rio é hora de pensarmos na (eventual) decisão do Carioca.

De 2004, quando foi disputado o primeiro Carioca no atual modelo, foram cinco campeonatos vencidos pelo campeão da Taça Guanabara (Flamengo-2004, Botafogo-2006, Flamengo-2007, Flamengo-2008 e Fluminense-2012), dois campeonatos vencidos pelo campeão da Taça Rio (Fluminense-2005 e Flamengo-2009) e dois campeonatos vencidos sem necessidade de decisão (Botafogo-2010 e Flamengo-2011). Todas as decisões foram disputadas no mesmo formato, dois jogos, com decisão por pênaltis após o segundo jogo em caso de empate na soma dos resultados.

Caso o Botafogo não vença a Taça Rio teremos uma novidade na decisão do Carioca desse ano. Assim como houve vantagem de empate para os times de melhor campanha nos jogos decisivos da Taça Guanabara (e também haverá na Taça Rio), o finalista de melhor campanha jogará por dois empates para ser campeão carioca. O curioso, ou bizarro, é que a vantagem não se aplica ao empate na soma dos resultados em caso de uma vitória para cada finalista! É isso mesmo, o time de melhor campanha pode ser campeão se os jogos decisivos terminarem, por exemplo, em 1×1 e 2×2. Mas se terminarem em 1×0 e 1×2 o campeonato é decidido nos pênaltis.

Se ainda não acreditou ou não entendeu, leia o artigo 6º do regulamento:

Art. 6º – As Finais do Campeonato serão disputadas em 2 (duas) partidas entre a vencedora da Taça Guanabara (1° turno) e a vencedora da Taça Rio (2° turno).

§ 1º – A associação que tiver a maior soma de pontos ganhos, obtido nos dois turnos anteriores, jogará por dois empates.

§ 2º – No caso de empate nas duas partidas e ambas as associações tenham obtido o mesmo total de pontos ganhos (Taça Guanabara + Taça Rio) a decisão dar-se-á pela cobrança de tiros livres diretos da marca do penalty, na forma prevista para as competições internacionais.

§ 3º – No caso de uma vitória para cada associação será declarada campeã a que tiver obtido maior saldo de gols, computados somente nessas duas partidas. Havendo empate em saldo de gols a decisão dar-se-á pela cobrança de tiros livres diretos da marca do penalty, na forma prevista pela FIFA para as competições internacionais.

Clique e conheça o regulamento do Carioca 2013

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Decisões de Taça Guanabara entre Botafogo e Vasco

08 março 2013 | 1 comentário

O Botafogo tem tido muitos problemas com o Flamengo nos últimos anos. Mas não quando se trata de semifinal de turno, tendo em vista que os alvinegros venceram os rivais pela 3ª vez em quatro confrontos.

A decisão será contra o Vasco, que superou o Fluminense em confronto que sempre terminava empatado, e era decidido nos pênaltis, quando valia vaga em final de turno. Como em 2013 o time de melhor campanha joga pelo empate, não haveria pênaltis de qualquer forma.

Vasco e Botafogo decidirão a Taça Guanabara pela 4ª vez na história. Relembre as três ocasiões anteriores:

1965, Vasco 2×0 Botafogo:

Os rivais alvinegros decidiram a 1ª Taça Guanabara da história, criada para indicar o representante carioca na Taça Brasil. Foi disputada em dois turnos, o primeiro com seis clubes e o segundo com quatro. O Botafogo, líder, e o Vasco, vice-líder, se enfrentaram na última rodada. O Vasco venceu por 2×0, assumiu a liderança quando importava e levou a 1ª Taça Guanabara para São Januário. O jogo ficou marcado pela superioridade da defesa vascaína sobre Mané Garrincha, que havia sido o destaque da vitória botafoguense no turno por 3×0, o que motivou os cruzmaltinos a cantarem “Garrincha foi João, e o Vasco é campeão”.

1997, Botafogo 1×0 Vasco:

O Botafogo de Joel fez uma campanha irretocável na Taça Guanabara de 1997, com 100% de aproveitamento e garantia antecipada da melhor campanha. Mas o regulamento de 1997 previa uma decisão, situação atípica para a época, já que todos os clubes se enfrentaram ao longo do turno. O Vasco, depois de perder para o Flamengo por 3×1, já não contava mais com participar da decisão. Mas no último jogo do turno o Flamengo, que só precisava empatar, perdeu para os reservas do Botafogo, ficou atrás do Vasco e não foi a decisão. Para o Botafogo não fez diferença. Venceu o Vasco por 1×0, gol de Gonçalves, e garantiu a conquista da Taça Guanabara com 12 vitórias em 12 jogos, a melhor campanha de todos os tempos. O Botafogo também ganhou a Taça Rio, mas teve de disputar a decisão do Carioca com o Vasco, campeão do 3º turno, e foi campeão com o célebre gol de Dimba.

2010, Botafogo 2×0 Vasco:

O jogo entre os rivais no meio da Taça Guanabara deveria ficar marcado pela estreia de Loco Abreu no Glorioso e acabou marcado pela imagem de um torcedor botando fogo na camisa do próprio time, desesperado com a goleada sofrida por 6×0. Como não poderia deixar de ser essa derrota causou uma revolução no Botafogo, incluindo a troca de técnico, com a saída de Estavam Soares e a entrada de Joel Santana, recém-saído da seleção sul-africana. Nem o mais otimista botafoguense poderia imaginar que a reação fosse tão rápida. Menos de um mês depois daquele massacre o Botafogo venceu a semifinal da Taça Guanabara contra o Flamengo e a final contra o mesmo Vasco que lhe impingiu a goleada. A reação de curto prazo deu tanto ânimo ao time que além da Taça Guanabara o alvinegro ganhou também a Taça Rio, com o famoso gol de pênalti de Loco Abreu, e, consequentemente, o Carioca, sem necessidade de decisão.

Ainda houve duas outra oportunidades em que os dois terminaram nas duas primeiras posições, mas sem jogo decisivo: 1990 e 2000, com Vasco campeão nas duas oportunidades.

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